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10/10/2026

Preços dos alimentos no Brasil tem alta de 1,5% no mês de setembro de 2026

Dieese e Conab sugerem pressão do clima e cenário geopolítico. Em setembro de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.750,01 ou 4,78 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621,00.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgaram a Pesquisa da Cesta Básica relacionada ao mês de setembro acerca dos preços do alimentos no Brasil, no dia 09 de setembro (sexta-feira).

A alta do mês acompanha tendencia global verificada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) em setembro de 2026.

O índice de preços dos alimentos da FAO subiu para o nível mais alto em quase quatro anos, com aumento de 1,5% no mês, chegando à média de 136 pontos, a maior desde novembro de 2022, de acordo com o Dieese, sob pressão de problemas de logística, devido a conflitos internacionais, e questões climáticas.

Pela Pesquisa da Cesta Básica, os produtos alimentícios registraram as maiores altas na região Centro-Sul, onde é coletada a batata: Florianópolis (7,61%), Rio de Janeiro (7,32%), Porto Alegre (5,93%), Belo Horizonte (5,72%), Curitiba (5,39%), Brasília (5,37%), Vitória (4,95%), Palmas (4,75%), São Luís (4,71%), Cuiabá (4,66%) e Goiânia (4,54%).

Rio de Janeiro — Em setembro, o preço da cesta básica do Rio de Janeiro apresentou alta de 7,32% em relação a agosto. O custo foi de R$ 913,46. Entre setembro de 2025 e setembro de 2026, o valor acumulou elevação de 14,29%. Na variação acumulada em 2026, houve aumento de 15,33%. — Aumento: considerando o salário mínimo líquido (R$ 1.621,00), após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o mesmo trabalhador precisou comprometer, em setembro de 2026, 60,92% da renda para adquirir a cesta. Em agosto de 2026, esse percentual correspondeu a 56,77% da renda líquida e, em setembro de 2025, a 56,92%.

São Paulo — Em setembro foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 922,51), seguida por Florianópolis (R$ 915,62), Rio de Janeiro (R$ 913,46) e Cuiabá (R$ 891,24).

Norte e Nordeste — Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 587,76), Maceió (R$ 631,28), Salvador (R$ 634,67) e Natal (R$ 635,60).

A comparação dos valores da cesta, entre setembro de 2025 e setembro de 2026, mostrou que o custo foi maior em todas as capitais pesquisadas, com variações entre 2,61%, em Boa Vista, e 15,14%, em Fortaleza. No acumulado do ano, ou seja, entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, também foram registrados aumentos em todas as cidades, com taxas entre 3,95%, em Campo Grande, e 16,76%, em Porto Velho

Cesta X Salário Mínimo — Em setembro de 2026, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais pesquisadas foi de 102 horas e 11 minutos, maior do que o registrado em agosto, quando ficou em 98 horas e 37 minutos. Já em setembro de 2025, a jornada média foi de 99 horas e 53 minutos. Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas, em setembro de 2026, 50,21% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos. Em agosto, o percentual comprometido foi de 48,46% da renda líquida e, em setembro de 2025, ficou em 49,09%.

Salário Mínimo de R$ 7.750,01 para manutençã de uma família de quatro pessoas — Com base na cesta mais cara, que, em setembro, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em setembro de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.750,01 ou 4,78 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621,00. Em agosto, o valor necessário era de R$ 7.565,86 e correspondeu a 4,67 vezes o piso mínimo. Em setembro de 2025, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.075,83 ou 4,66 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.