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29/09/2026

Estação reprodutiva abre com valorização da genética Angus produzida no Brasil e salto na comercialização de doses

Com a chegada do mês de outubro e o início de mais uma estação reprodutiva, a pecuária brasileira registra uma forte valorização da genética Angus produzida em solo nacional, que já compete de igual para igual no mercado com o material importado. Impulsionada pela retomada intensiva do cruzamento industrial e pela comprovada eficiência dos reprodutores locais no campo, a busca por doses de sêmen nacional ganha protagonismo — e touros consagrados caem nas graças dos compradores.

O avanço do sêmen produzido no Brasil reflete um salto de qualidade técnica e um alinhamento direto com as exigências dos sistemas produtivos do Brasil. —O sêmen produzido hoje no país apresenta qualidade equivalente ou superior ao importado—destaca o presidente do Conselho Deliberativo Técnico da Associação Brasileira de Angus, Luís Felipe Cassol. Segundo ele, o principal fator de decisão de compra é a taxa de prenhez gerada em protocolos de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

Sob a perspectiva de mercado global, o presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), Luís Adriano Teixeira, aponta que a participação da genética nacional no segmento Angus praticamente dobrou na última década, saltando de um patamar histórico de 25% para mais de 40% das vendas totais da raça no país. Segundo ele, das cerca de 6 milhões de doses de sêmen de Aberdeen Angus e Red Angus comercializadas no mercado brasileiro em 2025, a produção em solo nacional ultrapassou a marca de 2,6 milhões de doses.

—O sêmen produzido no Brasil como um todo subir de um quarto para mais de 40% mostra que realmente não existe mais preconceito com a genética produzida aqui —afirma Teixeira. Ele ressalta que os números da ASBIA levam em conta a genética de touros nascidos no Brasil e também de touros que foram importados e produziram suas doses no país. Ainda segundo o presidente, a produção local atua como estratégia de mitigação de riscos geopolíticos, tarifários e de logística de importação.

Reprodutores de destaque e campeões de vendas — A preferência por touros adaptados, rústicos e de alto desempenho entre os criadores gerou grandes destaques de vendas. O mercado tem buscado animais que garantam bezerros mais pesados, novilhas precoces e altos índices de prenhez. Entre os reprodutores nacionais que caíram nas graças dos compradores, destacam-se River, da Cia. Azul Agropecuária, de Uruguaiana (RS), e Barragem, da Cabanha da Barragem, de Quaraí (RS), com cerca de 190 mil doses comercializadas cada um.

Na faixa de mais de 150 mil doses comercializadas, estão Cruzeiro, da Cia. Azul Agropecuária, de Uruguaiana (RS), Guapo, da Estância Tradição, de Santa Vitória do Palmar (RS), e Apetrecho, da Cabanha David Angus, de Santiago (RS). Density, da Estância Tradição Azul, de Quaraí (RS), e S2 Prime, da Agropecuária HJ, de Campo Bom (RS), ultrapassaram 140 mil doses cada. Entre os reprodutores que também ultrapassaram a marca de 100 mil doses estão Tomahawk, da Guarita Agropecuária, e Soberano, da AgroneMitz, ambas de Alegrete (RS).

De acordo com Luís Felipe Cassol, entre 70% e 80% do mercado do Brasil Central e Norte é atendido por empresas especializadas em reprodução que cobram por taxa de prenhez, o que torna o desempenho reprodutivo do sêmen um fator decisivo de rentabilidade. Outro ponto atrativo da genética nacional, ainda segundo ele, é a alta competitividade nos custos de produção de sêmen no Brasil frente ao mercado internacional.