Lançamento do estudo “Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2026”, publicação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, destaca que o estado fluminense terá investimentos no segmento na ordem de R$ 25 bilhões até 2030.
Representantes das indústrias petroquímica e de fertilizantes, de instituições de fomento e pesquisa, universidade e autoridades participaram do lançamento da 5ª edição da publicação “Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro”, produzida pela Firjan SENAI SESI. No encontro, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) no dia 04 de novembro (quarta-feira), os especialistas apontaram dados, análises e perspectivas que comprovam que o estado do Rio pode protagonizar um novo ciclo de industrialização por meio de produtos químicos de alto valor agregado e de fertilizantes.
Os participantes foram unânimes em defender a integração entre os diversos atores do mercado produtivo e de instituições públicas para que o Rio exerça papel estratégico no abastecimento e na competitividade da indústria nacional. A expectativa é que o estado receba investimentos na ordem de R$ 25 bilhões até 2030.
Presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano destacou que a entrada em operação do Rota 3, gasoduto da Petrobras construído para transporte de gás natural da Bacia de Santos, e do Complexo de Energias Boaventura, polo industrial da companhia em Itaboraí, são marcos fundamentais. Eles são essenciais para impulsionar o crescimento da indústria fluminense. “Em conjunto com a Refinaria de Duque de Caxias, o polo petroquímico e a rede de fornecedores, essa estrutura abre espaço para um novo ciclo de industrialização”, observou.
Ele também ressaltou o trabalho da federação para o desenvolvimento do estado. “Seguiremos apoiando a inovação, a qualificação de profissionais, a segurança e a produtividade. A indústria química e petroquímica avançada foi uma das nove novas fronteiras que identificamos em nosso estudo “Rio de Futuro: Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro”, disse.
Para o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj), Isaac Plachta, o estado do Rio reúne condições para um desenvolvimento econômico muito maior do que o registrado atualmente, por contar com recursos naturais, como petróleo e gás natural; e infraestrutura, com capacidade de refino, portos, indústrias e universidades.
—Precisamos transformar essas vantagens em desenvolvimento industrial; não podemos nos contentar em ser apenas grandes produtores de petróleo e gás, é imprescindível agregar valor e criar condições para transformar essas riquezas em produtos químicos, petroquímicos e fertilizantes, de forma competitiva — ressaltou.
O subsecretário de Estado de Inovação do Rio de Janeiro, Maurício Guedes, elogiou a iniciativa da Firjan, sobretudo em função da dependência externa. —O Brasil importa 90% dos fertilizantes que consome, mas temos condições extraordinárias para desenvolver essa indústria aqui no estado, embora o preço do gás natural ainda seja pouco competitivo no país —avaliou.
Maurício Guedes lembrou, ainda, que a indústria de fertilizantes passa por uma transformação global com o surgimento de grandes inovações, e falou sobre o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Cefenp), que terá sede e o hub de escalonamento de tecnologias no Rio, dentro do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O gerente de Projetos de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESI, Thiago Valejo, destacou que o estudo traz também um mapa destacando o potencial do estado com ativos e projetos, além de um painel dinâmico com números em destaque no olhar de mercado, como preços, empregos e dados da balança comercial. Valejo ressalta a característica do estado tanto pelas riquezas naturais quanto por sua localização estratégica.
—O Rio de Janeiro é um hub logístico, reunindo condições para agregar valor ao petróleo e ao gás natural produzidos no estado, abastecer o mercado nacional e viabilizar exportações —complementou.

Debates apontam caminhos da indústria — O evento contou com dois painéis para debater os melhores caminhos para o impulsionamento da indústria fluminense, a partir dos dados do estudo. Para abordar o tema Petroquímica no Rio de Janeiro 2026, participaram do debate o vice-presidente global de Operações da Braskem, Raphael Franco de Campos; o diretor-executivo da Associação das Empresas de Campos Elíseos (Assecampe), Jorge Rezende Soares; o engenheiro de processos sênior da Nitriflex, Luis Carlos de Sousa; e a sócia da Veirano Advogados, Beatriz Paulo de Frontin. O membro do Conselho Empresarial Firjan Caxias e Região, Maurício Moreira, mediou o debate.
—O Rio tem gás, infraestrutura e conhecimento, mas como transformar tudo isso em competitividade de verdade?— questionou o conselheiro da Firjan. O vice-presidente global de operações da Braskem defendeu a integração do refino com a petroquímica, movimento que vem acontecendo em todo o mundo.
Já a sócia da Veirano Advogados reforçou o discurso da segurança jurídica e previsibilidade regulatória. Enquanto o diretor-executivo da Assecampe alertou que a melhoria da infraestrutura é urgente. E o representante da Nitriflex acredita que é fundamental que o país possua uma política industrial.
Do segundo painel, Fertilizantes no Rio de Janeiro 2026, participaram o superintendente da Finep, Rodrigo Secioso; o diretor do Instituto de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Everaldo Zonta; e o diretor-técnico da Mottainai Brasil, Luiz Orlando da Conceição Junior. O moderador foi o superintendente de Novas Economias da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedes-RJ), Pedro Igor Veillard Farias.
—Essa transformação [da indústria de fertilizantes] depende de diversos atores e, por isso, considero especialmente interessante a composição deste painel de hoje —afirmou superintendente de Novas Economias da Sedes-RJ, ao destacar a conexão entre academia, indústria e fomento.
O diretor do Instituto de Agronomia da UFRRJ, Everaldo Zonta, destacou que o Rio tem a vantagem competitiva de reunir diversos institutos de pesquisa. Já Rodrigo Secioso pontuou que investir em inovação é indispensável. Para o diretor técnico da Mottainai Brasil, a política para expansão da indústria nacional de fertilizantes é uma necessidade do país.