Tecnologia de detecção da doença contribui para assegurar a competitividade da pecuária brasileira nos mercados internacionais.
A circulação do vírus da língua azul exige atenção da pecuária brasileira tanto pelos prejuízos aos rebanhos quanto pela necessidade de comprovação sanitária no comércio internacional. Um estudo publicado em 2025 na revista Pesquisa Veterinária Brasileira identificou anticorpos contra o agente em 250 de 388 ovinos avaliados em Santa Catarina, o equivalente a 64,4% da amostra. Nesse cenário, o diagnóstico molecular é uma ferramenta importante para investigar infecções e orientar medidas de controle.
—O diagnóstico molecular permite pesquisar o material genético do vírus e acrescenta uma informação importante à investigação sanitária, especialmente quando os sinais clínicos não são suficientes para esclarecer o caso. Integrado à avaliação veterinária e aos dados da propriedade, o resultado ajuda a orientar decisões de manejo e vigilância —explica Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado — Agronegócio da Loccus, empresa brasileira que desenvolve soluções em biologia molecular.
Transmitida principalmente por pequenos insetos do gênero Culicoides, a língua azul afeta ruminantes, como ovinos, bovinos e caprinos. A infecção pode passar despercebida em muitos animais, enquanto os ovinos podem desenvolver quadros graves. Febre, inchaço, lesões nas mucosas e dificuldade de locomoção estão entre as manifestações possíveis. A doença não afeta seres humanos, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Diagnóstico molecular contribui para identificar o vírus —No laboratório, os exames sorológicos e moleculares oferecem informações complementares. Enquanto a sorologia pesquisa anticorpos, a RT-PCR detecta o RNA do vírus após uma etapa de transcrição reversa. O manual técnico da OMSA reconhece a RT-PCR em tempo real como método de escolha para o diagnóstico. A interpretação deve considerar o histórico e as condições da coleta: a detecção de RNA, isoladamente, não comprova a presença de vírus ainda capaz de transmitir a infecção.
A confiabilidade dessa análise começa no preparo da amostra e na extração do material genético. É nessa estrutura laboratorial que se insere a atuação da Loccus, cujo portfólio inclui tecnologias para extração e purificação de DNA e RNA, automação e PCR em tempo real. Essas etapas integram o fluxo de trabalho dos exames moleculares, que deve utilizar métodos validados para o agente e o tipo de amostra analisados.
—Para transformar uma amostra em informação útil, o laboratório precisa de qualidade em todas as etapas, da extração do RNA à análise do resultado. A estruturação desse processo fortalece a capacidade de investigar suspeitas e produzir evidências para a vigilância e para as exigências sanitárias aplicáveis ao trânsito internacional de animais —afirma Tatiani.
Comprovação sanitária é exigência para exportação — No comércio exterior, a comprovação sanitária depende dos requisitos de cada país importador. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a certificação pode envolver acompanhamento veterinário, inspeções e exames laboratoriais. Para a língua azul, o Código Terrestre da OMSA prevê condições específicas para o comércio de animais suscetíveis e sêmen. Em contrapartida, classifica carne, leite e seus derivados como mercadorias seguras, para as quais recomenda não exigir condições relacionadas à doença, independentemente da situação sanitária do país exportador.
Assim, a contribuição do diagnóstico molecular está em fornecer evidências para a investigação de casos e para o cumprimento de protocolos específicos. Associados à vigilância epidemiológica e à avaliação veterinária, os exames ajudam a fundamentar medidas de controle e a documentar a condição sanitária dos animais destinados aos mercados que exigem essa comprovação.