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13/01/2026

Global Annual M&A Outlook 2026 do J.P. Morgan

Megatransações, inovação e imperativos estratégicos devem moldar o mercado de M&A em 2026.

O mercado global de fusões e aquisições entra em 2026 com forte impulso, após um ano marcado por megatransações, atividade recorde em operações transfronteiriças e investimentos robustos em inteligência artificial e infraestrutura de energia. De acordo com o Global Annual M&A Outlook 2026 do J.P. Morgan, divulgado hoje, os participantes do mercado devem priorizar escala e clareza estratégica à medida que navegam por um ambiente macroeconômico e regulatório em evolução.

Retrospectiva de 2025 — O ano se desenrolou em meio a eventos históricos — de feriados nacionais e paralisações do governo a mudanças amplas de políticas públicas e turbulências geopolíticas — com investimentos expressivos em IA e defesa influenciando o cenário, tornando 2025 um dos anos mais ativos da última década.

O M&A global atingiu US$ 5,1 trilhões, alta de 42% em relação ao ano anterior, o maior volume em duas décadas e o segundo maior da história, atrás apenas de 2021.

71 megatransações (acima de US$ 10 bilhões) somaram US$ 1,5 trilhão, sendo que apenas o quarto trimestre concentrou 23 operações, totalizando US$ 570 bilhões, o maior volume e número trimestral já registrados.

O número total de transações caiu 4%, mas as operações acima de US$ 250 milhões cresceram 13%, evidenciando um mercado cada vez mais orientado à escala.

As transações internacionais avançaram 49% na comparação anual, com os Estados Unidos liderando tanto como principal comprador quanto como principal alvo.

Segundo Rafael Munoz, Head de M&A para a América Latina: —A resiliência da América Latina diante das incertezas globais tem sido notável. A região manteve uma atividade robusta em M&A, encerrando 2025 com volumes aproximadamente 34% superiores ao ano anterior. Nossos clientes seguem focados em crescimento estratégico e criação de valor, e estamos otimistas quanto às oportunidades que 2026 deve trazer—.

Dez forças que moldam o mercado de M&A em 2025 e além —As condições favoráveis que impulsionaram o mercado no segundo semestre de 2025 devem se estender para 2026, sustentando um nível elevado de atividade, apoiado por fundamentos sólidos, foco estratégico, impulso setorial e desinvestimentos de ativos maduros por patrocinadores financeiros.

1. Era das megatransações e mudanças regulatórias: clara tendência em direção à escala, com megadeals impulsionando volumes recordes e refletindo o apetite por transações transformacionais.

Foram 71 megatransações, totalizando US$ 1,5 trilhão; apenas no 4T25, 23 operações responderam por mais de um terço do volume anual — o maior volume e número anual e trimestral já registrados.

O segmento de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões também cresceu fortemente, com volume e número de operações avançando mais de 60% ano a ano.

2. Busca e valorização da escala focada: a importância da escala está em níveis recordes, com empresas maiores apresentando prêmios de valuation mais elevados, ratings mais fortes e menor custo de financiamento.

O prêmio de escala atingiu 41%, o maior da série histórica: o múltiplo EV/Ebitda mediano do S&P 500 é de 13,5x, contra 9,6x do S&P 600.

Empresas maiores se beneficiam de ratings de crédito mais elevados e menor custo de capital: 75% das companhias do S&P 1500 com Ebitda acima de US$ 1 bilhão têm grau de investimento, contra 22% das menores.

3. Ativismo acionário e clareza corporativa: o ativismo acionário atingiu níveis recordes, apoiado por reformas de governança corporativa, com foco em saídas orientadas por eventos, revisões estratégicas, cisões e desinvestimentos.

Campanhas ativistas globais cresceram 5% em 2025, impulsionadas por um aumento de 30% na América do Norte.

4. Inovação em estruturas de M&A em níveis recordes: estratégias criativas, como fechamentos de capital em larga escala e vendas de participações minoritárias, ganharam força.

O volume de operações de take-private alcançou US$ 381 bilhões, alta de 33%, um recorde histórico.

As vendas de participações minoritárias atingiram US$ 1 trilhão, crescimento de 40%.

5. Monetizações de patrocinadores para destravar liquidez: o M&A liderado por patrocinadores cresceu 47%, com fundos de private equity ainda detendo elevado volume de capital disponível.

O mercado secundário atingiu US$ 110 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta de 60%.

6. Polos globais com liderança dos EUA e dinamismo regional: os EUA mantiveram a liderança em M&A, enquanto EMEA e Ásia-Pacífico mostraram forte atratividade.

A América Latina registrou crescimento de 34%, impulsionado pela liderança do Brasil e pelo aumento das operações transfronteiriças.

7. Tecnologia e Indústrias Diversificadas em destaque: tecnologia e Indústrias Diversificadas superaram US$ 1 trilhão cada em volume de M&A, representando juntas quase 45% do volume global.

8. Boom de investimentos em IA e transição energética: investimentos entre US$ 5 trilhões e US$ 7 trilhões em IA, data centers e infraestrutura energética nos próximos cinco anos devem impulsionar novas ondas de M&A.

9. Expansão do capital privado: o crescimento do capital de seguros e o uso de estruturas de back-leverage estão ampliando as alternativas de financiamento para investimentos e aquisições.

10. Mudanças regulatórias em um contexto geopolítico em transformação: tensões geopolíticas e maior escrutínio regulatório estão impulsionando movimentos de desglobalização, com empresas buscando maior controle sobre ativos estratégicos e cadeias de suprimentos mais diversificadas.