yuri-santos

31/10/2026

Sua operação não tem problema de equipamento, tem problema de informação

Vou ser direto: muitas operações logísticas sabem quantas empilhadeiras têm no pátio, mas nem sempre conseguem responder com precisão o que esses equipamentos fizeram no dia anterior. Quantas horas de motor efetivamente funcionaram, quanto tempo ficaram ligados sem movimentar carga, quantos impactos sofreram, quem operava quando eles ocorreram e quanto tempo foi perdido na troca de bateria ou na fila da doca. Essas informações ajudam a entender a produtividade de um centro de distribuição, mas nem sempre estão disponíveis de forma integrada.

Isso não é apenas um detalhe operacional. É uma questão de custo. O estudo anual do ILOS, Custos Logísticos e o Impacto nas Empresas Brasileiras, aponta que os custos logísticos no Brasil chegaram a 15,5% do PIB em 2025, o equivalente a cerca de R$ 1,96 trilhão. Em 2014, essa proporção era de 10,4%. O cenário reflete pressões que vão além do transporte, incluindo despesas com estoques, infraestrutura e armazenagem. Dentro dos armazéns, a falta de visibilidade sobre o uso dos equipamentos pode dificultar a identificação de desperdícios e oportunidades de ganho de eficiência.

Quando falo de inteligência intralogística, não estou falando de dashboard bonito. Estou falando de transformar cada empilhadeira em uma fonte de dados sobre a operação em tempo real. A telemetria embarcada permite acompanhar horas efetivas de uso em comparação com as horas contratadas, utilização por turno, identificação do operador por credencial, registros de impacto com data e hora, consumo de energia e períodos de ociosidade. Com essas informações, a discussão muda de natureza. Deixa de ser “preciso de mais duas empilhadeiras” e passa a ser “tenho duas empilhadeiras ociosas no segundo turno e um gargalo de doca às 14h”.

Outro ganho potencial está na manutenção. Segundo a McKinsey, a manutenção preditiva pode reduzir o tempo de parada das máquinas entre 30% e 50% e aumentar a vida útil dos equipamentos entre 20% e 40%. Os resultados dependem das condições de cada operação, mas ajudam a dimensionar o potencial da análise de dados para antecipar falhas e melhorar a disponibilidade dos ativos. Já um estudo da Siemens publicado em 2024 aponta que uma hora de parada pode custar até US$ 2,3 milhões para fabricantes do setor automotivo. Embora esse valor se refira a um segmento industrial específico, ele ilustra o impacto financeiro que interrupções podem ter em operações de alta complexidade.

Na intralogística, as consequências de uma operação pouco eficiente podem aparecer em atrasos no carregamento, horas extras no turno seguinte, equipamentos subutilizados e penalidades contratuais. Nem todos esses custos aparecem diretamente na fatura da locação. É por isso que insisto em um ponto que ainda incomoda parte do mercado: contratar empilhadeiras sem investir em inteligência de dados pode significar pagar por uma solução sem aproveitar todo o seu potencial.

A intralogística brasileira vive um momento em que a decisão sobre a frota deixou de ser apenas

• Por: Yuri Santos, CEO da Carmak, com formação em Administração pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Yuri Santos também possui certificação em Gestão e Estratégia pelo G4. Sua trajetória na Carmak começou em 2009 como Diretor Administrativo. Em 2016, assumiu a Diretoria Comercial, ampliando sua atuação e contribuindo diretamente para o crescimento da empresa. Hoje, como CEO, lidera a companhia com foco em eficiência operacional, desenvolvimento de pessoas e soluções que geram valor real aos clientes.