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03/10/2026

Congresso Aço Brasil alerta para ameaça à indústria com avanço das importações de ‘aço contido’ em produtos

Redução das importações e aumento da produção nacional de aço podem gerar quase 20 mil novos empregos diretos no país

O encerramento da 36ª edição do Congresso Aço Brasil, no dia 30 desetembro (quarta-feira), em São Paulo, ocasião que aconteceu também a coletiva de imprensa, foi marcado por um alerta. O Instituto Aço Brasil destacou a ameaça à cadeia metalmecânica com o avanço das importações de “aço contido”. Ou seja, o aço que vem embutido ou incorporado em produtos industrializados importados — entre eles, carros, geladeiras e outros eletrodomésticos —, que já chegam prontos ao país para o consumo ou a entrada em operação, como no caso de máquinas e equipamentos.

Esse cenário representa um desafio adicional para a indústria do aço brasileira, pois as 31 fábricas presentes em quatro das cinco regiões do país, que empregam diretamente 116 mil pessoas, passam a concorrer não só com o aço importado, mas também com produtos manufaturados estrangeiros que já incorporam aço produzido fora do país.

—A cadeia produtiva nacional está sob ataque. O mundo inteiro está tomando decisões para defender seus mercados. Estados Unidos, União Europeia e outros países estão defendendo suas indústrias diante de um cenário de excesso de capacidade. E o Brasil precisa fazer o mesmo: precisa defender o seu parque industrial —afirmou o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, acrescentando: —É importante também reconhecer que avançamos. O governo tomou medidas importantes, fortaleceu os instrumentos de defesa comercial e isso já começou a dar resultado. Mas ainda estamos muito longe do patamar histórico—conclui.

—A pressão externa está mudando de forma. Não é só o aço que chega diretamente ao Brasil. O aço também está entrando dentro de outros produtos que importamos. Você fecha uma porta e essa pressão aparece em outros pontos da cadeia —explica Marco Polo.

Mesmo com os avanços recentes, o país deve fechar 2026 com cerca de 4,9 milhões de toneladas de laminados importados, ou seja, acima da média histórica, de 2,2 milhões. O executivo, no entanto, acredita que, se o país conseguir recuperar o mercado interno e criar um ambiente mais favorável à produção nacional, o ano de 2027 pode ser de retomada para a indústria brasileira do aço. Segundo o Instituto, o aumento da produção de aço tem potencial para gerar quase 20 mil empregos diretos no país, lembra Marco Polo.

O executivo acrescenta que é preciso olhar para a cadeia como um todo: manter e aprimorar a defesa comercial, acelerar os processos antidumping e fechar as brechas que vão surgindo. —Avançamos, mas precisamos fazer mais. E defesa comercial não significa fechar o Brasil às importações. Significa garantir condições justas de competição — defende.

Agenda de longo prazo para país ter indústria forte — No encerramento do Congresso Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e presidente do Conselho de Administração da Gerdau, defendeu uma agenda de longo prazo para fortalecer a competitividade da indústria nacional e afirmou que o Brasil tem condições de competir com a China. O executivo ressaltou que o cenário é difícil, mas não significa que o setor deva recuar. —Dá para competir, mas precisamos encontrar as condições e os meios. Não podemos aceitar que o Brasil não tenha uma indústria forte —disse.

Johannpeter destacou que o país reúne vantagens como minério de alta qualidade, disponibilidade de sucata, água, energia renovável e um mercado de 218 milhões de consumidores. —Temos que juntar as lideranças das entidades com o governo e fazer esse trabalho. A nossa indústria vai sobreviver —concluiu.

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