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21/01/2026

Emissão global de títulos sustentáveis deve atingir USD 900 bilhões em 2026, prevê Moody’s

Na América Latina, a emissão de títulos sustentáveis deve se recuperar de forma moderada em 2026, mas continuará representando apenas 3% do total global.

— A Moody’s prevê que a emissão global de títulos sustentáveis alcance USD 900 bilhões em 2026, praticamente estável a partir de 2025. O investimento será respaldado pelo tratamento das lacunas de mitigação e adaptação climática, mesmo que obstáculos políticos e prioridades concorrentes reduzam os volumes em algumas regiões. Os projetos com foco ambiental continuarão a dominar o cenário, à medida que novos investimentos em transição, adaptação e infraestrutura digital complementam a atividade de um grande grupo de emissores recorrentes. Os vínculos com os riscos ambientais manterão as considerações sociais sob os holofotes, mesmo que os volumes de recursos destinados a fins sociais permaneçam limitados.

A emissão global de títulos sustentáveis ficará estável em 2026. A previsão da Moody’s compreende USD 530 bilhões em títulos verdes, USD 115 bilhões em títulos sociais, USD 190 bilhões em títulos de sustentabilidade, USD 40 bilhões em títulos de transição e USD 25 bilhões em títulos vinculados à sustentabilidade (SLBs, em inglês). As diferentes necessidades de investimento, bem como o suporte regulatório e político, impulsionarão a divergência regional. Uma parcela significativa de instrumentos sustentáveis com vencimento próximo oferece potencial para uma oferta maior e um teste do apetite do emissor por títulos com rótulo.

Na América Latina e Caribe, os volumes dos títulos sustentáveis devem apresentar recuperação moderada em 2026, após um 2025 relativamente fraco. Os volumes regionais preliminares totalizaram USD 23 bilhões em 2025, apenas 3% do total global e bem atrás do recorde de USD 56 bilhões em 2023. A região tem exposição significativa a riscos ambientais e sociais, que contribuem para grandes necessidades de desenvolvimento sustentável que apoiarão a emissão em 2026. A forte liderança de entidades do setor público, incluindo entidades soberanas e bancos públicos de desenvolvimento, é uma característica única que sustenta as nossas expectativas de crescimento regional no longo prazo.

O financiamento da transição ganhará força à medida que o mercado adote gradualmente novos padrões. O financiamento da mitigação climática dominará em 2026, apesar de uma abordagem mais pragmática para a descarbonização. Embora os títulos verdes representem a maior parte dos projetos de descarbonização, as novas diretrizes apoiarão a escalabilidade global de títulos e empréstimos de transição rotulados, que até recentemente estavam concentrados na Ásia. No entanto, expectativas díspares dos investidores podem contribuir para a adoção gradual e desigual dos títulos rotulados.

A adaptação e resiliência emergirão como pontos focais além da mitigação. A crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos severos estão incentivando os emissores a incorporar adaptação e resiliência em seus planos de financiamento. Embora ainda existam obstáculos de viabilidade financeira (bankability), os governos, em particular, incluirão cada vez mais esses projetos em seus programas de títulos sustentáveis em 2026. A natureza e a biodiversidade também crescerão ainda mais à medida que os emissores aproveitarem o rótulo de títulos azuis (projetos relacionados ao oceano e litoral) para lidar com os riscos relevantes.

O crescimento da infraestrutura digital impulsionará novas oportunidades de dívida sustentável. O enorme investimento necessário para expandir a infraestrutura digital globalmente está criando oportunidades de financiamento significativas. A Moody’s espera que os framewoks e instrumentos de títulos rotulados incluam projetos de data centers em 2026, com os emissores cada vez mais focados em responder ao escrutínio dos investidores sobre a natureza intensiva de energia e água dos projetos— conclui a Moody’s.