A integração ferroviária, os novos contratos firmados e o incremento de 60% na área dedicada a contêineres, entre outros projetos, abrem novas possibilidades de rotas, cargas e negócios para o Espírito Santo em 2026. A conclusão do licenciamento ambiental do Porto de Barra do Riacho, em Aracruz, também será destaque no próximo ano.
O ano de 2026 inaugura uma nova e importante fase para a logística portuária capixaba. Como resultado de mais de R$ 600 milhões em investimentos e 16 novos contratos firmados, a Vports se prepara para receber operações ferroviárias, agregando ainda mais eficiência logística às soluções oferecidas.
Mais de R$ 100 milhões serão investidos no total pela Vports e parceiros estratégicos para viabilizar as operações no Cais de Capuaba, incluindo a recuperação da pera ferroviária, ampliação de capacidade estática para granéis sólidos, melhoria de infraestrutura, além de investimentos em automação.
Um novo contrato de longo prazo — 17 anos —, firmado com a Multilift, prevê a construção, ainda no primeiro semestre de 2026, de uma moega ferroviária exclusiva para descarregamento de ferro-gusa. Na sequência, a operação da carga ocorrerá por meio de parceria entre Vports, Multilift e VLI.
—A celebração deste contrato de 17 anos nos trará ganhos de eficiência e produtividade na movimentação de cargas pelo Espírito Santo, representando um passo estratégico para elevar a competitividade logística do Estado. E esse é o só o começo. Fechar um contrato de longo prazo, aliado à integração do porto com a ferrovia, abre inúmeras possibilidades de desenvolvimento e diversificação —afirma Rafael Fattorelli, diretor-presidente da Multilift.
— Essa parceria com a Vports evidencia o olhar da VLI para o Espírito Santo. Reconhecemos o potencial capixaba e acreditamos que esses investimentos serão mais uma oportunidade de ampliar a conexão do litoral com o interior do país, por meio do transporte ferroviário, que é mais eficiente, sustentável e seguro. Oferecer mais alternativas logísticas para os clientes é o caminho para tornar a economia brasileira mais competitiva e gerar valor para o estado— pontua Fábio Marchiori, CEO da VLI.
Tais avanços permitirão que o ferro-gusa chegue diretamente ao porto, ampliando as opções do mercado e fortalecendo o Estado como um hub multimodal de relevância para o País.
—A recuperação de toda a estrutura em Capuaba e a preparação para o início das operações em 2026 têm importância estratégica por favorecer a atração de novas cargas e a abertura de outras rotas, como uma possível e inédita ligação entre o Espírito Santo e o Centro-Oeste como um todo, além de destinos mais específicos como Goiás e o Triângulo Mineiro —afirma o diretor-presidente da Vports, Gustavo Serrão.
Segundo ele, 2026 será um ano de destaque para Vports impulsionado pela vocação multipropósito, multimodalidade e localização estratégica, que ganha ainda mais força. —A preparação para início das operações ferroviárias somada à possibilidade de receber navios com porte bruto maior, de até 83 mil toneladas, ampliará as possibilidades de trabalhar granéis, como grãos e fertilizantes — esse último um dos grandes destaques de movimentação de 2025— considera Serrão.
Vale lembrar que os portos administrados pela Vports estão conectados às principais origens de cargas agrícolas e minerais do país, considerando conexões ao Centro-Oeste via ferrovia e às rodovias BR-101 e BR-262; tendo ainda 60% do PIB brasileiro concentrado em cidades com até mil quilômetros de nossos portos.
A ampliação em 70 mil metros quadrados da área do porto destinada a contêineres — espaço que corresponde a 60% da área total hoje já operada pelo terminal — também será mais um importante passo, após a finalização das obras de preparação que exigiram investimentos de R$ 35 milhões.
A conclusão do processo de licenciamento ambiental junto ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema-ES) de Barra do Riacho, previsto para 2026, também será uma etapa fundamental neste propósito de desenvolvimento. —Somos parte do Parklog-ES e isso reflete nossa convicção de que crescimento econômico se faz no coletivo. O desenvolvimento dessa área de 522 mil metros quadrados abre inúmeras possibilidades e o nosso objetivo é construir na região um porto multipropósito— diz.
O projeto em licenciamento para Barra do Riacho prevê novos negócios na área de grãos — aproveitando a integração ferroviária—, bem como atividades destinadas à indústria de gás e serviços offshore, entre outros, incluindo o descomissionamento de plataformas de petróleo, o que leva em conta a localização estratégia do Estado. —Temos um trabalho contínuo no sentido de captar parceiros e somar interesses e vocações, ampliando oportunidades de desenvolvimento para o ecossistema de empresas capixabas no setor —ressalta.
O segmento de veículos, máquinas e equipamentos, segundo ele, também surge com um grande potencial de crescimento, haja vista o novo contrato firmado entre a Vports e a Comexport, o 16º depois da concessão do porto à iniciativa privada. Mais do que um novo contrato, a renovação representa manter no porto um parceiro estratégico e qualificado para a Vports e importante para a competitividade do estado.
A parceria com a Comexport, gigante do comércio exterior que se tornou a maior empresa do Espírito Santo, permitirá que o Estado receba mais de 200 mil veículos por ano e se consolide como a principal porta de chegada dos automóveis de outros países ao Brasil.
A expectativa é de aumento também nas importações de máquinas, equipamentos e de cargas especiais — que exigem operações específicas para a movimentação.
—Tudo isso é reflexo do trabalho desenvolvido há três anos para dar dinamismo, flexibilidade e produtividade ao porto. No total, entre investimentos já realizados e em andamento, somamos mais de R$ 1 bilhão em obras de modernização e infraestrutura. E seguimos firmes e motivados a dar continuidade a esse projeto que constrói eficiência e produtividade a partir do desenvolvimento sustentável e compartilhado —finaliza.