marcos-freitas

29/11/2025

Exaustão não é performance: por que a cultura do “sacrifício” está destruindo empresas

Virou moda no mundo dos empresários-influencers e coaches romantizar o sacrifício.

Hoje, é comum ver equipes celebrando metas alcançadas às 23h55 do dia 30, gestores exaltando quem sobrevive à base de café e estresse, e mensagens que sugerem que abrir mão de momentos em família é sinônimo de produtividade. Só que nem sempre é.

Também se popularizou a narrativa de que quem empreende precisa abdicar da vida pessoal para se dedicar ao negócio. Que noites em claro e fins de semana apagando incêndios seriam prova de disciplina e alta performance.

O problema é que esse modelo não se sustenta.

Empresas fortes não são construídas sobre noites sem sono ou cafés infinitos. São construídas por pessoas engajadas, motivadas e saudáveis. E felicidade não nasce da exaustão. Ela é, na prática, improdutiva.

Correr sem direção não gera resultados. Gera desgaste.

É claro que, em momentos críticos, trabalhar mais horas ou abrir mão de um final de semana é inevitável. Quem começa um negócio sabe bem: acumula funções, se doa além do normal. Mas, à medida que a estrutura cresce, esse modelo se torna insustentável e prejudica a estratégia.

Trabalhar 12 ou 13 horas por dia deve ser exceção, nunca regra.

Família, lazer e descanso não são inimigos do crescimento, são pilares essenciais para que ele aconteça de forma saudável e sustentável.

A gestão de pessoas passa também por reconhecer limites. Saber quando cobrar e quando permitir pausa é gestão estratégica, não permissividade.

A ciência confirma. O excesso de horas reduz o foco, bloqueia a inovação e impede o surgimento de ideias novas, o verdadeiro motor do crescimento.

Esses resultados reforçam a relevância do debate sobre qualidade de vida, mas também revelam um ponto importante: não existe fórmula única. Crescimento sustentável exige ritmo, consistência e disciplina: pilares que, ao contrário da visão simplista de “menos horas”, estão ligados a como a energia é gerida e ao quanto foco e propósito orientam a rotina.

E há um aspecto que muitos empresários ainda negligenciam: a saúde. O modelo de 15 horas de trabalho diárias, vendido como símbolo de sucesso, tem consequências graves. Um estudo publicado no Journal of the American Heart Association mostra que estresse crônico e a insatisfação profissional aumentam o risco de fibrilação atrial, uma arritmia cardíaca que pode levar a complicações sérias. Ou seja, não é apenas o negócio que paga a conta do excesso, é também o corpo de quem lidera.

Por isso, a produtividade verdadeira não nasce da exaustão, mas da gestão inteligente da energia, de pausas estratégicas e do equilíbrio entre esforço e recuperação. O papel do líder não é celebrar quem sacrifica a saúde em nome do trabalho, e sim construir empresas fortes e sustentáveis sem transformar a dedicação em desgaste.

Ou seja: excesso de esforço não é sinônimo de performance. É sinal de má gestão.

Pressão e metas são inevitáveis, mas sem equilíbrio, toda a conta desanda. Incentivar momentos de lazer, descanso e integração mostra ao time que há recompensa real por trás do esforço.

Crescer não é correr cada vez mais rápido. É pedalar com ritmo, mas com direção clara e sustentável.

Trabalhar muito não basta: é preciso trabalhar de forma inteligente, sem transformar a dedicação em desgaste.

A missão de quem lidera não é premiar a exaustão. É construir empresas que cresçam com resultado, sem sacrificar quem está ao lado nessa jornada. Esse é o único modelo que faz sentido, para o negócio, para as pessoas e para a vida.

Por: Marcos Freitas, empresário, CEO e fundador da Seja AP, a maior empresa de evolução empresarial do Brasil.