O analista de Diversificação Internacional do escritório da InvestSmart, Bruno Suzuki, comentou sobre os impactos dos recentes conflitos geopolíticos mundiais, especialmente aqueles envolvendo os EUA, sobre o mercado e possíveis desdobramentos.
—A combinação dos protestos no Irã com a postura cada vez mais firme dos Estados Unidos em relação à Groenlândia e à Venezuela reforça a percepção de que Washington entrou em uma fase de política externa mais imprevisível e unilateral. No caso iraniano, a possibilidade de colapso do regime já tem provocado volatilidade nos mercados de energia, com investidores precificando riscos de interrupção na oferta de petróleo e avaliando até que ponto os EUA poderiam explorar o vácuo de poder para promover uma mudança de regime, como ocorreu recentemente na Venezuela.
Ao mesmo tempo, as ameaças explícitas de Donald Trump de assumir o controle da Groenlândia, um território ligado a um aliado histórico da OTAN, ampliam a incerteza geopolítica ao colocar em xeque regras básicas da ordem internacional e a previsibilidade das alianças ocidentais. A reação da negativa Dinamarca e o desconforto crescente na Europa indicam que o custo diplomático para os Estados Unidos pode ser elevado, inclusive com riscos de enfraquecimento da própria OTAN.
Para os EUA, esse contexto gera um dilema embora a estratégia mostre força e busque vantagens estratégicas no Oriente Médio e no Ártico, ela também aumenta a percepção de risco sistêmico, alimenta a volatilidade nos mercados globais e reduz a confiança de aliados. O resultado é um ambiente internacional mais instável, no qual a liderança americana passa a ser vista não como âncora de previsibilidade, mas como uma das principais fontes de incerteza1 conclui Bruno Suzuki, Analista de Diversificação Internacional da InvestSmart XP.