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05/09/2026

Indústria química de Santa Catarina desenvolve método de trabalho que opera descartar resíduos

De solventes recuperados ao uso de papel como combustível na caldeira, a Reciclo mantém a circulação de materiais e dá novos usos ao que seria descartado.

A busca por ampliar o reaproveitamento de materiais e reduzir a geração de resíduos tem ganhado espaço na agenda da indústria brasileira. Na Reciclo, indústria catarinense que atua no segmento químico, não é diferente: o ciclo produtivo fechado adotado pela empresa mostra que o fim da vida útil de um material pode representar o início de um novo processo, tornando sua vida útil praticamente infinita. Assim, a empresa deixou de descartar resíduos e passou a aproveitá-los em novos processos.

A Reciclo nasceu com o propósito de recuperar solventes que antes não eram reaproveitados e nem sempre recebiam a destinação adequada, incorporando desde a sua origem uma lógica de redução de desperdícios e reaproveitamento de materiais. O processo funciona em ciclo fechado, ou seja, a empresa produz solventes destinados às indústrias de embalagens plásticas e, depois de utilizados, esses produtos retornam e passam pelo processo de recuperação para que retornem ao cliente novamente.

Para reforçar sua atuação sustentável, a empresa passou a investir em técnicas para que a lógica de reaproveitamento também alcançasse outros resíduos produzidos pela indústria. O CEO da Reciclo, Alan Fabre, destaca que os solventes produzidos e recebidos pela empresa, assim como os resíduos gerados no parque fabril, são aproveitados, reciclados ou destinados a novas aplicações, ampliando a vida útil dos materiais.

— Aqui tudo se transforma. Nós produzimos e recuperamos os solventes, retiramos os contaminantes desse produto, como a borra, e encaminhamos para empresas que a utilizam como matéria-prima. Também reciclamos outros resíduos internos provenientes dos processos industriais e orgânicos, gerados a partir de atividades como poda de árvores e corte de grama— explica.

Reaproveitamento além da produção industrial — Uma pesquisa realizada em 2019 pela Confederação Nacional da Indústria em parceria com a Universidade de São Paulo mostra que 53% das indústrias consultadas já reutilizam materiais em seus processos produtivos. Mas na Reciclo, a proposta de reduzir o descarte não se restringe às linhas industriais.

Materiais administrativos, como papéis utilizados pelo escritório, são destinados à queima na caldeira da empresa, onde passam a cumprir uma função energética. Já as cinzas da caldeira e os resíduos orgânicos gerados nas áreas verdes da unidade, que abrigam plantas e animais como cavalos, patos e cachorros, são destinados à compostagem e transformados em adubo. Parte desse composto é aplicada nos jardins da própria empresa, enquanto a outra parte é doada à comunidade de Morro da Fumaça (SC), ampliando o aproveitamento para além dos limites da planta industrial.

—A reciclo foi uma iniciativa de meu pai, que possui forte consciência sustentável, e agora dou continuidade ao trabalho junto a ele. Fazemos o que é possível para que a atividade industrial não prejudique o meio ambiente em que vivemos, mas, sozinhos, não podemos mudar o mundo. Por isso, parte do nosso trabalho também é conscientizar nossos colaboradores, parceiros e a comunidade em nosso entorno— completa Fabre.

O modelo adotado pela Reciclo parte do entendimento de que um resíduo não precisa representar o encerramento de uma cadeia. Ao retornar como produto recuperado, subproduto, matéria-prima, fonte de energia ou composto orgânico, o material permanece em circulação, reduz a necessidade de descarte e evita a extração predatória de recursos naturais.

Dessa forma, a indústria atua em diferentes pontos da cadeia: produz e fornece o solvente, recebe o material utilizado, realiza sua recuperação, encaminha os subprodutos para outras aplicações e pode receber novamente os materiais gerados depois do uso.

Reciclo Química — Fundada em 1990, em Santa Catarina, a Reciclo está na segunda geração de gestão e consolidou sua atuação no ecossistema da flexografia, com soluções que incluem recuperação de solventes e processadores, destinação de subprodutos e tratamento eficiente de efluentes químicos. Ao longo dessa trajetória, a indústria se destacou por seu pioneirismo em operar um modelo que reforça a economia circular de forma prática reduzindo desperdício, reaproveitando recursos e integrando soluções ambientais ao negócio.