Em 15 de agosto de 1946, o mundo conheceu publicamente o ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer), considerado o primeiro computador eletrônico digital de grande escala do mundo. Com cerca de 30 toneladas, milhares de válvulas e uma estrutura que ocupava uma sala inteira, ele representava uma revolução tecnológica difícil de dimensionar para a época. Poucos poderiam imaginar que, em menos de um século depois, bilhões de pessoas carregariam no bolso um poder de processamento de dados muito superior ao daquela máquina que marcou o início da era da computação moderna.
Hoje, quando celebramos o Dia da Informática em 15 de agosto, não estamos apenas mantendo viva a memória do dia em que o Eniac entrou em operação pela primeira vez, mas fazendo uma reflexão de como a Informática evoluiu ao longo desses anos e revolucionou a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. Difícil imaginar os dias atuais sem computador, sem tecnologia, sem internet e agora sem IA. Essa trajetória impressiona não apenas pela evolução da capacidade de processamento, mas pela gama de aplicações. O computador diminuiu de tamanho, foi pra palma da mão, passou a ser embarcado nos smartphones, relógios inteligentes, veículos, equipamentos e processos industriais e hoje, praticamente tudo depende de computador e internet.
Essa transformação digital mudou a forma como enxergamos a própria TI, que deixou de ser uma área restrita para sustentar praticamente todas as atividades da economia. Está presente em tudo que faz parte da vida moderna, desde as mais simples e corriqueiras atividades de ordem pessoal até as mais complexas operações e análises do ambiente de trabalho, seja na operação ou sustentação dos negócios. O computador e tudo que envolve hardware e software passaram a ocupar o papel de grandes protagonistas que atuam silenciosamente nos bastidores das operações.
Infraestrutura invisível — Essa reflexão talvez essa seja a maior homenagem que possamos fazer à aquele computador ENIAC lá do começo do século passado. Seu legado não está apenas na máquina que abriu caminho para a computação moderna, mas na capacidade de transformar uma tecnologia gigantesca, cara e exclusiva em uma infraestrutura quase invisível, presente em praticamente tudo o que fazemos. Quanto mais a informática evolui, menos percebemos sua presença.
E é nessa atuação discreta que a infraestrutura de TI ganha relevância. Se antes uma falha afetava um equipamento específico, com perdas pontuais e controladas, hoje qualquer interrupção no funcionamento de máquinas e equipamentos pode interromper processos industriais inteiros, comprometer setores essenciais, afetar serviços e gerar impactos econômicos em grande escala e em tempo real.
Segundo a IoT Analytics, consultoria alemã especializada em pesquisas de mercado com foco em Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (AI), Cloud, Edge e Indústria 4.0, o mundo deve contar com 39 bilhões de dispositivos conectados até 2030, número que deve ultrapassar 50 bilhões em 2035. O dado mostra que o futuro da informática não está concentrado em alguns computadores de alto desempenho, mas distribuído em bilhões de equipamentos que processam dados, tomam decisões e se comunicam continuamente. Interrupções momentâneas, oscilações de tensão, surtos elétricos e variações na qualidade da energia, muitas vezes imperceptíveis para o usuário comum, podem comprometer componentes eletrônicos de alta precisão e interromper operações que dependem de disponibilidade energética constante.
Não por acaso, empresas passaram a olhar para sua infraestrutura tecnológica de forma mais ampla. Investir em hardware e software continua sendo fundamental, mas isso já não basta no atual cenário. Conectividade, armazenamento, segurança cibernética e qualidade da energia passaram a fazer parte da mesma equação, porque todos esses elementos juntos sustentam uma realidade construída ao longo de quase oito décadas de evolução tecnológica. O computador praticamente desapareceu como objeto visível sobre as mesas de escritório, consolidando-se como o motor invisível, porém vital, que sustenta a continuidade dos negócios e o próprio futuro de uma sociedade conectada.
• Por: Jamil Mouallem, sócio-diretor da TS Shara indústria nacional fabricante de nobreaks, inversores e estabilizadores de tensão e protetores de rede inteligente.