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07/11/2026

O carvão não morreu: a COP perdeu o contato com a realidade energética?

Canberra, Austrália — Às vésperas da COP31, que ocorrerá entre 09 e 20 de novembro de 2026 no Centro de Exposições de Antália (Antalya Expo Center), em Antália, na Turquia, a FutureCoal desafiou os negociadores climáticos a irem além de declarações políticas e a enfrentarem as realidades da segurança energética, da acessibilidade econômica e do desenvolvimento industrial.

A diretora executiva da FutureCoal, Michelle Manook, alertou que a cúpula corre o risco de repetir as falhas de negociações anteriores.

—Há cinco anos, após a COP26 em Glasgow, alertei que as negociações climáticas estavam se tornando um exercício de retórica, em vez de produzirem resultados concretos. Cada cúpula realizada desde então reforçou essa preocupação—.

Manook afirmou que a retomada do foco na segurança energética é bem-vinda, embora tenha chegado com muito atraso.

—A segurança energética jamais deveria ter sido deixada de lado. O carvão continua sendo fundamental para a geração de eletricidade e o desenvolvimento industrial em grande parte do mundo. A questão não deveria ser com que rapidez podemos eliminá-lo, mas sim como podemos aprimorar a forma como ele é extraído, processado e utilizado—continua.

A FutureCoal defende um acesso mais amplo a financiamento e a aprovações regulatórias para tecnologias capazes de proporcionar reduções mensuráveis de emissões — incluindo captura e armazenamento de carbono, geração de maior eficiência e mitigação de metano. A organização apoia o uso de fontes renováveis ​ em conjunto com o carvão, como parte de sistemas energéticos diversificados, nos quais as decisões de investimento sejam orientadas pelo desempenho ambiental, e não apenas pelo tipo de combustível.

Grandes economias industriais já estão demonstrando o valor estratégico das tecnologias baseadas em carvão para além da geração de eletricidade.

A China, por exemplo, está convertendo carvão nacional em produtos químicos, fertilizantes e combustíveis sintéticos, visando reduzir sua exposição à volatilidade dos mercados internacionais. A Índia tem avançado na gaseificação do carvão para fortalecer sua produção industrial interna, enquanto a África do Sul utiliza combustíveis e produtos químicos derivados do carvão há décadas.

Esses avanços refletem a estratégia de “Gestão Sustentável do Carvão” —Sustainable Coal Stewardship (SCS)— da FutureCoal, que promove maior eficiência, gestão de emissões e aplicações de maior valor agregado ao longo de toda a cadeia produtiva do carvão.

Segundo Manook, os princípios norteadores da COP31 — “Diálogo, Consenso e Ação” — deveriam incentivar uma colaboração mais estreita com o setor industrial, engenheiros e desenvolvedores de tecnologia, especialmente no apoio a economias em desenvolvimento, onde o acesso a uma energia confiável e com custo acessível permanece essencial. — Desde o Acordo de Paris, em 2015, a FutureCoal tem defendido, de forma consistente, o reconhecimento de todos os combustíveis e de todas as tecnologias. Os países devem ter a liberdade de buscar soluções adequadas às suas circunstâncias nacionais—segue a executiva.

—Se a COP31 pretende, de fato, transformar o diálogo em ação, ela precisa incluir o setor industrial na conversa e reconhecer as tecnologias que já estão sendo desenvolvidas e implementadas. Uma abordagem mais inclusiva oferece uma base mais sólida para uma ação climática significativa—complementa.

FutureCoal: a FutureCoal Limited — Aliança Global para o Carvão Sustentável (Global Alliance for Sustainable Coal) — é a única organização representativa multilateral e neutra do setor de carvão no mundo. Anteriormente denominada World Coal Association, a FutureCoal representa um grupo de participantes da cadeia de valor do carvão que compartilham a mesma visão: promover a educação responsável e a transformação em toda a cadeia, por meio da modernização e da implementação de tecnologias e processos de mitigação.

O cerne de seu trabalho é a “Gestão Sustentável do Carvão” (Sustainable Coal Stewardship – SCS), uma estrutura prática que descreve tecnologias existentes e comprovadas em toda a cadeia global de valor do carvão, capazes de reduzir as emissões em até 99%, ao mesmo tempo em que extraem mais valor por tonelada, gerando benefícios ambientais e econômicos significativos. | www.futurecoal.org