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29/10/2026

Automação logística ganha espaço com a pressão por entregas mais rápidas

Robótica, sistemas inteligentes e soluções escaláveis ajudam empresas a ampliar a produtividade, reduzir falhas e acompanhar o crescimento da demanda.

O crescimento do comércio eletrônico, a maior variedade de produtos e a pressão por entregas cada vez mais rápidas estão levando empresas a rever suas operações logísticas. Nesse cenário, a automação da intralogística, conjunto de processos de armazenagem, movimentação e separação de mercadorias, ganha importância para ampliar a produtividade, reduzir erros e garantir a eficiência dos centros de distribuição.

Para Rogério Scheffer, diretor-presidente da Águia Sistemas, empresa especializada em soluções de armazenagem, movimentação e automação intralogística, aumentar a capacidade operacional deixou de ser apenas uma tendência. —As empresas já têm consciência da necessidade de automatizar grande parte de suas operações, seja pela busca por redução de custos, segurança ou atendimento à demanda. Aumentar a capacidade e a produtividade não é uma tendência, e sim uma pendência, que passa obrigatoriamente pela revisão dos processos e pela automação de boa parte deles —afirma.

O desafio é encontrar soluções compatíveis com as necessidades de cada operação e com a capacidade de investimento das empresas. No Brasil, o custo do capital torna o planejamento financeiro ainda mais relevante, especialmente para negócios que precisam ampliar a estrutura sem comprometer o fluxo de caixa. Nesse contexto, sistemas modulares permitem implementar a automação por etapas, com expansão conforme o crescimento da demanda.

A modernização dos centros de distribuição combina diferentes tecnologias, como robôs móveis, sistemas automatizados de classificação, estruturas de armazenagem vertical e softwares de controle. A escolha depende de fatores como volume de pedidos, variedade de produtos, espaço disponível e características do fluxo operacional.

Entre as aplicações estão os sistemas de classificação automática, que direcionam mercadorias conforme critérios como destino, transportadora ou tipo de produto, e as soluções conhecidas como Goods-to-Person, nas quais os produtos são levados por sistemas automatizados até os operadores. Essas tecnologias podem reduzir deslocamentos, otimizar a separação de pedidos e aumentar a capacidade de processamento, especialmente em operações com grande volume de encomendas.

A integração entre equipamentos e sistemas de gestão também é fundamental para coordenar o fluxo de materiais e informações. Soluções de controle, como o WCS (Warehouse Control System), fazem a interface entre os equipamentos automatizados e o WMS (Warehouse Management System), utilizado na gestão do armazém. A integração contribui para sincronizar etapas da operação e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.

Segundo Scheffer, não existe um modelo único de automação capaz de atender a todas as empresas. —Cada empresa tem um fluxo, um volume, um mix de produtos e uma estratégia de crescimento. Nosso papel é entender esse cenário e desenvolver uma solução que faça sentido para aquela operação, seja com automação convencional, robótica ou uma combinação de diferentes tecnologias— explica.

Os efeitos dessas mudanças ultrapassam os limites dos centros de distribuição. Uma operação intralogística mais eficiente pode contribuir para reduzir falhas na separação, agilizar o processamento dos pedidos e melhorar a previsibilidade das entregas. Em um mercado com consumidores que esperam rapidez e precisão, a eficiência dos processos internos influencia diretamente a experiência de compra.

A tendência é que as empresas busquem cada vez mais integrar estruturas físicas, automação e sistemas digitais para responder às variações da demanda. Além de incorporar equipamentos, o desafio será identificar gargalos, reorganizar processos e dimensionar os investimentos de acordo com os objetivos do negócio.

Com isso, a intralogística deixa de ser apenas uma atividade de suporte e passa a integrar as decisões estratégicas das empresas, conectando produtividade, custos operacionais e qualidade do atendimento ao consumidor.