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28/03/2024

Marinha do Brasil lança Submarino “Tonelero” ao mar, em Itaguaí (RJ)

Este é o terceiro submarino convencional do ProSub e 100% fabricado no Brasil. Resultado do profissionalismo e seriedade com que a Marinha do Brasil, as empresas e as universidades se posicionaram desde o início da jornada.

A Marinha do Brasil (MB) realizou, no dia 27 de março (quarta-feira), o batismo e o lançamento ao mar do Submarino “Tonelero”, no Complexo Naval de Itaguaí (RJ). O evento marcou a prontificação do processo construtivo do terceiro Submarino Convencional com Propulsão Diesel-Elétrica (S-BR), construído totalmente no Brasil, no escopo do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub), que é resultado de uma parceria estratégica firmada, em 2008, entre o Brasil e a França, que prevê a transferência de tecnologia na área militar-naval.

A cerimônia contou com a participação do Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do presidente da França, Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron, do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, do comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, demais representantes do almirantado, e o governador do Estado do Rio de Janeiro Claúdio Castro. Também marcaram presença ministros de Estado e outras autoridades, bem como membros da indústria de defesa e da comunidade científica e tecnológica.

Em seu discurso, o presidente Lula deu destaque aos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França, a serem comemorados em 2025, e afirmou que partiu, junto ao presidente Emmanuel Macron, do coração da Amazônia Verde, em Belém (PA), rumo a outra Amazônia: a Amazônia Azul. —Neste estaleiro, vislumbramos a vastidão dos 5,7 milhões de km² do espaço marítimo brasileiro, onde 95% do comércio exterior transita pelo Atlântico Sul, e onde existem recursos naturais e rica biodiversidade ainda inexplorados. Da Amazônia Azul, retiramos 75% do gás natural e 45% do pescado produzido no nosso país, e a proteção desse patrimônio natural e a manutenção do Atlântico Sul como zona de paz e cooperação são vertentes centrais da política externa brasileira. Ao longo dos últimos 150 anos, esses objetivos nacionais se tornaram realidade com apoio francês —celebrou.

O presidente Lula afirmou, ainda, que vários navios da Marinha do Brasil foram construídos na França, como o Encouraçado “Brasil”, recebido em 1865, e o Navio Aeródromo “São Paulo”, que esteve em serviço entre 2000 e 2014. —Hoje, com o complexo instalado aqui na Baía de Sepetiba, o Brasil se posiciona dentro do pequeno grupo de países que domina a construção de submarinos. O ProSub é o maior e mais importante projeto de cooperação internacional em assunto de defesa do Brasil, porque garante a soberania no nosso litoral, fortalece a indústria naval, com geração emprego e renda, e promove o desenvolvimento do setor com muita inovação— completou o presidente.

Já o presidente francês Emmanuel Macron destacou o caráter histórico da conquista, ao afirmar que o País batizou o Submarino com o nome de uma grande vitória que está gravada na memória brasileira. —Mais uma vez, Tonelero será sinônimo de uma vitória brasileira, mas pacífica, industrial, tecnológica. Incontestavelmente uma vitória —reiterou o presidente francês.

Para ele, esta é uma ambição que, em 2008, podia parecer desmedida, mas que surpreendeu com os resultados. —Vocês tinham razão de acreditar e nós tivemos razão de apoiar vocês. Este terceiro submarino é testemunha concreta daquilo que nossos países são capazes de realizar juntos, uma verdadeira parceria estratégica. Jamais compartilhamos tanto nosso know-how do que com o Brasil, e os impactos positivos deste estaleiro, em termos de empregos gerados, vocações suscitadas e universidades associadas vão além do que se pretendia: vão permitir multiplicar por dez seu alcance na superfície, muito além das profundezas submarinas —garantiu.

O ministro da Defesa José Mucio afirmou que o vigoroso avanço nos projetos que constam do ProSub são —resultado do profissionalismo e seriedade com que a Marinha do Brasil, as empresas e as universidades se posicionaram desde o início da jornada. O ministro disse ainda que o lançamento ao mar do Submarino “Tonelero” é uma entrega do Estado à sociedade brasileira, afirmando que este segmento da indústria nacional é responsável por aproximadamente 2,9 milhões de postos de trabalhos formais, além de responder por 4,78% do nosso Produto Interno Bruto. —Em 2023, as exportações autorizadas relativas à indústria da Defesa foram 127% maiores do que em 2022, atingindo o segundo melhor desempenho desde o início deste acompanhamento, em 2001. Ficando patente, de forma incontestável, o quão promissor é esse segmento —concluiu.

O comandante da Marinha, almirante Olsen, defendeu maiores investimentos não só na flotilha nacional, mas na indústria de Defesa como um todo, já que, segundo ele, existe uma —ainda acanhada mentalidade por parte da sociedade brasileira, associada à baixa percepção de ameaças, que impõem desafios orçamentários e financeiros à execução do ProSub e ao Programa Nuclear da Marinha, com potencial de danos relevantes à pesquisa científica, à geração de emprego e à renda digna—.

O almirante Olsen acrescentou que a obtenção do Submarino Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear é o maior ativo da defesa nacional. Ele representará um incremento diferenciado à capacidade brasileira de dissuasão, fortalecendo a segurança e a soberania nacionais, permitindo ao Brasil alcançar estatura político-estratégica compatível com sua grandeza.

—O Brasil ratifica compromissos nacionais e internacionais assumidos em relação às atividades nucleares, com estrita observância aos preceitos constitucionais e aos documentos condicionantes de alto nível, a exemplo da Política Nuclear Brasileira e da Estratégia Nacional de Defesa. Há 30 anos, a estrutura do Programa Nuclear da Marinha tem sido rotineiramente submetida a inspeções de contabilidade e controle pela Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares e pela Agência Internacional de Energia Atômica, com histórico de 438 inspeções anunciadas e 144 não anunciadas. Todas, com exitosos resultados, ratificam o emprego dos materiais nucleares com segurança em atividades pacíficas —assegurou.

O presidente da Itaguaí Construções Navais (ICN), Renaud Poyet, lembrou que, em 14 anos de existência, a empresa investiu na capacitação técnica de seus integrantes, preparando e operando uma infraestrutura industrial de ponta, que permitiu avançar de maneira eficaz e segura para a construção dos submarinos. —Essa trajetória produziu muito mais do que modernos submarinos. Refiro-me à geração de milhares de empregos diretos e indiretos, capacitação profissional e desenvolvimento da economia de uma vasta região do Rio de Janeiro —pontuou.

O diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, almirante de esquadra Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, explica que o Prosub está inserido no contexto do Programa Nuclear Brasileiro. É um dos principais Programas Estratégicos de Defesa do Brasil. —Ao longo desses 15 anos de parceria, o Programa tem superado desafios. Além da Defesa Nacional, o Programa possui a capacidade de propiciar conhecimentos e benefícios em diversas áreas de interesse da sociedade brasileira— explica.

Tradição Naval — Cumprindo a tradição naval de batismo, a fim de auspiciar a proteção do Navio e dos seus tripulantes, a primeira-dama brasileira, Janja Lula da Silva, convidada para ser madrinha da embarcação, batizou o Submarino “Tonelero”.

Submarinos — Os submarinos equipados com modernos sensores, mísseis, torpedos e minas, como é o caso dos novos submarinos brasileiros construídos no âmbito do Prosub, possuem alta capacidade dissuasória por serem armas letais de difícil localização, quando submersos. A possibilidade da presença de submarinos em uma área marítima assegura a Negação do Uso do Mar e obriga uma força naval oponente a mobilizar considerável número de meios e esforços para a localização e o combate a essas embarcações furtivas.

O projeto do “Tonelero” incorpora a modernidade das embarcações de projeto francês da Classe Scorpène, com adaptações e incrementos para atender às necessidades específicas das operações da MB. Maior que o modelo Scorpène original, o “Tonelero” tem mais de 71 metros de comprimento e possui deslocamento submerso de 1.870 toneladas. Após ser colocado na água, o “Tonelero” passará por uma série de testes de mar para avaliar o desempenho de plataforma e do sistema de combate. Na sequência, será incorporado à Armada e definitivamente à Força de Submarinos, reforçando a capacidade da Marinha do Brasil de se contrapor a ameaças que se configurem em áreas marítimas de interesse estratégico.

ProSub — Com o fim de proteger a Amazônia Azul e garantir a soberania brasileira no mar, a Marinha do Brasil tem procurado investir na expansão da Força Naval e no desenvolvimento da indústria de Defesa. A Estratégia Nacional de Defesa, lançada em 2008, estabeleceu que o Brasil dispusesse de uma “força naval de envergadura”, o que motivou a concepção do ProSub com a construção de quatro submarinos com propulsão diesel-elétrica em território nacional. Além da modernização da Força de Submarinos da MB, o Programa propiciará a capacitação do País para a construção do seu primeiro Submarino Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear.

Desde então, além do “Tonelero”, já foram prontificados os submarinos “Riachuelo” (S40) e “Humaitá” (S41). Ainda estão previstas a entrega de mais um submarino convencional, o “Angostura” (S43); e a construção do Submarino Brasileiro Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear, o  “Álvaro Alberto”, objeto precípuo do Prosub, o que representará um incremento sem precedentes no Poder Naval brasileiro e, em decorrência,  na Defesa Nacional.

Parceria estratégica entre Brasil e França — O Acordo de Transferência de Tecnologia firmado entre a França e o Brasil permite que o País alcance o nível tecnológico necessário para dominar a construção de submarinos convencionais, com a consequente contribuição para o desenvolvimento de um submarino com propulsão nuclear.

Esse processo envolve a transmissão de conhecimentos e informações técnicas em diversas áreas, exceto na área nuclear. A capacitação e qualificação de engenheiros e técnicos brasileiros acontece no Brasil e na França, por meio da realização de serviços reais (On the Job Training) e a assistência técnica do Naval Group (grupo industrial francês especializado em projeto, desenvolvimento e construção de meios navais) até o término do Programa.

A transferência de tecnologia para construção dos submarinos convencionais-S-BR ocorre desde 2010, na cidade de Cherbourg, na França, onde mais de 250 engenheiros e técnicos da Marinha e funcionários da Nuclebrás Equipamentos Pesados e da Itaguaí Construções Navais já foram qualificados.

Submarino Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear — No âmbito do Prosub, o desenvolvimento tecnológico e a construção do primeiro Submarino Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear (SCPN), objeto principal de todo o Programa, representa diferentes desafios para o Brasil. Trata-se de um meio naval que demanda alta tecnologia e congrega a complexidade inerente ao projeto de um submarino assim como os desafios de desenvolver a tecnologia nuclear para o projeto e a fabricação do seu reator e de toda Planta Nuclear Embarcada (PNE).

Em Iperó (SP), a Marinha do Brasil constrói o laboratório de geração de energia nucleoelétrica, com o objetivo principal de validar, de forma segura, a operação do reator de propulsão naval e dos diversos sistemas eletromecânicos e de controle a ele integrados.

Esse laboratório é um projeto de desenvolvimento único e inédito no País, que envolve desafios, pesquisas e inovação realizados por brasileiros. Ao final dos testes, um reator similar ao certificado será montado e instalado no Submarino “Álvaro Alberto”, desta vez no ‘Complexo Naval de Itagua’í. Nesse complexo também serão construídas as instalações e os diques secos específicos para o processo construtivo e a manutenção dos submarinos com propulsão nuclear. Todo esse desenvolvimento nacional possui a capacidade de proporcionar arrastos tecnológicos e benefícios em diversas áreas de interesse da sociedade brasileira.

No contexto do Ciclo do Combustível Nuclear, o domínio do enriquecimento de urânio, conquistado em 1988, com tecnologia 100% brasileira e que vem sendo aprimorada ao longo dos anos, contribui com a produção de equipamentos para a empresa Indústrias Nucleares do Brasil.

A participação das universidades, dos institutos de pesquisas e da indústria nacional na execução das atividades do ProSub assegura a disseminação no Brasil de conhecimentos essenciais ao setor nuclear. Sob o ponto de vista social, contribui para a promoção de benefícios na área de saúde, agricultura e segurança alimentar, com destaque também na capacitação de técnicos e engenheiros em área sensível do conhecimento, como a nuclear.

Benefícios para os brasileiros — O ProSub tem acumulado diversos benefícios para o País desde a sua criação, tais como: geração de emprego e renda; formação de mão de obra especializada; arrasto tecnológico; nacionalização e transferência de tecnologia; e o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa.

Ao priorizar a aquisição de produtos e sistemas nacionais em toda a cadeia de produção, o ProSub fomenta o desenvolvimento de indústrias brasileiras na área de defesa, englobando setores como eletrônica, mecânica (fina e pesada), eletromecânica e química, além da área naval. Desta forma, colabora para o crescimento econômico do País, bem como para a geração de 22 mil empregos diretos e quase 40 mil indiretos.

O ProSub também contempla a construção do Complexo Naval de Itaguaí que reúne infraestrutura industrial e de apoio à operação e manutenção de submarinos, que abrange estaleiros, base naval e a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas, além de laboratórios de ensaios e testes para diversas aplicações.

Em função da transferência de tecnologia proporcionada pelo ProSub, o Brasil estará no seleto grupo de países que detêm a capacidade de projetar, construir, operar e manter seus próprios submarinos convencionais e com propulsão nuclear. O arrasto tecnológico, proporcionado pelo desenvolvimento e aprimoramento das tecnologias embarcadas no submarino, estimulará não só a área de Defesa, mas também setores nacionais civis nos campos de Ciência, Tecnologia e Inovação. Em perspectiva de longo prazo, o Brasil poderá mitigar sua dependência da contribuição externa para seus projetos de submarinos, podendo, inclusive, gerar oportunidades para exportação dessas tecnologias. | Portal e TV Fator Brasil com informações da Agª Marinha.