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07/08/2026

Indústria do cimento registra venda de 39 milhões de toneladas no 1S26, diz SNIC

E 6,2 milhões de toneladas em julho, alta de 2,3% na compração anual e, 2,5% ante o mesmo mês em 2025. Isso em um ambiente geopolítico que se agrava significativamente na relação com dois dos importantes parceiros comerciais do segmento: Estados Unidos e Argentina.

A indústria brasileira de cimento comercializou 6,2 milhões de toneladas em julho, um aumento de 2,5% frente ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). No acumulado do ano, as vendas alcançaram 39 milhões de toneladas, variação de 2,3% na comparação anual. O despacho por dia útil, que somou 249,3 mil toneladas, apresentou aumento de 2,4% sobre julho do ano passado e redução de 1,7% ante junho.

Na avaliação de desempenho das regiões do país no mês de julho, as regiões Norte e Nordeste mantiveram o crescimento expressivo, enquanto as demais regiões apresentaram estabilidade nas vendas, à exceção do Sul do Brasil, em razão das fortes chuvas.

O resultado do setor reflete um cenário macroeconômico dividido. A taxa de desemprego recuou para 5,4% no fechamento de junho, o menor patamar para o mês desde 2012, acompanhada por um recorde de 103,1 milhões de pessoas ocupadas. Em paralelo, o rendimento do trabalhador caiu pela segunda vez consecutiva, sinalizando o início de um possível desaquecimento do mercado de trabalho. O orçamento familiar também segue pressionado: até maio, 49,8% da renda acumulada em 12 meses estava comprometida com dívidas, e a inadimplência atingiu o nível recorde de 83,7 milhões de brasileiros em junho, concentrando R$ 579 bilhões em débitos.

O comprometimento da renda refletiu-se na confiança do consumidor, que recuou em julho puxada pelo pessimismo das classes mais baixas. Em contrapartida, a confiança da construção subiu, sustentada pela avaliação positiva das empresas de edificações residenciais, movimento que compensou a piora das expectativas no segmento de infraestrutura.

Já a confiança da indústria registrou sua maior queda desde setembro do ano passado, impactada pela instabilidade com as novas tarifas de importação dos Estados Unidos e pelo avanço do calendário eleitoral. O mercado também manteve as expectativas de inflação para acima da meta e revisou a projeção da taxa Selic para 13,75% ao fim do ano, a partir de um novo corte de 0,25% realizado ontem.

Os entraves econômicos incidiram diretamente nos negócios da cadeia produtiva. As vendas de materiais de construção no primeiro semestre recuaram 3,4%, levando a Associação Brasileira da Indústria Materiais de Construção (Abramat) a reduzir sua projeção anual de alta de 1,9% para 0,5%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) também apontou queda nas vendas de materiais de construção de 1% no acumulado até maio.

No mercado imobiliário as vendas4 cresceram 4,1% no primeiro trimestre, enquanto os lançamentos encolheram 4,9%. O movimento tem relação direta com o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), responsável por 49% da oferta de imóveis no país. O programa registrou salto de 10% nas vendas, mas apresentou queda de 10% nos lançamentos na comparação anual. A retração nas novas unidades reflete a adaptação das construtoras às alterações na política habitacional, com aumentos nas faixas de renda e nos valores dos imóveis vigentes desde o final de abril.

Em resposta aos desafios da transição climática, a indústria do cimento avança em seu Roadmap Net Zero. Para alcançar a neutralidade, o setor aposta na “tropicalização” de estratégias e ferramentas de descarbonização, aproveitando as particularidades climáticas e de biodiversidade do Brasil. O destaque recai sobre as Soluções Baseadas na Natureza (SbN), alternativas altamente efetivas para compensar emissões em setores de difícil abatimento (hard to abate). Enquanto tecnologias disruptivas de Captura de Carbono (CCUS) custam de US$ 150 a US$ 250 por tonelada de CO2, os projetos de recuperação florestal no país variam entre US$ 15 e US$ 25, aliando a sustentabilidade à urgência nacional de combate ao desmatamento.

—A resiliência das vendas setoriais apoia-se nos indicadores positivos do mercado de trabalho, com renovações de recordes no número de pessoal ocupado e na queda da informalidade. Contudo, esse dinamismo esbarra no alto endividamento das famílias e em um horizonte de juros e inflação ainda pressionados, além da recorrente carência de mão de obra. Adicionalmente, o ambiente geopolítico se agrava significativamente na relação com dois dos nossos importantes parceiros comerciais: Estados Unidos e Argentina— ressalta Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).