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05/08/2023

Be8 anuncia investimento de R$ 300 milhões em linha de produção de glúten vital

Linha será integrada à produção de etanol, aproveitando a proteína dos cereais utilizados como matéria-prima do biocombustível. O glúten produzido substituirá integralmente o produto importado pelo país, além de ter excedente para atender o Mercosul.

Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, anunciou no dia 04 de agosto (sexta-feira ), durante visita à fábrica de Passo Fundo (RS) do vice-presidente da República, e ministro do Desenvolvimento da Indústria Comércio e Serviços (MDIC) Geraldo Alckmin, mais uma novidade que será integrada ao investimento da planta de etanol: a produção de glúten vital, um concentrado proteico em pó obtido a partir da farinha de cereais. A nova linha representa um acréscimo de cerca de R$ 300 milhões ao investimento anunciado para a usina.

—Atualmente todo o glúten consumido no Brasil é importado. Como este projeto inovador, a Be8 suprirá integralmente o mercado brasileiro, com capacidade para atender ao Mercosul também —explica Battistella. —Vamos assegurar assim o fornecimento com estabilidade, favorecendo melhores preços e parcerias com produtores de trigo da região —completa. A unidade terá a capacidade para produzir 35 mil toneladas/ano de glúten vital, substituindo todo o produto importado, que totalizou 25 mil toneladas no ano de 2022.

O glúten é uma proteína extraída de cereais, tais como trigo, centeio, cevada e triticale. As características do glúten vital extraído e do glúten naturalmente presente na farinha não são as mesmas. A diferença principal está na capacidade de absorção de água. O glúten de trigo vital é normalmente utilizado como aditivo na panificação. Para isso, é necessário extraí-lo da farinha e transformá-lo em um pó a partir de um processo com múltiplas etapas.

As aplicações do glúten vital são inúmeras na panificação, mas a principal delas é a fortificação de farinhas “standard”, já que é geralmente necessário o uso de farinhas fortes para a produção de pães. O glúten retém os gases produzidos durante a fermentação, favorecendo o crescimento e volume.

A integração da linha de produção ao processo do etanol permite aproveitar a mesma matéria-prima, extraindo a proteína do cereal para produzir o glúten e o amido para o biocombustível. O projeto terá um importante impacto no Rio Grande do Sul porque destinará o trigo produzido no estado para o mercado interno, reduzindo a necessidade de importação do produto para panificação. A previsão é que sua produção possa começar junto com a de etanol, em 2025.