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31/10/2026

PLD no piso não garante contratos de energia mais baratos, alerta Voltera

Com a transição para o período chuvoso, análise do cenário e do perfil de consumo ganha importância na contratação de energia.

Em determinados períodos de outubro, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) chegou a R$ 57,31/MWh, piso regulatório, nos quatro submercados do país, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Para a Voltera, comercializadora e gestora de energia, o patamar reforça um ponto central para empresas que compram energia no mercado livre: o preço observado no curto prazo não deve ser usado isoladamente para orientar contratos de longo prazo, que envolvem condições comerciais, perfil de consumo e exposição a oscilações futuras.

Na programação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para a semana de 17 a 23 de outubro , a previsão era de geração termelétrica de 6.958 MW médios, com custo operacional estimado em R$ 560 milhões. Desse total, 432 MW médios correspondiam ao despacho por ordem de mérito, concentrado no subsistema Norte. A maior parcela estava associada à inflexibilidade das usinas.

Ao mesmo tempo, as projeções do ONS para outubro indicavam afluências de 156% da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste e de 209% no Sul. No Nordeste, a previsão era de 61%; no Norte, de 50%. A diferença entre os subsistemas mostra que a transição para o período úmido não representa uma melhora uniforme das condições hidrológicas em todo o país.

Já a carga de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) estava projetada em 86.358 MW médios para outubro, alta de 4,9% em relação ao mesmo mês de 2025.

De fato, as condições hidrológicas, a demanda, a disponibilidade das usinas e as restrições de transmissão influenciam a operação do sistema elétrico e a formação dos preços. Esses fatores, porém, não determinam isoladamente os valores dos contratos negociados no mercado livre de energia, que também dependem das condições comerciais e das expectativas dos agentes.

Contratos futuros exigem análise além do PLD — O PLD é utilizado para calcular a diferença entre montantes de energia contratados e efetivamente verificados. Já os contratos bilaterais envolvem condições específicas de fornecimento e comerciais, além do horizonte de suprimento. Por isso, o valor registrado no mercado de curto prazo não corresponde necessariamente ao preço que uma empresa encontrará ao negociar energia para os anos seguintes.

—O principal cuidado é não adiar uma contratação apenas na expectativa de que os preços caiam ainda mais. Esperar pode trazer oportunidades, mas também envolve riscos. O PLD no piso é uma fotografia de determinadas condições do sistema, não uma garantia de que a empresa encontrará o mesmo patamar ao contratar energia— afirma Alan Henn, CEO da Voltera.

O mais indicado é avaliar o custo total da contratação, o volume necessário, o prazo, as condições de reajuste e as cláusulas de flexibilidade. A análise busca evitar que a contratação seja orientada apenas pelo menor preço observado em determinado momento, sem considerar as necessidades de consumo e os riscos financeiros envolvidos no período de fornecimento.

—A escolha deve levar em conta tanto as necessidades de consumo quanto a capacidade da empresa de lidar com oscilações de preço e compromissos financeiros ao longo do contrato —finaliza Henn. | https://voltera.com.br