Alta de 5% comparado com o mesmo período em 2025. A companhia teve prejuízo líquido de R$ 773,1 milhões no segundo trimestre de 2026, e dívida líquida atinge R$ 42,13 bilhões. Os investimentos no segundo trimestre de 2026 totalizaram R$ 1.414 milhões, o que representa um crescimento de 25,6% em relação ao trimestre anterior e de 6,2% contra o mesmo período de 2025.
A Companhia Siderúrgica Nacional (“CSN”) (B3: CSNA3; Nyse: SID) divulgou seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2026 no dia 13 de agosto (quinta-feira).
De acordo com a companhia, todos os segmentos foram fundamentais para a forte evoluçao operacional do trimestre — Durante o segundo trimestre de 2026 companhia observou forte evolução em praticamente todos os segmentos de atuação, ressaltando os benefícios de se contar com uma operação diversificada ao conseguir capturar dinâmicas favoráveis observadas nos principais segmentos. A única exceção foi na mineração que, a despeito da sólida performance operacional, observou queda no resultado em razão dos maiores custos com frete e valorização cambial verificados no período.
Como consequência, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês) ajustado apresentou crescimento de 5% tanto na comparação trimestral quanto na anual, ao atingir R$ 2,8 bilhões no segundo trimestre de 2026, e com uma margem e Ebitda ajustada de 23,4%.
Mineração: circunstâncias externas e parada de manutençao ofuscaram mais um trimestre marcado pela excelência operacional — Mesmo com uma parada programada de manutenção de 15 dias ocorrendo tanto na mina quanto no porto, a companhia conseguiu ultrapassar o montante de vendas verificado no segundo trimestre de 2025, o que ressalta toda a excelência operacional que a operação tem conseguido atingir. Tanto é que tivemos ao longo do trimestre dois meses com os maiores resultados mensais de produção e vendas da história da companhia, só não configurando um novo recorde por causa dos dias em manutenção. Todo esse desempenho ajudou a mitigar o cenário mais desafiador verificado no período, com pressão no custo de frete em razão das tensões geopolíticas e com o Real se valorizando no período. Nesse contexto, o Ebitda ajustado foi de R$ 929,7 milhões no segundo trimestre de 2026, com margem Ebitda ajustada de 32,0%.
Cimentos: novo recorde de ebitda demonstra a forte evolução do segmento — A CSN conseguiu, mais uma vez, atingir o Ebitda mais alto da sua história, superando o montante verificado no trimestre anterior. No segundo trimestre de 2026, a companhia soube aproveitar a sazonalidade positiva da operação para otimizar a sua atividade comercial. Com isso, foi possível observar mais uma sólida evolução no Ebitda do período. O excelente resultado alcançado nesse primeiro semestre demonstra toda a resiliência e recuperação que o segmento tem apresentado nesses últimos meses. A combinação desse cenário com o rígido controle de custos permitiu que a margem Ebitda permanecesse acima dos 30%, atingindo 30,8% no segundo trimestre de 2026 e com um Ebitda de R$ 426,9 milhões.
Siderurgia: medidas protetivas viabilizam uma sólida recuperação na rentabilidade — O trimestre foi marcado por uma excelente performance da UPV e umforte crescimento no volume de vendas do mercado doméstico com melhora nos preços praticados, resultado direto da redução do material importado verificado no período. A combinação desse cenário com o sólido resultado verificado no mercado externo mais do que compensou o aumento nos custos com matéria-prima. Com isso, a empresa viu sua rentabilidade voltar para a casa do duplo dígito, ressaltando a siderurgia como uma importante alavanca de resultado. No segundo trimestre de 2026, o Ebitda ajustado da Siderurgia foi de R$ 636,3 milhões, com margem Ebitda ajustada de 10,5%.
Liberação de capital de giro e fluxo de caixa positivo foram os principais destaques financeiros do período, ajudando a diminuir a queima de caixa — A evolução do projeto de redução no volume de estoques segue em curso, com os benefícios já se refletindo de forma material ao longo desse trimestre. Com isso, foi possível observar uma liberação de capital de giro, contribuindo positivamente para a geração de caixa do período. Adicionalmente, o fluxo de caixa também foi positivamente impactado pelas captações realizadas no período, principalmente relacionadas ao bridge loan. O endividamento líquido, por sua vez, foi negativamente impactado pela amortização dos contratos de pré-pagamento na mineração, pelo AFAC no projeto da Transnordestina e pelo impacto da variação cambial. Nesse contexto, o indicador dívida líquida/Ebitda UDM atingiu 3,49x no período, aumento em relação ao a um leve aumento em relação ao trimestre anterior.
No segundo trimestre de 2026, a receita líquida atingiu R$ 11.306,2 milhões, representando um aumento de 6,6% em relação ao trimestre anterior e de 5,7% na comparação com o mesmo período de 2025. Esse resultado é consequência da sazonalidade da operação devido ao período mais seco e à maior atividade comercial, além da evolução das condições de mercado observada no segmento de siderurgia ao proporcionar aumento de vendas e preço. No primeiro semestre, o faturamento líquido atingiu R$ 21,9 bilhões, o que corresponde a uma alta de 1,4% frente ao mesmo período de 2025.
O custo dos produtos vendidos (CPV) totalizou R$ 8.375,2 milhões, o que representa um crescimento de 3,6% frente ao trimestre anterior como resultado do aumento no volume de vendas em todos os segmentos de atuação, além do impacto da alta nos custos com matérias-primas. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, percebese uma alta ainda maior, de 5,1%, o que corresponde ao maior dinamismo comercial verificado no período.
Por sua vez, o lucro bruto do segundo trimestre de 2026 totalizou R$ 2.930,9 milhões, com uma margem bruta de 25,9%, representando expansão de 2,1 p.p. em relação ao primeiro trimestre de 2026. Na comparação com o mesmo período de 2025, também foi possível observar um crescimento de 43 pontos base na rentabilidade do período. Esses resultados refletem a forte evolução do faturamento verificada no período, com uma dinâmica mais forte de vendas ocorrendo em todos os segmentos e com preços começando a melhorar na siderurgia. Isso mais do que compensou os custos mais altos verificados no período. Por sua vez, o lucro bruto acumulado do ano totalizou R$ 5,5 bilhões, com uma margem bruta de 24,9%, o que representa expansão de 0,5 p.p. contra o mesmo período de 2025.
No segundo trimestre de 2026, as despesas com vendas, gerais e administrativasto talizaram R$ 1.643,7 milhões, representando aumento de 22,9% em relação ao começo do ano, refletindo a sazonalidade do período e a intensa atividade comercial verificada em todos os segmentos. Na comparação anual, houve aumento de 8,0%, o que reflete o aumento da despesa com frete verificada no período e a retomada das vendas no segmento siderúrgico.
O grupo de outras receitas e despesas operacionais foi negativo em R$ 660,4 milhões no segundo trimestre de 2026, representando redução de 27,7% em relação ao primeiro trimestre de 2026, dado o menor impacto relacionado às operações de hedge cambial, a recuperação de créditos tributários e o menor volume de perdas relacionadas ao inventário e variações de estoques. Por outro lado, percebe-se uma variação muito maior na comparação com o segundo trimestre de 23025, uma vez que aquele período foi positivamente impactado por reversões de contingências.
Por sua vez, o resultado financeiro do segundo trimestre de 2026 foi negativo em R$ 1.843,0 milhões, o que representa um aumento de 41,0% em relação ao trimestre anterior, mas uma redução de 3,0% contra o segundo trimestre de 2025. Esse aumento trimestral reflete, principalmente, o efeito da oscilação cambial nas despesas financeiras com impacto direto nas variações monetárias e no resultado com derivativos.
Prejuízo — No segundo trimestre de 2026, a CSN registrou prejuízo líquido de R$ 773,1 milhões, o que representa uma piora quando comparado com o trimestre anterior, como consequência das maiores despesas financeiras relacionadas à variação cambial que acabou por anular a melhor performance operacional verificada no período. Por sua vez, quando se compara com o mesmo período de 2025, a variação foi ainda maior como resultado do impacto extraordinário das reversões de contingências observadas naquele período. No semestre, a Companhia registrou prejuízo líquido de R$ 1,3 bilhão contra um prejuízo de R$ 862 milhões verificado no mesmo período de 2025.
Ebitda — O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês)ajustado no segundo trimestre de 2026 atingiu R$ 2.772,6 milhões, com margem Ebitda ajustada de 23,4%, o que representa uma estabilidade em termos de rentabilidade quando comparado com o trimestre anterior, mas com um Ebitda ajustado 4,8% superior. Esse crescimento de Ebitda ocorre mesmo em um período marcado por pressões de custos logísticos e de matéria-prima, o que mostra a força da operação do grupo e toda a excelência operacional observada no período, com crescimento de volume em todos os segmentos de atuação, ressaltando também os benefícios de se contar com uma operação diversificada e integrada. O resultado traz também algumas mensagens importantes, como: (i) o maior desempenho já atingido no segmento de cimentos, (ii) uma evolução consistente no segmento de siderurgia, com a rentabilidade voltando para o patamar de 2 dígitos, (iii) o segundo maior desempenho do segmento de logística e (iv) um desempenho extraordinário de produção e vendas no segmento de mineração. Até mesmo o segmento de energia foi um importante vetor de performance no período, mas aqui muito mais por questões extraordinárias e não recorrentes, com o recebimento de faturas retroativas da usina de Jacuí. Isso tudo demonstra que, operacionalmente, a companhia está cada vez mais sólida e pronta para divulgar desempenhos consistentes daqui para a frente. Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento também foi da mesma magnitude, com a performance mais fraca da mineração sendo compensada pelo crescimento dos demais segmentos. Por fim, quando analisamos o resultado do primeiro semestre, o Ebitda ajustado atingiu R$ 5,4 bilhões, um crescimento de 5,2% contra igual período de 2025, colocando a CSN no caminho de entregar uma performance mais forte ao longo deste ano.
Fluxo de Caixa Livre — O fluxo de caixa livre no segundo trimestre de 2026 foi positivo em R$ 808,1 milhões, o que representa uma reversão em relação aos resultados negativos verificados nos últimos exercícios, como resultado da combinação de um desempenho operacional robusto com a liberação de capital de giro e mais as captações de recursos realizadas no período, principalmente relacionadas ao bridge loan. Esse desempenho está em linha com a tendência que a Companhia vinha antecipando, com uma série de ações sendo colocadas em práticas não apenas para resolver a estrutura de capital do grupo, mas também para reduzir o volume de estoques e diminuir a queima de caixa que vem sendo registradas nesses últimos anos. Adicionalmente, é importante notar que esse resultado positivo foi alcançado mesmo com a forte amortização de dívida verificada no período, mostrando que a Companhia já está colocando em curso o uso do seu caixa para o abatimento da dívida bruta.
Exposição Cambial — A exposição cambial líquida acumulada no balanço consolidado do segundo trimestre de 2026 foi negativa em US$ 1.290,5 milhões, conforme demonstrado na tabela abaixo, em linha com a política da empresa de minimizar os impactos da volatilidade cambial sobre o resultado. O Hedge Accounting adotado pela CSN correlaciona o fluxo projetado de exportações em dólar com os vencimentos futuros da dívida na mesma moeda.
Capital Circulante Líquido — O capital circulante líquido aplicado ao negócio totalizou R$ 3.046,4 milhões no segundo trimestre de 2026, o que representa uma retração de 21,8% em relação ao trimestre anterior e reflete, principalmente, a queda no nível de estoques, movimento em linha com o projeto que vem sendo conduzido neste ano para liberar caixa e normalizar o volume da operação, especialmente de produtos siderúrgicos. Adicionalmente, a redução no contas a receber e o maior volume de impostos a recuperar também contribuíram para essa forte variação do CCL verificada no período.
Investimentos — Os investimentos no segundo trimestre de2026 totalizaram R$ 1.414 milhões, o que representa um crescimento de 25,6% em relação ao trimestre anterior e de 6,2% contra o mesmo período de 2025. Essa aceleração dos investimentos está em linha com o avanço de projetos estratégicos, principalmente relacionados aos investimentos na P15. Por outro lado, é válido notar que, mesmo chegado perto da conclusão de projetos relevantes, a Companhia tem conseguido moderar o montante investido quando se compara com o ano anterior, principalmente via redução no capital alocado nos demais segmentos.
CSN — A Companhia Siderúrgica Nacional (“ é uma empresa altamente integrada, com negócios em siderurgia, mineração, cimento, logística e energia. A Companhia atua em toda a cadeia produtiva do aço, desde a extração do minério de ferro, até a produção e comercialização de uma diversificada linha de produtos siderúrgicos de alto valor agregado. O sistema integrado de produção, aliado à qualidade de gestão, faz com que a CSN tenha um dos mais baixos custos de produção da siderurgia mundial.