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08/10/2026

O tom da campanha — Eleições 2026

Como o RR Day After tem salientado nos últimos dias, a despeito da grande movimentação que voltou a tomar conta da campanha eleitoral, o que dará o tom efetivamente do segundo turno serão as tendências mostradas nas pesquisas que começam a sair amanhã, com Datafolha e PoderData, seguidas da AtlasIntel na sexta.

Digam o que disserem, façam o que fizerem um lado ou outro, é ali que a disputa ganha contorno.

Se a distância de Flávio tiver aumentado significativamente, a projeção de vitória do candidato do PL receberá muito impulso, e isso terá impacto sobre a dinâmica da campanha. Ainda que, claro, não signifique um resultado antecipado. Na política sempre pode haver viradas e surpresas.

Por outro lado, se, contrariando as expectativas, a distância for similar ou menor do que a que marcou o primeiro turno, aí sim pode haver uma potencialização de dois riscos para uma candidatura de Flávio que larga com forte vantagem:

1. O favoritismo se sustenta em movimentos concretos. Para além da maioria avassaladora do Congresso, Flávio Bolsonaro somou as adesões de Zema (Novo), Temer (MDB), Cleitinho (Republicanos) e Caiado (PSD), reuniu-se com Tarcísio de Freitas (Republicanos) para unificar a base conservadora e definiu o eixo da campanha, centrado em endividamento das famílias, juros e custo de vida, que entra na propaganda de TV a partir de sexta.

Na esteira estão fechados com o candidato do PL, os partidos Novo; Federação União Brasil e PP; Republicanos, e bancadas estaduais do MDB, Clariana Barão (DC), entre outros.

Percebe-se, no entanto, nestes últimos dias, uma proliferação de declarações sem muita coordenação, seja sobre medidas a serem tomadas em um eventual governo, seja sobre posicionamentos referentes a temas de grande destaque, como o fim da escala 6×1 — cuja discussão, tudo indica, avançará no senado.

Isso marca uma diferença em relação ao primeiro turno, no qual Flávio navegou muito bem, afirmando-se como representante do novo — inclusive em termos de idade — e de uma mudança de gestão, contra a ideia de um Lula e um PT envelhecidos. Ao mesmo tempo, usou seu favor uma crítica muito pesada da sociedade às ações e à imagem do STF, que ocupou todos os holofotes.

Um outro tipo de pauta, com a discussão sobre cortes de gastos, mudanças constitucionais, alterações na reforma tributária e mudanças trabalhistas pode abrir espaço justamente para a linha que o PT busca martelar entre os independentes: a de que a eleição de Flávio representaria um risco para uma série de benefícios sociais e para a Democracia.

2. A “lavada” no primeiro turno surpreendeu a esquerda e criou a percepção, para esse grupo e para a sociedade em geral, de que um governo Flávio teria possivelmente mais poder do que todas as gestões recentes, incluindo tanto o último mandato de Lula quanto o de Jair Bolsonaro, dada a amplitude de sua maioria no Congresso, particularmente no Senado.

Após uma desorganização inicial, a reação passou a ser tanto de usar essa ideia de um governo “sem contraponto” como forma de gerar preocupação, principalmente nas redes, quanto de alimentar uma sensação de tudo ou nada.

Esses dois fatores ampliaram o engajamento e a busca por uma unificação de discurso de grupos e influenciadores ligados direta ou indiretamente ao petista, sem falar em grupos tradicionalmente próximos da esquerda.

Isso se reflete, por exemplo, no encontro de Lula, nesta quarta, com jovens eleitos pelo PT e por partidos que têm forte engajamento nas redes; na criação, bastante divulgada, do canal “Exército de Lula” pelo deputado André Janones, que já atinge dois milhões de membros; e em manifestações de rua com algum sucesso, como a realizada no dia 07 de outubro (quarta-feira), pela União Nacional dos Estudantes, no Centro do Rio de Janeiro.

A depender dos desdobramentos os próximos dias, esse contexto será lido de maneiras quase opostas:

. Uma ação “desesperada”, tentando sanar erros de anos, que se acumularam na campanha e no próprio governo, o que favoreceria enormes desencontros no seio — e na estratégia – da campanha petista;

. Ou uma demonstração de que o campo de Lula, que teria sido muito soberbo e desmobilizado no primeiro turno, entrou mais aceso no segundo, obrigando Flávio a sair do clima de “já ganhou”.|João Bettencourt /Relatório Reservado.