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21/12/2023

Energia solar é aposta do agronegócio para garantir produtividade e economia

O agronegócio tem sido um forte impulsionador da energia solar no Brasil, visto que encontrou nesta fonte a solução para superar os desafios no suprimento de energia. Para se ter uma ideia, a geração própria desse setor registrou expansão de 34,8% em potência instalada entre janeiro e junho deste ano, alcançando 3,1 gigawatts (GW), conforme dados divulgados Fintech Meu Financiamento Solar com base nas informações da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com essa expansão, o agronegócio passou a representar 14% de toda a capacidade nacional de geração distribuída fotovoltaica. O levantamento também mostrou que os investimentos em sistemas distribuídos de geração solar pelo setor aumentaram 27% no ano até junho e atingiram 15,5 bilhões de reais no acumulado desde 2012.

A busca pela fonte solar por produtores rurais se deve à economia, segurança, autonomia e sustentabilidade. Independente da atividade, a energia é crucial para os negócios do campo, principalmente pela automação e digitalização do setor. A falta dela pode significar a perda de uma produção inteira. Além disso, os gastos com eletricidade podem pressionar os custos da produção, reduzindo as margens de lucro.

A energia solar traz inúmeros benefícios, seja para grandes produtores ou para agricultura familiar. Diminuir os custos de produção é uma busca constante no campo, sendo a geração fotovoltaica uma das soluções. Manter todos os equipamentos de uma fazenda funcionando faz com que a conta de eletricidade no modelo tradicional seja elevada.

Devido à grande extensão territorial do Brasil, algumas propriedades rurais que ainda não dispõem de energia elétrica, ou mesmo que sofrem com constantes interrupções no fornecimento. Na produção animal, por exemplo, uma queda na rede pode desligar os ventiladores e climatizadores de uma granja de aves, resultando em prejuízo para os produtores. Já na agricultura, uma falha no sistema de irrigação pode comprometer a colheita.

Por isso, optar pela geração fotovoltaica traz mais segurança energética para os produtores, garantindo o fornecimento em toda a fazenda. Além disso, uma fonte de energia segura permite que os produtores possam investir em novas tecnologias que aumentam a eficiência e produtividade, como sistemas automatizados que controlam toda a propriedade.

Buscar soluções sustentáveis é outra pauta importante do setor agropecuário. Produtos produzidos com sustentabilidade são cada vez mais valorizados por investidores e consumidores. A energia solar é uma fonte limpa e não emite gases do efeito estufa, contribuindo com a descarbonização, o que faz dela um diferencial para os produtores em busca de destaque no mercado.

O agronegócio é um setor muito importante para a economia brasileira. O PIB do segmento deve crescer 35,9 milhões em 2023, alcançando R$ 2,65 trilhões. Isso levou o governo federal a criar o projeto Pró-Sol, que prevê o incentivo ao uso de matrizes energéticas renováveis, e assegura aos produtores que aderem a sistemas de energia solar a isenção do pagamento obrigatório da taxa à concessionária. A medida torna ainda mais vantajosa a fonte fotovoltaica.

Geração Compartilhada — Na geração compartilhada, os consumidores recebem créditos de uma central geradora de micro ou minigeração distribuída que está em local diferente do de consumo. No ano passado, a Lei 14.300/22 trouxe novos modelos, dando ainda mais opções, como o consórcio de consumidores, que autoriza a união de pessoas físicas e jurídicas a um Contrato Social em que os participantes compartilham da energia gerada. Isso permite que produtores de uma região unam forças para usufruir da geração fotovoltaica e de todos os benefícios.

Os números mostram que o agronegócio brasileiro encontrou na energia solar a solução para vencer desafios e melhorar sua eficiência e competitividade. Por isso, esse crescimento na adoção por soluções fotovoltaicas deve se manter nos próximos anos, proporcionando uma produção mais econômica e sustentável.

. Por: Rodrigo Marcolino, sócio-diretor da Axis Renováveis.