Em parceria com a Petrobras, empresa desenvolve projetos de PD&I em sondas de perfuração offshore para otimizar operações e reduzir emissões no mar.
A Constellation, maior empresa de perfuração offshore do Brasil, apresentou no dia 05 de agosto (quarta-feira) sua jornada de descarbonização durante a Rio Innovation Week 2026, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro (RJ).
A empresa conduziu um painel focado em debater soluções para a redução de emissões nas atividades de perfuração em alto-mar, promovido pelo Energy Hub, maior hub de startups de energia do Brasil, do qual é mantenedora. A mesa-ronda conectou o olhar da Petrobras sobre as demandas operacionais de descarbonização à experiência prática da Constellation em testar e implementar tecnologias na frota.
—A transição energética no offshore não acontece com soluções de prateleira. Construímos no ecossistema da Constellation uma estrutura capaz de capturar demandas reais da Petrobras, conectar academia e startups e testar novas tecnologias na prática— afirmou Paulo Cesar Simões Silva, gerente de Inovação da Constellation.
Consideradas verdadeiras usinas industriais flutuantes, que operam de forma ininterrupta, as sondas de perfuração offshore enfrentam o desafio de reduzir a intensidade de carbono por poço perfurado sem comprometer a produtividade ou os padrões de segurança operacional.
Para isso, a Constellation estruturou uma área dedicada aos projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) por meio de recursos da cláusula de investimentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Neste modelo, as operadoras atuam no direcionamento dos desafios e no fomento financeiro, enquanto as prestadoras de serviço como a Constellation disponibilizam suas unidades como laboratórios práticos para validar novas soluções.
—Reduzir a intensidade de carbono na perfuração exige simbiose entre operadora e contratadas. A parceria em PD&I com a Constellation nos permite aplicar tecnologias pioneiras na frota, garantindo que a eficiência energética e a sustentabilidade caminhem lado a lado com a produtividade —completou Cristiano Zank, gerente Setorial de Performance da Petrobras.
Entre as iniciativas de destaque apresentadas no evento está o Digital Vessel Twin (DTV), projeto de gêmeo digital da Constellation desenvolvido para navios-sonda em cooperação com a Petrobras e a Universidade de São Paulo (USP). A solução, aplicada inicialmente no Brava Star, combina modelos dinâmicos e dados em tempo real para criar uma réplica virtual da embarcação. A ferramenta permite simular cenários operacionais, prever consumo, calcular a pegada instantânea de carbono e otimizar parâmetros como aproamento e distribuição de carga dos geradores.
A companhia também apresentou o Fuel Processor, sistema de emulsão de água em diesel acionado por reator de cavitação de frequência aprimorada. O projeto prevê fases de comissionamento e testes no navio-sonda Laguna Star entre 2026 e 2028. A iniciativa conta com financiamento da Petrobras via cláusula ANP, desenvolvimento da Clean Energy Power Systems (CEPS) e verificação independente da PUC-Rio. Entre os benefícios esperados, há uma estimativa de redução de até 5% no consumo de diesel já na etapa piloto.
Outro avanço abordado foi o Eco Booster, tecnologia pioneira no país voltada ao nivelamento de carga e atenuação de picos de demanda no anel hidráulico do sistema de perfuração. Testado na sonda Brava Star também em parceria com a Petrobras, o projeto piloto demonstrou ganhos de estabilidade e eficiência, com redução de 46 horas no tempo de operação, diminuição estimada de 70 toneladas de CO₂ por ano e potencial de ganho operacional equivalente a US$ 769 mil.
—Transformar inovações em realidade exige validar cada solução em condições reais de operação. Projetos como o DTV, o Fuel Processor e o Eco Booster mostram que é possível elevar a eficiência energética da frota e reduzir emissões de forma mensurável, mantendo a estabilidade e a alta performance que o segmento de perfuração exige —destacou Douglas Rosa, gerente de Novas Tecnologias da Constellation.
Todos os três projetos integram o Constellab, ecossistema de inovação da Constellation criado há dois anos que conecta os principais atores para integrar projetos de PD&I, programas de intraempreendedorismo e iniciativas de open innovation. O Constellab gerencia atualmente um portfólio de mais de 40 projetos em diferentes estágios de maturidade tecnológica, estruturados sobre os pilares de descarbonização, eficiência operacional e segurança.
As iniciativas também estão alinhadas ao Plano ESG 2030 da Constellation, que estabelece os principais objetivos, metas e compromissos da empresa em temas ambientais, sociais e de governança corporativa.