No 13º Encontro ATP, ministro de Portos e Aeroportos e especialistas debatem planejamento da infraestrutura, custo de capital e perspectivas para os próximos quatro anos.
Segurança jurídica, previsibilidade regulatória e integração entre portos, rodovias, ferrovias e hidrovias foram apontadas como condições para ampliar os investimentos e a competitividade da logística brasileira durante o XIII Encontro ATP. Promovido pela Associação de Terminais Portuários Privados no dia 27 de outubro (terça-feira), no Clube Naval, em Brasília, o evento reuniu representantes do poder público, empresas e especialistas para discutir o tema “O Brasil dos próximos 4 anos”.
Na abertura, o diretor-presidente da ATP, Murillo Barbosa, defendeu um planejamento integrado, acompanhado de processos públicos eficientes, para permitir que os investimentos privados avancem e gerem benefícios para a economia. —Essas condições dão confiança a quem investe e permitem que os projetos se convertam em capacidade, empregos e desenvolvimento. A ATP trabalha para contribuir com essa agenda, levando a experiência dos associados ao diálogo com o poder público e a sociedade —afirmou.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a relação entre estabilidade institucional e desenvolvimento da infraestrutura. —Não existe infra forte sem instituições fortes. O Brasil que queremos construir precisa de todos —declarou.
Ao abordar o Plano Nacional de Logística (PNL), o ministro ressaltou a necessidade de planejar a infraestrutura como uma rede, considerando a conexão entre os diferentes meios de transporte. —Porto não pode ser pensado sem hidrovia e ferrovia. Precisamos pensar em corredores logísticos e integração entre modais de transporte —disse.
Ajuste fiscal e redução do custo de capital —Na palestra magna “Os caminhos econômicos do Brasil”, Ana Paula Vescovi relacionou as perspectivas de investimento à condução da política fiscal. Ex-secretária do Tesouro Nacional, ex-secretária-executiva do Ministério da Fazenda e ex-economista-chefe do Santander Brasil, ela avaliou que o país enfrenta desaceleração econômica, pressões inflacionárias e uma trajetória preocupante da dívida pública.
Para a economista, um ajuste fiscal crível é necessário para melhorar a confiança dos investidores e reduzir o custo de capital, fator relevante para projetos de infraestrutura, que exigem recursos elevados e planejamento de longo prazo.
Vescovi apresentou quatro prioridades para a agenda econômica até 2030: revisão das despesas obrigatórias; definição de uma carteira prioritária de infraestrutura, com segurança jurídica e regras claras de licenciamento; redução dos custos logísticos; e fortalecimento da avaliação, da continuidade e da governança das políticas de Estado.
Na avaliação da palestrante, melhorar a logística é uma condição para transformar as vantagens naturais do Brasil em maior valor agregado e competitividade.
Cenário político e capacidade de negociação —As perspectivas para o próximo ciclo de governo também foram discutidas no painel “O Brasil dos próximos 4 anos”, com Thomas Traumann, consultor de risco político e analista de política e economia, e Creomar de Souza, consultor de risco político e professor da Fundação Dom Cabral. A mediação foi conduzida por Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN Brasil em Brasília.
Traumann avaliou que o cenário exige mudanças na condução da política econômica, com atenção aos efeitos das medidas sobre a atividade e ao risco de recessão.
Creomar destacou a necessidade de responsabilidade na formulação das medidas e de negociação entre o Executivo e o Congresso Nacional. O analista também apontou a possibilidade de diálogo entre o governo federal e governadores de oposição em torno de temas técnicos, como caminho para construir entendimentos em um ambiente de polarização.
Os debates aproximaram as perspectivas políticas e econômicas das condições necessárias para planejar investimentos e dar continuidade às agendas de infraestrutura.
Compromisso com a proteção de crianças e adolescentes — O encontro também reuniu a ATP e a Childhood Brasil para celebrar o Pacto Empresarial contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A iniciativa reforçou a responsabilidade do setor empresarial na prevenção e no enfrentamento dessa violência e a importância de associar o desenvolvimento econômico à proteção das comunidades e ao respeito aos direitos humanos.
Durante o evento, também foram anunciados os vencedores do Prêmio ATP 2026, que reconheceu projetos nas categorias Sustentabilidade Ambiental Portuária, Inovação Tecnológica Portuária e Impacto Social Portuário.
Porto Itapoá, Edge, Portonave e Ternium conquistaram as primeiras colocações. Ferroport, Dome, Vale e Portocel também foram premiadas. A edição recebeu um recorde de 102 inscrições, de 24 companhias.
O encerramento foi conduzido por Ulisses Oliveira, presidente do Conselho Diretor da ATP, que reforçou a necessidade de transformar o planejamento em entregas para a sociedade. —Para os próximos quatro anos, esperamos planejamento de longo prazo, segurança jurídica e regras claras. Bons projetos não podem ficar indefinidamente no papel. Precisam atrair investimentos, gerar empregos e produzir resultados para o país. A infraestrutura portuária não é uma pauta exclusiva dos portos. Ela faz parte da vida de todos os brasileiros, mesmo que nem sempre isso seja percebido— afirmou.
Após o encerramento, os participantes se reuniram para celebrar os 13 anos de fundação da Associação.
Patrocinadores —O XIII Encontro ATP contou com o patrocínio de Vale; Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL); Imetame Logística Porto; Ternium; Porto Itapoá; Porto Sudeste; APM Terminals; Hidrovias do Brasil; MRN; DEME; Boskalis; UmiSan; Amaggi; DP World; Porto do Açu; e Transpetro.
ATP — A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) representa os interesses e atua em defesa do segmento privado e na modernização dos portos brasileiros, relevantes para a infraestrutura econômica e o desenvolvimento do país. Atualmente, a associação reúne 41 empresas de grande porte e congrega 78 terminais privados do país. Juntas, as empresas movimentam cerca de 60% da carga portuária brasileira e respondem pela geração de 74 mil empregos diretos e indiretos.
A ATP reúne associadas que atuam em áreas como agronegócio, mineração, siderurgia, petróleo e gás, contêineres e complexos logísticos, relevantes para o comércio exterior e a economia brasileira. | www.portosprivados.org.br