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08/08/2026

Unicamp coordena projeto de R$ 15 milhões para acelerar tecnologias de baixo carbono e a transição energética

BioLoop ficou em terceiro lugar entre cerca de 30 propostas na chamada da Finep para Centros Temáticos em Transição Energética e reúne 31 laboratórios da Unicamp para integrar pesquisas sobre biomassa, resíduos, biocombustíveis, mobilidade e inteligência artificial.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) coordenará um dos maiores projetos de pesquisa em transição energética aprovados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Com investimento de aproximadamente R$ 15 milhões, o BioLoop conquistou a terceira colocação entre cerca de 30 propostas submetidas na linha temática de Transição Energética.

Ancorado institucionalmente no Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro), o projeto reúne uma rede de 31 laboratórios da Unicamp para desenvolver pesquisas integradas em tecnologias de baixo carbono. A proposta, que tem como parceiro estratégico o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (NIPE-Unicamp), contempla desde o aproveitamento de biomassa e resíduos para produção de energia até o desenvolvimento de novos biocombustíveis, biometano, hidrogênio, metanol verde, inteligência artificial aplicada ao setor energético, eletrificação e soluções para mobilidade sustentável.

Mais do que desenvolver uma tecnologia específica, o BioLoop nasce para enfrentar um gargalo histórico da inovação brasileira: conectar pesquisas que hoje avançam de forma isolada e integrá-las em uma cadeia capaz de levar soluções até a aplicação prática. A proposta é criar uma estrutura permanente de colaboração científica, permitindo que tecnologias desenvolvidas em diferentes áreas amadureçam conjuntamente e tenham maior potencial de chegar ao mercado.

—O principal objetivo é criar essa rede de pesquisa. O recurso funciona como uma semente para fortalecer essa integração e permitir que ela dê origem a projetos cada vez maiores. O grande diferencial é justamente conectar competências que normalmente trabalham separadas— afirma o coordenador do projeto, o prof. Gustavo Doubek, da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp.

Pesquisa integrada — Segundo o pesquisador, um dos principais desafios da transição energética é que muitas soluções tecnológicas acabam sendo desenvolvidas de forma isolada. “Há pesquisas consolidadas em biocombustíveis, produção de biomassa, eletrificação, resíduos ou inteligência artificial, mas poucas iniciativas conseguem integrar todas essas etapas em uma mesma estratégia de inovação. O BioLoop nasce justamente para conectar essas competências dentro da Unicamp.”

A rede envolve pesquisadores de diversas unidades da Universidade, incluindo Engenharia Química, Engenharia Elétrica e de Computação, Engenharia Mecânica, Economia, Biologia e outras áreas, formando uma estrutura multidisciplinar dedicada ao desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono.

—O problema não é apenas desenvolver uma solução técnica. É fazer com que ela consiga chegar ao mercado e gerar impacto. Quando as pesquisas ficam isoladas, muitas vezes elas não avançam além do laboratório. A integração dá condições para transformar conhecimento em inovação— explica Doubek.

Do resíduo à mobilidade — A proposta organiza as pesquisas em três grandes blocos tecnológicos interligados. O primeiro concentra estudos sobre produção de biomassa, melhoramento genético de culturas energéticas, biotecnologia, biocombustíveis e etanol de segunda geração.

O segundo reúne pesquisas voltadas ao aproveitamento de resíduos urbanos e industriais, digestão anaeróbia, produção de biogás, biometano, metanol verde e desenvolvimento de biorrefinarias.

Já o terceiro bloco dedica-se ao uso eficiente da energia, incluindo eletrificação, motores movidos a combustíveis renováveis, baterias, hidrogênio verde e tecnologias para o seu armazenamento, gestão inteligente de energia, transporte sustentável e monitoramento de emissões.

Como eixo transversal, o projeto também incorpora ferramentas de Internet das Coisas (IoT) e inteligência artificial para otimizar processos, modelar sistemas energéticos e apoiar a tomada de decisão.

Estrutura para o futuro – Embora tenha duração prevista de três anos, o BioLoop foi concebido como uma iniciativa de longo prazo. Nesta primeira etapa, os recursos da Finep serão destinados principalmente à consolidação da infraestrutura de pesquisa, adequação de laboratórios, formação da rede de pesquisadores e fortalecimento das competências necessárias para projetos tecnológicos de maior escala.

—O projeto não termina nele mesmo. Nosso objetivo é criar uma estrutura permanente que permita captar novos recursos, ampliar as parcerias e acelerar o desenvolvimento de tecnologias voltadas à transição energética—finaliza Doubek.

Cepetro—O Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro) é um centro de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mais de 35 anos de história, focado em petróleo, gás, energias renováveis e transição energética. Instalado, atualmente, em cinco prédios com mais de cinco mil metros quadrados de área, possui dez laboratórios próprios e conta com mais de 700 pesquisadores. Além de executar projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), o Cepetro presta serviços técnicos e de consultoria, forma recursos humanos altamente qualificados e promove a disseminação do conhecimento. Seus projetos de P&D são financiados por empresas, fundações e agências governamentais de fomento à pesquisa. O Cepetro é um dos maiores captadores de recursos via cláusula de PD&I da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).