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08/10/2026

Próximo presidente enfrentará desafios de políticas públicas diante de rigidez de gastos e custos altos dos empréstimos, aponta Moody’s

Ambos os candidatos têm visões políticas nitidamente diferentes sobre os gastos públicos e o papel econômico do Estado.

— O próximo presidente do Brasil enfrentará desafios crescentes relacionados à política fiscal, em consequência dos elevados custos dos empréstimos e do aumento dos níveis de dívida do governo e das famílias, de acordo com relatório da Moody’s.

Ambos os candidatos têm visões políticas nitidamente diferentes sobre os gastos públicos e o papel econômico do Estado. A Moody’s espera um resultado apertado, com implicações relevantes para a confiança dos investidores e para o desempenho fiscal e macroeconômico futuro do país e para o perfil de crédito em diversos setores da economia.

O próximo governo herdará uma posição fiscal muito mais fraca, sem uma trajetória clara de estabilização da dívida pública no horizonte previsível. O Brasil possui atualmente um dos maiores níveis de endividamento soberano entre as principais economias da América Latina. A implementação de um plano claro de consolidação fiscal de médio prazo ajudaria a restaurar a credibilidade fiscal do governo.

Situação — Em uma eventual reeleição, o governo Lula provavelmente manteria, em linhas gerais, o arcabouço fiscal, ao mesmo tempo em que buscaria melhorar as finanças públicas por meio de um aumento do crescimento econômico, medidas para expandir a receita e melhorar a eficiência de gastos.

Oposição — Sob Bolsonaro, o governo provavelmente realizaria cortes significativos de gastos e intensificaria os esforços para reduzir o elevado endividamento do Brasil. No entanto, os detalhes sobre como essas medidas seriam implementadas são indefinidos e alcançar um consenso no Congresso sobre eles representará um desafio político significativo. Mais de 90% do orçamento federal é predeterminado pelos requisitos legais de gastos, e qualquer reforma significativa nas políticas fiscais exigiria a aprovação do Congresso.

A limitada força financeira das empresas brasileiras amplia os riscos de crédito decorrentes das condições de financiamento. Os mercados de capitais locais e internacionais deverão permanecer acessíveis de um modo geral para empresas brasileiras com rating de grau de investimento, exportadoras e companhias de infraestrutura reguladas. As empresas com elevada parcela de dívida atrelada a taxas flutuantes e fluxo de caixa livre negativo, que também dependem do mercado de capitais para se financiar, são as mais impactadas. As taxas de juros elevadas, o aumento dos custos do crédito, a menor capacidade de pagamento dos tomadores de empréstimos e o crescimento econômico mais fraco pressionarão a qualidade dos ativos e a rentabilidade dos bancos brasileiros.

Versões de orientações — As políticas públicas do próximo governo relacionadas à governança, instituições e ao papel do Estado na economia ajudarão a orientar as perspectivas para o crédito, crescimento econômico e investimentos no Brasil. A intervenção do governo representará riscos de crédito para os setores regulados e empresas estatais. À medida que os programas governamentais de crédito se expandem, os bancos públicos brasileiros provavelmente manterão o crescimento do crédito mesmo diante da deterioração das condições operacionais, enquanto uma mudança de governo provavelmente reduziria sua disposição para conceder empréstimos. Os fornecedores de infraestrutura seriam beneficiados por políticas públicas que melhorem o desempenho do sistema bancário e as condições de investimento— .