Não há dúvidas que empreender no Brasil representa uma jornada marcada por desafios constantes, tomadas de decisão sob pressão e um nível de responsabilidade que poucos estão preparados para carregar. A responsabilidade e a vontade de vencer trazem também um peso psicológico a quem lidera negócios em mercados incertos e, para garantir a necessária força mental exigida, cada vez mais empresários, executivos e gestores corporativos têm buscado na hipnoterapia uma ferramenta estratégica para desbloquear o potencial do negócio a partir da mente de quem o comanda.
O ecossistema empresarial esconde várias dores emocionais. O medo do fracasso é um desses principais. O temor de falhar, perder o patrimônio acumulado ou ver anos de esforço ruírem é um fantasma que habita em muitos empreendedores. A chamada Síndrome do Impostor é outra dor recorrente. O sentimento persistente de que o sucesso alcançado é fruto de sorte ou que, a qualquer momento, o gestor será “desmascarado” como incapaz, o bloqueia de dar um passo a frente, de buscar a evolução do negócio.
O peso da responsabilidade social, que se manifesta pela consciência do empreendedor de que a renda de dezenas ou centenas de famílias depende da sustentabilidade do negócio, é mais um ponto gerador de estado constante de hipervigilância e estresse, além da conhecida paralisia da decisão, decorrente da pressão por se fazer as escolhas certas, e que pode levar a uma busca obsessiva por garantias, resultando em procrastinação defensiva e perda de oportunidades estratégicas.
Quando esses medos não são devidamente processados, manifestam-se em forma de ansiedade crônica, burnout, insônia e, inevitavelmente, em decisões precipitadas ou excessivamente conservadoras que travam o crescimento da empresa. O que todos esses receios têm em comum, contudo, é que podem ser tratados por meio da hipnoterapia.
Especialmente no Brasil, a hipnoterapia tem se desmistificado e ganhado cada vez mais público. Diferentemente das abordagens racionais convencionais, ela trabalha diretamente no subconsciente, a camada da mente onde os padrões emocionais, crenças limitantes e traumas do passado estão armazenados. Muitas vezes, a resistência de um empresário em delegar tarefas ou seu medo de investir alto na expansão derivam de experiências antigas de escassez ou rejeição que não foram superadas.
A hipnoterapia atua como um catalisador de resultados na jornada empreendedora por meio de frentes claras. Durante as sessões, o paciente cria condições de mudar o significado do insucesso em um projeto da sua identidade pessoal. O “erro” deixa de ser uma ameaça existencial e passa a ser compreendido apenas como um dado de ajuste de rota.
Traumas financeiros, falências ou insucessos anteriores ou outras intempéries empresariais que deixaram cicatrizes emocionais são trabalhadas no subconsciente, se transformando em aprendizado, não mais em dor, o que devolve ao líder a capacidade de correr riscos calculados.
A clareza mental viabilizada pela hipnoterapia devolve também a calma, melhora a capacidade intuitiva e analítica do tomador de decisão e tudo isso gera mais segurança e autoconfiança, permitindo que o empresário lide melhor com as crises com inteligência emocional e estabilidade.
A hipnoterapia coleciona estudos e já encontra amplo respaldo da neurociência. No Brasil é reconhecida por conselhos federais de saúde e ganha cada vez mais pacientes, que investem sabiamente na saúde mental. No meio empresarial, esse público está em grande expansão.
Não é exagero afirmar que o limite de crescimento de uma organização é, muitas vezes, a maturidade emocional de quem a lidera, quem se faz como o relevante ativo do negócio. Construir uma jornada empreendedora segura não significa eliminar a incerteza do mercado, mas ter a certeza interna de que você possui o equilíbrio e os recursos emocionais necessários para atravessar qualquer tempestade.
• Por: Eduardo Rene Trigo, diretor do ACT Institute, centro especializado em formação em hipnoterapia.