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21/03/2024

Investimentos em inovação e P&D devem gerar resultados para a sociedade, defende Ricardo Cappelli

Pesquisa de Inovação Semestral foi apresentada no dia 20 de março (quarta-feira), pelo IBGE e pela ABDI, em parceria com a UFRJ.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) apresentaram no dia 20 de março (quarta-feira), os resultados da Pesquisa de Inovação Semestral 2022: Indicadores Básicos (Pintec Semestral), realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entre os principais dados está o investimento de R$36,9 bilhões em atividades internas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) por empresas industriais inovadoras com 100 ou mais pessoas ocupadas.

Para o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, é preciso que esses investimentos gerem um resultado concreto para a sociedade. —Quando cruzamos os dados de investimento em P&D com a atividade econômica e o resultado na prática, conseguimos fazer um debate mais concreto com a sociedade sobre o que representa esse investimento, o que ele gera para o povo brasileiro— pontua, ressaltando que, no crescimento de 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado, a indústria ainda manteve grande concentração em setores tradicionais, e não de transformação.

—Acho que esse é um debate de como a gente pode casar mais o investimento em inovação e P&D com as universidades e com investimento nas empresas e sobre como vamos levar a cabo o sonho do desenvolvimento industrial brasileiro— disse Cappelli.

Segundo o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, o diálogo com a ABDI e com universidades é fundamental para que o instituto avance nas pesquisas experimentais e ajude gestores a terem um termômetro de como a política pública de fato chega à realidade e aos diferentes atores.

—O IBGE se caracteriza por ser uma espécie de cartão-postal para o país, retratando uma realidade, mas também pode ser uma bússola para que o governo, a iniciativa privada e a sociedade possam monitorar em que medida aquilo que é feito está mudando ou consolidando a realidade —afirmou.

A Pintec Semestral 2022 foi apresentada pelo coordenador de Estatísticas Estruturais e Temáticas em Empresas do IBGE, Alessandro Pinheiro. Durante o evento, a ABDI e o IBGE assinaram um Protocolo de Intenções para aproximar as entidades em ações conjuntas voltadas ao fortalecimento do setor industrial brasileiro e para o desenvolvimento sustentável do país.

—Queremos mergulhar mais nos números, nas necessidades e nos gargalos que as empresas estão enfrentando para que a gente possa ajudar mais as empresas brasileiras a serem mais competitivas—comentou a diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Perpétua Almeida.

Destaques — Considerando os temas abordados, a Pintec assume posição transversal às diversas missões definidas na Nova Indústria Brasil (NIB), que prevê o impulso ao desenvolvimento científico e tecnológico e a indução da inovação a partir da coleta e disseminação de informações. Apoia, mais diretamente, a missão 4, denominada “Transformação digital da indústria para ampliar a produtividade”.

De acordo com a pesquisa, um total de 86,3% dos dispêndios em atividades internas de P&D estão concentrados nas empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas. Em 2022, 39,8% das empresas inovadoras pretendiam aumentar os dispêndios em atividades internas de P&D em 2023. Para 2024, 50,8% esperam aumentar esses dispêndios em relação ao ano passado.

Já a taxa de inovação das empresas foi de 68,1% em 2022, sendo que 33% desse total implementaram novos produtos e processos de negócios simultaneamente. A taxa de inovação é maior nas empresas de grande porte, chegando a 77% naquelas com mais de 500 pessoas ocupadas.

O setor de fabricação de máquinas e equipamentos lidera, com taxa de inovação de 89,3%, seguido por equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (87,5%) e por produtos químicos (84,7%), que em 2021 ocupava a primeira posição.

Outro dado diz respeito à sustentabilidade. Em 2022, 15,8% das empresas publicaram relatório de sustentabilidade, índice que chega a 36,5% entre as empresas com mais de 500 pessoas ocupadas. Das empresas que publicaram os relatórios, 86,5% foram inovadoras em 2022.

Encomendas Tecnológicas — Segundo Cappelli, a Agência quer ampliar o trabalho de apoio técnico às encomendas tecnológicas para que as compras públicas possam fomentar a inovação. —A ABDI entra com uma equipe técnica extremamente qualificada dando apoio às empresas para que elas possam investir em inovação. Já fazemos isso com a Petrobras, em breve teremos um novo contrato com os Correios e estamos conversando com outras empresas do setor público —adiantou.

—A ABDI pode ser essencial nesse momento de pegar os dados da pesquisa e mostrar para o gestor público que ele pode, sim, fazer inovação. Também fizemos um acordo com o TCU e estamos trabalhando juntos para que o gestor se sinta seguro— comentou o diretor de Desenvolvimento Produtivo e Tecnológico, Carlos Geraldo.

Também estiveram presentes no evento o diretor do Instituto de Economia da UFRJ, Carlos Frederico Leão Rocha, o secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luis Fernandes, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira Lima, a presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon) do DF, Luciana Acioly, representantes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) e membros do Conselho Deliberativo da ABDI.

ABDI —A ABDI formula e executa ações que contribuem para o desenvolvimento do setor produtivo nacional. Sua missão é promover a transformação digital dos negócios, por meio do estímulo à adoção e à difusão de tecnologias, a novos modelos de negócios e à política de neoindustrialização, com atenção especial à economia sustentável e à indústria verde.

A Agência atua na interface entre governo e empresas para qualificar políticas públicas e ações estratégicas voltadas ao aumento da competitividade e da produtividade da economia brasileira frente aos desafios da era digital.