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06/08/2026

Agosto Lilás: mês de enfrentamento nacional da violência em face da mulher

A cor é também uma forma de linguagem . Escolheram o lilás, por ser uma cor suave e cheia de delicadeza para representar o “Agosto Lilás” – mês de enfrentamento nacional da violência em face da mulher.

A escolha do lilás é sempre motivo de dúvida. Muitos perguntam, por que a escolha por essa cor? Historicamente, tons de violeta e lilás foram incorporados aos movimentos pelos direitos das mulheres e, com o tempo, tornaram-se símbolos de dignidade, resistência, igualdade e transformação. Lilás mostra que delicadeza não se confunde com fraqueza.

De fato, o “Agosto Lilás” reverbera não só a questão da violência em face da mulher, mas é uma das principais agendas no calendário dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Pontue-se que a transformação da causa individual para uma causa de natureza coletiva tem importância imensa nas democracias. Aliás , o termômetro de uma democracia se mede também pela confiança em suas instituições e o enfrentamento à violência contra a mulher, não pertence a um partido, a uma ideologia ou a um grupo político. É mais que isso . São direitos fundamentais : dignidade humana, liberdade, igualdade e cidadania .

A cor lilás então, passou a funcionar como um verdadeiro código social — é vista, reconhecida e associada à proteção, aos direitos e à denúncia.

Temos um tecido social lilás, costurado com milhares de vozes femininas. São vozes de superação, somadas à muitas outras que trazem luz e esperança para a mulher brasileira.

A cor lilás lembra que a resistência pode ser suave e paciente. Chega de gritos.

Infelizmente , dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgados no primeiro trimestre de 2026 apontam um aumento de 7,5% em relação ao mesmo período de 2025, com 399 vítimas registradas no país entre janeiro e março. É preciso seguir lilás. Porque 399 não é apenas um número. São 399 mulheres que nos deixaram a responsabilidade de não silenciar a de proteger as que estão aqui.

Lilás é transformar em compromisso a liberdade da mulher brasileira , que está sendo retrofitada no calendário. Hoje ela repousa na esperança do lilás, esperança erguida em vitórias consistentes, dentre elas redução das agressões, medidas protetivas deferidas em caráter de urgência e diminuição da impunidade de uma maneira geral .

Vale lembrar, que o mês de agosto também é marcado por avanços na legislação brasileira. Se até 2006, data que marca a sanção da Lei Maria da Penha, nº 11. 340, comemorada no dia 7 de agosto, a questão da violência doméstica era tratada como uma questão privada, a Lei Maria da Penha trouxe à tona e com enorme amplitude a compreensão do que se trata de violação de direitos humanos. Foram muitos avanços e hoje, é a Lei é considerada uma das três legislações mais evoluídas do mundo pela ONU, rompendo o silêncio institucional e cultural que banaliza a violência contra mulher no Brasil.

Por: Maria Inês Vasconcelos, advogada.