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06/11/2026

Orientações para aproveitar a Black Friday 2026 com ‘Educação Financeira e Segurança’, diz especialista

A Black Friday se consolidou como uma das principais datas promocionais do comércio, antecipando também parte das compras de Natal. Em 2026, a data oficial será 27 de novembro (sexta-feira), mas muitas lojas devem distribuir suas ofertas ao longo do mês.

A variedade de produtos, a facilidade das compras digitais e a pressão de anúncios com descontos por tempo limitado podem dificultar a avaliação do que realmente vale a pena. Além disso, páginas falsas, anúncios fraudulentos e ofertas com preços artificialmente reduzidos exigem atenção redobrada.

Para Reinaldo Domingos, o Dr. Dívidas e Presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), o consumidor precisa olhar além do desconto anunciado e avaliar o impacto de cada compra sobre sua vida financeira. — A Black Friday não pode ser uma oportunidade para comprar tudo o que aparece pela frente. O consumidor precisa saber o que deseja, quanto pode gastar e se aquela compra faz sentido para sua realidade financeira. Um desconto não representa economia quando leva a uma dívida que não estava prevista ou compromete o dinheiro destinado a outras prioridades — alerta Domingos.

O especialista ressalta que a educação financeira não significa deixar de consumir, mas aprender a fazer escolhas conscientes, respeitando as necessidades, os desejos e os compromissos financeiros de cada família.

Orientações que Domingos preparou sobre o tema: 1. Planejamento financeiro: dez cuidados antes de comprar — Faça um diagnóstico financeiro. Antes de acompanhar as promoções, levante sua renda, suas despesas, as parcelas já contratadas e os compromissos dos próximos meses. Só assim será possível identificar quanto pode ser destinado às compras.

Identifique sua situação financeira. Quem está com as contas equilibradas deve comprar dentro do orçamento. Quem está endividado precisa avaliar se uma nova compra agravará a situação. Para quem está inadimplente, a prioridade deve ser reorganizar as finanças, em vez de assumir novos compromissos por causa das ofertas.

Diferencie necessidades e desejos. Faça uma lista dos produtos que realmente precisa e daqueles que gostaria de adquirir. Essa separação ajuda a evitar que a publicidade transforme uma vontade momentânea em uma despesa desnecessária.

Estabeleça um limite de gastos. Defina previamente quanto poderá gastar durante a Black Friday e respeite esse valor. O limite deve considerar as contas do mês, as despesas previstas para dezembro e os compromissos que vencem nos meses seguintes.

Preserve sua reserva estratégica. Não utilize o dinheiro guardado para proteger seus planos e lidar com necessidades futuras em compras motivadas pelo impulso. Uma oferta só deve ser considerada se não comprometer recursos destinados a prioridades financeiras.

Não crie despesas para aproveitar descontos. Cortar gastos desnecessários pode ajudar a organizar o orçamento, mas não faz sentido sacrificar despesas essenciais ou assumir novos compromissos apenas para liberar dinheiro para a Black Friday.

Pesquise os preços antecipadamente. Comece a acompanhar os produtos desejados antes do período promocional. Registre os valores e compare o histórico de preços para identificar se o desconto anunciado é efetivo.

Considere todas as despesas da compra. Inclua frete, instalação, acessórios, manutenção e outros custos necessários para utilizar o produto. O preço anunciado nem sempre corresponde ao custo total.

Planeje também as compras de Natal. Como a Black Friday antecede as festas de fim de ano, considere os gastos com presentes, viagens, alimentação e confraternizações. Uma compra aparentemente vantajosa pode comprometer despesas que ainda estão por vir.

Respeite o tempo de decisão. Desconfie da pressão para comprar imediatamente. Se o produto não estava nos seus planos, faça uma pausa, avalie a necessidade e confira se a condição anunciada realmente compensa.

2. Como economizar de verdade: 10 cuidados durante as compras — Compare preços em diferentes lojas. Consulte mais de um vendedor e compare o preço final, incluindo frete e prazo de entrega. Uma promoção anunciada como exclusiva pode não ser a alternativa mais econômica.

Verifique as condições de pagamento. Compare o preço à vista com o total parcelado. Confira juros, encargos e eventuais diferenças entre os valores anunciados para cada modalidade.

Avalie o impacto das parcelas no orçamento. Uma prestação aparentemente pequena pode se somar a várias outras. Antes de parcelar, considere quanto da renda futura já está comprometido.

Não confunda limite do cartão com dinheiro disponível. O limite concedido pela instituição financeira não representa capacidade de pagamento. A referência deve ser o orçamento, e não o crédito liberado.

Cuidado com o parcelamento sem juros. Mesmo quando não há juros declarados, verifique se o preço total é competitivo e se as parcelas cabem no planejamento dos próximos meses.

Use cupons e cashback com critério. Confira as regras, os prazos, as restrições e o valor mínimo exigido. Não compre algo desnecessário apenas para receber parte do dinheiro de volta ou obter um cupom.

Avalie as ofertas nas redes sociais e transmissões ao vivo. Lives, influenciadores e anúncios podem apresentar oportunidades legítimas, mas a divulgação não garante que o preço seja vantajoso ou que o vendedor seja confiável. Confira as condições diretamente nos canais oficiais da loja.

Considere a qualidade e a vida útil do produto. Um item mais barato pode não representar economia se tiver durabilidade inferior, pouca assistência técnica ou custos elevados de manutenção. Compare produtos equivalentes.

Converse com a família antes de assumir gastos relevantes. Quando a compra afeta o orçamento doméstico, alinhe prioridades e limites com as pessoas envolvidas. Isso ajuda a evitar despesas duplicadas e decisões que prejudiquem planos comuns.

Não compre apenas porque está barato. Pergunte a si mesmo se compraria o produto caso ele não estivesse em promoção. Se a resposta for negativa, talvez o desconto esteja funcionando como estímulo ao consumo, e não como uma oportunidade real.

3. Como evitar golpes na Black Friday: oito cuidados com a segurança digital — Proteja seus dados pessoais. Evite fornecer CPF, endereço, telefone, dados bancários ou informações do cartão em páginas cuja autenticidade não tenha sido confirmada. Compartilhe apenas os dados necessários para a compra.

Confira o endereço eletrônico da loja. Não confie apenas na aparência do site ou no cadeado exibido no navegador. Verifique o domínio, procure erros no endereço e acesse a loja digitando o endereço conhecido ou utilizando seus canais oficiais. O HTTPS protege a conexão, mas não comprova que o vendedor seja legítimo.

Desconfie de links recebidos por mensagens. Ofertas encaminhadas por WhatsApp, SMS, e-mail ou redes sociais podem levar a páginas falsas. Em vez de clicar diretamente, procure a promoção no aplicativo ou no site oficial da empresa.

Pesquise a reputação do vendedor. Consulte avaliações de consumidores, registros de reclamações e informações disponíveis em órgãos de defesa do consumidor. Em marketplaces, verifique também quem efetivamente vende e entrega o produto.

Desconfie de descontos muito fora da realidade. Preços excessivamente baixos, contagens regressivas insistentes e mensagens que exigem pagamento imediato podem ser sinais de fraude. Compare o valor com o praticado por outros vendedores antes de decidir.

Confira os dados antes de pagar. Em pagamentos por Pix ou boleto, confirme o nome e os dados do beneficiário, o valor e a correspondência com a loja. Desconfie quando o recebedor for diferente do esperado e não conclua a operação sem esclarecer a divergência. Prefira meios de pagamento que ofereçam mecanismos de contestação e proteção.

Proteja senhas e dispositivos. Use senhas fortes e diferentes para suas contas, ative a autenticação em dois fatores quando disponível e mantenha o sistema operacional, o navegador e os aplicativos atualizados. Não instale programas enviados por desconhecidos para liberar descontos ou supostamente validar pagamentos.

Guarde os comprovantes e saiba como agir em caso de fraude. Salve anúncios, pedidos, notas fiscais, comprovantes e conversas com o vendedor. Se identificar uma transação suspeita, contate imediatamente o banco ou a instituição de pagamento pelos canais oficiais. Em caso de Pix, solicite a avaliação da operação pelos mecanismos de devolução aplicáveis. Registre também a ocorrência e procure os órgãos competentes.

4. Conheça seus direitos: quatro cuidados depois da compra — Guarde a oferta e confira o que foi anunciado. Registre o preço, as condições de pagamento, o prazo de entrega e as características do produto. Se a oferta não for cumprida, esses documentos podem ajudar a demonstrar o que foi prometido.

Saiba quais são os prazos para reclamar de defeitos. Pelo Código de Defesa do Consumidor, o prazo para reclamar de vícios aparentes ou de fácil constatação é de 30 dias para produtos e serviços não duráveis e de 90 dias para os duráveis. No caso de vício oculto, a contagem começa quando o defeito fica evidenciado, conforme as regras legais.

Conheça o direito de arrependimento nas compras a distância. Nas contratações realizadas fora do estabelecimento comercial, como pela internet ou por telefone, o consumidor pode exercer o direito de arrependimento em até sete dias, contados da assinatura ou do recebimento do produto ou serviço, conforme o caso. A regra está prevista no artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor. Registre o pedido e guarde o protocolo ou a confirmação.

Procure os canais adequados quando houver problemas. Se a loja não cumprir a oferta, não entregar o produto ou não solucionar uma reclamação, reúna os documentos e procure o atendimento do fornecedor, o Procon ou a plataforma Consumidor.gov.br, quando aplicável. A possibilidade de restituição, indenização ou outra medida depende das circunstâncias e das regras pertinentes a cada caso.

Educação financeira é o que fica depois da promoção — Para Reinaldo Domingos, comprar bem não significa necessariamente aproveitar o maior número de ofertas, mas tomar decisões coerentes com a realidade financeira e com os planos de vida. —A educação financeira começa antes da compra, quando a pessoa entende sua situação, define suas prioridades e decide o que fazer com o dinheiro. O consumidor não precisa abrir mão de todos os desejos, mas deve aprender a fazer escolhas sem comprometer o que é importante para si e para sua família— afirma.

Domingos defende que o planejamento seja parte permanente da relação das pessoas com o dinheiro, e não uma preocupação restrita aos períodos de promoção. A orientação é simples: antes de perguntar quanto o desconto representa, o consumidor deve avaliar se a compra cabe no orçamento e se contribui para aquilo que realmente deseja construir. Dessa forma, a Black Friday pode ser uma oportunidade de consumo planejado, em vez de um ponto de partida para novas dívidas.

Perfil — Reinaldo Domingos, conhecido como Dr. Dívidas e reconhecido como pai da Educação Financeira no país, é presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin) e da Dsop Educação Financeira. Mentor da Metodologia Dsop, atua na disseminação da educação financeira e na transformação da relação das pessoas com o dinheiro.