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06/11/2026

Hydrogt: microturbina inédita para converter hidrogênio verde em eletricidade e calor

Projeto de R$ 22,2 milhões prevê tecnologia nacional desenvolvida por empresas e instituições de três estados, e é apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Além da operação com hidrogênio, a tecnologia poderá utilizar misturas combustíveis e combustíveis alternativos, favorecendo uma transição gradual para fontes de menor emissão de carbono.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento à inovação vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aprovou financiamento para o desenvolvimento de uma microturbina a gás de 350 kWe capaz de operar com hidrogênio verde ou hidrogênio de baixa emissão de carbono. Batizado de Hydrogt, o projeto prevê investimento total de R$ 22,2 milhões, dos quais R$ 13,2 milhões são provenientes da Finep, por meio de recursos de subvenção econômica à inovação.

—A iniciativa busca desenvolver e validar uma solução com tecnologia nacional para converter hidrogênio em eletricidade e calor, ampliando as alternativas para a descarbonização de atividades industriais e a diversificação da matriz energética. Entre as aplicações potenciais estão geração distribuída, cogeração industrial, sistemas isolados, geração de emergência e data centers, que demandam fornecimento confiável de energia —diz Newton Hamatsu, superintendente da Área de Transição Energética e Infraestrutura na Finep.

Parceria e Participações de universidades — O projeto é executado pela Hacker Industrial, de Criciúma (SC), em parceria com a DDB Engenharia, de Curitiba (PR), e conta com a participação da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), ambas de Minas Gerais. A contratação pela Finep ocorreu em 17 de setembro de 2026 (quinta-feira), no âmbito da chamada pública Mais Inovação Brasil — Transição Energética.

O desenvolvimento de turbinas a gás movidas a hidrogênio envolve desafios tecnológicos relacionados à combustão, aos materiais submetidos a altas temperaturas, à aerodinâmica e aos sistemas de controle. O domínio dessas tecnologias é estratégico para ampliar a capacidade nacional de desenvolver equipamentos de geração de energia em um segmento com forte presença de fornecedores internacionais.

O diferencial do Hydrogt está na combinação da experiência industrial da Hacker, fabricante nacional de turbinas hidráulicas, com o conhecimento da DDB Engenharia no desenvolvimento de microturbinas a gás. A DDB já desenvolveu e validou protótipos de menor escala, inclusive com apoio anterior da Finep, por meio do programa Tecnova.

A solução proposta utiliza uma arquitetura de ciclo Brayton modificado, com combustor externo dedicado ao hidrogênio, combustor complementar multicombustível e trocador de calor indireto de alta temperatura. A configuração busca evitar o contato direto dos gases de combustão com os componentes rotativos da turbina, com potencial para aumentar a vida útil do equipamento e ampliar a flexibilidade operacional.

Além da operação com hidrogênio, a tecnologia poderá utilizar misturas combustíveis e combustíveis alternativos, favorecendo uma transição gradual para fontes de menor emissão de carbono. Ao final do projeto, a expectativa é obter um protótipo validado em ambiente operacional, contribuindo para o desenvolvimento de uma alternativa tecnológica brasileira para a geração de energia.

O projeto Hydrogt está alinhado à Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada à bioeconomia, à descarbonização e à transição e segurança energéticas e reforça o papel do financiamento público à inovação no desenvolvimento de tecnologias nacionais estratégicas para a competitividade industrial e a transição energética do país.