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04/04/2024

Mulheres, data centers e a revolução digital: uma tríade com visão feminina

Na América Latina, um grupo de mulheres está demonstrando que o talento não tem gênero. Elas desafiam os paradigmas populares de que as mulheres geralmente não se sobressaem nas carreiras profissionais relacionadas com STEM e transformam a maneira pela qual pensamos o data center – liderado majoritariamente por homens. Com visão e determinação, elas estão abrindo o caminho para uma maior inclusão e equidade em um campo que continua crescendo e evoluindo rapidamente.

Embora um estudo realizado em 2022 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostre que na metade das organizações pesquisadas a participação feminina nos processos de transformação digital é menor de 50%, as líderes que apresentamos abaixo estão abrindo o caminho para inspirar e apoiar uma nova geração de mulheres na indústria de data centers.

Do direito aos servidores — Quando criança, Adriana Rivera, atual diretora executiva da Associação Mexicana de Data Centers (MEXDC), queria ser a presidente do México, então, seu pai recomendou que ela estudasse Direito, já que naquele momento a maioria dos mandatários do seu país tinham essa profissão.

Mais tarde, ela se graduou em Direito, com foco em gestão ambiental – o que ia de encontro às novas paixões que havia descoberto enquanto cursava a faculdade. Ela esteve por 25 anos no serviço público com essa especialidade, até que fez sua transição para os data centers, onde aplicaria seu conhecimento legal em questões de sustentabilidade e fomentaria o uso de energias renováveis.

Adriana precisou trabalhar enquanto criava sua filha como mãe solteira e, graças ao apoio da sua família, foi capaz de encontrar o equilíbrio entre sua vida profissional e sua vida pessoal, até assumir seu cargo atual. Além disso, conta com o apoio de colegas experientes, tanto homens quanto mulheres, os quais têm demonstrado uma atitude aberta em relação ao seu cargo. Esse espírito a motiva para seguir crescendo e se desenvolvendo pessoalmente.

— Acredito que seja nosso dever, como mulheres, continuar respondendo ao chamado da profissionalização entre as jovens profissionais. Neste sentido, posso dizer que a associação MEXDC lançou um programa piloto de bolsas de estudo para jovens que queiram adquirir as competências e os conhecimentos necessários para a indústria de Data Centers e 75% das bolsas foram dadas a mulheres. Esse é o reflexo de uma mudança importante: as mulheres estão começando a se interessar por tecnologia e se especializando nas áreas consideradas como sendo dominadas por homens. Isso não é apenas inspirador como também nos lembra que devemos abrir nossas mentes a todas as oportunidades de desenvolvimento. A indústria de data centers está crescendo em um ritmo vertiginoso e precisará de talento diverso para enfrentar os desafios da inteligência artificial, da rede 5G e do metaverso — disse Adriana.

De uma maquiladora à área comercial — Amante da matemática e com um pai engenheiro, Rosalinda Pérez, gerente de vendas para data centers na Vertiv Latam, se dedicou a estudar Engenharia Industrial para ter um escopo mais amplo na sua carreira profissional. Começou trabalhando como engenheira em uma fábrica de cabeamento estruturado para telecomunicações. Seu amor pela tecnologia sempre esteve presente; assim, quando lhe ofereceram um cargo na área comercial, o qual implicava em uma mudança da área fabril para executiva de vendas, ela não pensou duas vezes.

Rosalinda aproveitou essa oportunidade de entrar em um “mundo completamente diferente” e se especializar no mercado de data centers. Hoje, lidera uma equipe formada tanto por homens quanto por mulheres, demonstrando que o gênero não é um fator determinante para o sucesso, e sim a versatilidade, a vontade de aprender.

—Nas minhas equipes sempre houveram homens e mulheres, porém, também quero dizer que não foi o gênero que determinou quem faria parte delas e sim a capacidade profissional e essas vantagens nós mulheres aportamos a este mercado e que nos dão um diferencial. Nem tudo é desigualdade no mau sentido, há coisas que devemos aproveitar. É bem agradável ver uma mulher na área comercial em uma indústria com tantos homens — disse ela.

Neste mês de março, Rosalinda comemora seu primeiro ano na Vertiv, o que também foi um grande desafio. Por isso, convida as mulheres que ainda estejam decidindo o que estudarão e onde se candidatarão a um emprego, que considerem a indústria de data centers como um mercado que “não é apenas o presente, mas também o futuro”, já que permanece em constante evolução com tendências tecnológicas como a inteligência artificial, a internet das coisas e o 5G.

Dos dados à nuvem — Heidy Bauer Com 30 anos trabalhando em empresas de serviços de tecnologia, Heidy Bauer, diretora de Serviços para Nuvem e Data Centers na Sonda Chile, ainda se pergunta como chegou nesta indústria, já que originalmente preferia estar rodeada de números, algoritmos e álgebra. Fez licenciatura em matemática e computação, porém em pouco tempo chegou nos serviços de TI e nunca mais saiu da questão da terceirização tecnológica e, consequentemente, passando grande parte de seu dia envolvida com data centers. Após alguns anos em cargos de gestão de contas relacionadas a sistemas de dados e serviços de TI, terminou liderando a unidade dedicada a terceirização tecnológica na SONDA.

Com tantos anos de experiência, tem ela tem testemunhado em primeira mão o impacto transformador que as mulheres podem ter na indústria de data centers.

—Estou absolutamente convencida de que somos as arquitetas do nosso destino. Então, não devemos subestimar nossa capacidade e não devemos criar barreiras onde não há. Frequentemente nós mesmas temos esse preconceito e eu tenho a convicção de que precisamos partir do pressuposto que estamos todos em igualdades de condições— afirmou Heidy.

Em um ambiente em constante evolução como os data centers, Heidy considera que a diversidade equivale à inovação, e esse é um dos principais benefícios de ter mais mulheres nessa indústria.