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15/01/2026

O maior risco em tempos de tensão geopolítica não vem de fora

A cada novo ruído geopolítico, o mercado reage com um susto de principiante. Parece que estamos sempre diante de um evento inédito, quando, na verdade, a história se repete. As manchetes se acumulam, as análises se atropelam e o investidor fica ali, no meio do caminho, oscilando entre o pânico total e a euforia injustificada.

O que vemos agora entre Estados Unidos e Venezuela traz, sim, um componente novo: a velocidade. Disputas diplomáticas estão redesenhando fluxos de energia e contaminando o humor global num piscar de olhos. Em poucas horas, o risco é reprecificado. O petróleo sobe, ativos sensíveis perdem o fôlego e o capital corre para se esconder. No Brasil, o impacto é imediato. É o nosso velho conhecido: a vulnerabilidade externa.

É exatamente aqui que precisamos de calma. O perigo real não vem de fora. Ele mora em nossa própria leitura dos fatos, no impulso. A história econômica brasileira cansa de nos mostrar que decisões tomadas no calor do momento custam caríssimo. O investidor que o Brasil precisa hoje não é o “adivinho” de Washington ou Caracas. Não é quem aposta no caos do barril de petróleo. O que o país e o mercado precisam, para ter solidez, é de método. É de quem olha para a própria carteira com racionalidade, entende o risco regional e não troca a estratégia pelo nervosismo do dia.

Na maior parte das vezes, preservar valor passa por evitar a reação apressada. Em ambientes de maior tensão, a disciplina costuma ser mais eficiente do que a tentativa de genialidade. Estratégia bem definida atravessa ciclos. Alocação guiada por ruído costuma tropeçar.

Isso não é ser passivo. É agir com consciência. Significa revisar alocações, sim, e olhar para as commodities dentro do perfil de cada um. E também garantir liquidez e entender que diversificação não é teoria de livro, e sim proteção real no mundo concreto.

Historicamente, o investidor brasileiro subestima a instabilidade da nossa região. Bastam alguns dias de calmaria para que os excessos voltem, até que um novo episódio geopolítico nos traga de volta à realidade. Essa dinâmica mexe com a inflação, influencia o Copom e pressiona o dólar. O que ela não pode é empurrar o investidor para o abismo emocional.

Pode parecer simples demais falar em disciplina diante de um cenário tão complexo. É, porém, justamente o básico que falta quando a temperatura sobe. Não é hora de tentar ser mais esperto que o tabuleiro global. É hora de ser mais consciente que a média, atravessar os períodos turbulentos com menos desgaste e construir patrimônio com mais consistência ao longo do tempo.

Por: Luciana Zanini, investidora, Conselheira, C-Level e CFO do Inhotim. Diretora Executiva de Finanças, Pessoas e Estratégia (CFO) no Inhotim, Luciana Zanini tem uma sólida trajetória em finanças, mercado de capitais, relações com investidores e governança corporativa. Com uma visão estratégica orientada a resultados, é reconhecida por sua habilidade em liderar transformações organizacionais de alto impacto, alinhando o desenvolvimento de pessoas à excelência financeira. A executiva adota uma visão humanizada das finanças, acreditando que o valor de uma organização está em seu capital humano. Sua experiência inclui passagens por grandes instituições, como Itaú BBA, EY, Bloom Energy, Fialho Salles Advogados, LOG Commercial Properties e Seven Capital. Possui um MBA pela Tuck School of Business at Dartmouth, o que fortalece sua sólida formação em finanças e negócios e agrega uma visão global e estratégica ao seu perfil de liderança.