O ser humano, com todo o seu imediatismo, faz da economia e do poder uma guerra permanente. Cada um querendo astutamente levar vantagens. Os mais desenvolvidos deveriam auxiliar a humanidade, construindo um viver digno, mas se aplicaram na concentração do poder materialista e dominaram a massa de seres humanos indolentes acomodados nos pendores. A caótica situação atual surgiu disso. É nisso que está a raiz da guerra que vai se tornando inevitável pela ausência da compreensão da vida e da boa vontade entre os homens.
Em Orlando, EUA, era possível comprar roupas de boa qualidade procedentes da Ásia com preços atraentes. No Brasil, o vestuário menos caro geralmente é de baixa qualidade, e o caro não é de boa qualidade. Assim está a economia; a superprodução de uns mata a capacidade produtiva de outros.
É uma guerra camuflada, mas os resultados são visíveis na precarização geral que avança sobre as nações. Como a democracia de livre iniciativa e o capitalismo ocidental poderão competir com o capitalismo de Estado de partido único? A pressão avança. Muitas tarefas e atividades absorvem o tempo que escorre pelo ralo. Mudam os hábitos e as necessidades. Tudo se concentra. Tudo se monopoliza. Os pequenos se perdem. Os grandes não se adequam. Custos elevados. Preços contidos pela renda precarizada. Decisões mal planejadas. As finanças detonam. A época exige proceder com toda cautela, pois um erro pode arruinar tudo.
Como se fosse um organismo doente, o Brasil está perdendo força e dinamismo. Falta bom preparo das novas gerações, e a dívida cresce, a produção cai. A quem interessa isso? Vampiros e abutres rodeiam o doente cada vez mais fragilizado. O problema é que os seres humanos querem burlar a naturalidade, querendo sugar onde não há mais o que sugar, porque, imediatistas, retiraram tudo sem retribuir. O natural é receber e retribuir. É importante, ao tomar empréstimo, planejar de antemão como será pago, mas em vez disso deixa-se para depois e vão sendo tomados mais empréstimos até que a dependência tome conta.
Como encarar a riqueza? Desprezá-la seria estupidez; colocá-la como a prioridade máxima seria a negação da finalidade da vida. Equilíbrio é a chave. Desenvolver os talentos espirituais é dever de todos. Esgotados, os seres humanos não sabem mais o que querem e acolhem os trapaceiros sem embaraço, porque no íntimo sabem que os trapaceiros fazem falsas promessas, mas descrentes de tudo, não se aborrecem com isso. Como sempre tem acontecido, quando as pessoas deixam de ouvir a sua voz interior, cada indivíduo passa a impor rigidamente o seu ponto de vista pessoal, lançando uma onda de confusão para que a situação não se normalize, mantendo seus privilégios.
O problema é que as pessoas não querem ouvir nada sobre o “ponto sem retorno” e continuam seguindo em direção a esse ponto. É necessário usar a intuição e as próprias capacitações para poder analisar, discernir e decidir que caminhos seguir para se fortalecer no bem. Para isso, cada um deveria combater o comodismo e a indolência, seguindo sempre na busca da elevação.
Muitos seres humanos fraquejaram em seus propósitos nobres, atraindo influências negativas, permitindo que elas adentrassem em sua mente. Aí começou a ruína, a decadência, a queda. O ser humano livre, senhor de seu destino, não buscava mais os caminhos iluminados, perdendo assim a sua individualidade, tornando-se uma sombra na multidão que vivia em função das manipulações a que ficava sujeito. O indivíduo sugestionável, submetido a reações impulsivas, conscientemente planejadas pela publicidade comercial e pela influência política, deu espaço para indivíduos cheios de cobiças chegarem ao poder, aos quais não interessa o aprimoramento da espécie humana.
• Por: Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br | e https://library.com.br/home | E-mail: [email protected]