A Moody’s Local divulgou no dia 05 de junho (quinta-feira), um relatório que reforça a resiliência da indústria farmacêutica brasileira, destacando fundamentos positivos para o setor no longo prazo. Entre os principais fatores estão o envelhecimento populacional, o aumento da expectativa de vida, a maior incidência de doenças crônicas e a ampliação do acesso ao sistema de saúde.
Nos últimos cinco anos, o setor farmacêutico apresentou um crescimento anual entre 10% e 13%, superando o desempenho econômico do país. O ambiente regulatório também contribui para a elevação das barreiras de entrada, dificultando a permanência de competidores menos preparados.
Genéricos com potencial de expansão —A penetração dos medicamentos genéricos ainda tem amplo espaço para crescimento. Ao final de 2024, essa categoria representava cerca de 40% do mercado de varejo em unidades. Seu caráter contracíclico, com preços mais acessíveis, é um diferencial em cenários macroeconômicos desafiadores. No entanto, o setor enfrenta intensa competição, menor valor agregado e alta possibilidade de substituição.
Foco em fármacos biológicos — Os medicamentos biológicos, voltados para doenças raras, hormonais, neurodegenerativas, autoimunes, infecciosas e oncológicas, devem continuar em alta. Por serem produtos complexos e de maior valor agregado, exigem investimentos elevados. A Moody’s Local acredita que esse segmento continuará sendo estratégico para o crescimento e a rentabilidade das companhias, especialmente com a queda de determinadas patentes no médio prazo.
Investimentos contínuos em P&D — Para manter ou ampliar sua participação de mercado, as empresas precisam investir continuamente em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Entre 2021 e 2024, o setor destinou, em média, de 6% a 9% da receita líquida a P&D, considerando despesas operacionais e de capital.
Diversificação como vantagem competitiva — Empresas que atuam em múltiplos segmentos – como medicamentos de referência, genéricos, similares, isentos de prescrição e outros produtos – e que atendem tanto o varejo quanto o canal institucional, tendem a apresentar maior resiliência operacional e financeira.
Métricas de crédito sólidas — O setor farmacêutico apresenta níveis saudáveis de rentabilidade, com forte geração de caixa operacional e elevada flexibilidade financeira para servir dívidas, investir e distribuir dividendos. A média do setor mostra alavancagem baixa a moderada, boa cobertura de juros, perfil de liquidez administrável e acesso adequado ao mercado. No entanto, empresas que passaram por processos de expansão mais acelerados ainda operam com alavancagem acima da média, sendo mais impactadas pelo atual ambiente macroeconômico adverso e pelas elevadas taxas de juros no Brasil.