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31/07/2026

Consumo das famílias encerra semestre em alta acumulada de 2,49%, aponta Abras

De acordo com o Abrasmercado ,os principais pressões concentraram-se entre março e maio, com altas mensais próximas de 2,1%; Copa do Mundo movimenta consumo de ocasião nos lares.

O Consumo nos Lares Brasileiros encerrou o primeiro semestre com alta acumulada de 2,49%, segundo o monitoramento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em relação a junho de 2025, o indicador registrou alta de 1,86%. Na comparação com maio, o consumo avançou 0,48%, dados divulgados durante coletiva de imprensa,que aconteceu no dia 30 de julho (quinta-feira).

Os dados são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados.

Depois de um início de ano mais moderado, o consumo ganhou força entre março e maio, com altas de 3,20%, 3,17% e 3,93%, respectivamente, na comparação com os mesmos meses do ano anterior.

— O semestre mostra a resiliência do consumo nos lares. Mesmo com pressão concentrada em itens importantes da cesta de abastecimento, a sustentação da renda pelo mercado de trabalho e a circulação de recursos relevantes contribuíram para manter o consumo positivo. A leitura do período aponta para um comportamento mais planejado, com maior atenção às promoções, comparação de preços e seletividade na composição da cesta —analisa Marcio Milan, vice-presidente da Abras.

Copa movimenta consumo de ocasião nos lares — Embora junho tenha crescido em ritmo mais moderado, semanas com jogos de maior mobilização da Copa do Mundo estiveram associadas a um desempenho mais dinâmico em categorias de consumo de ocasião. Esse comportamento, no entanto, deve ser lido em conjunto com o momento do orçamento das famílias.

— A semana da estreia do Brasil combinou dois fatores importantes: a mobilização em torno dos jogos e um período ainda próximo ao recebimento de salários, quando parte dos consumidores tende a ter maior disponibilidade de renda. Ao longo do mês, o movimento não ocorreu de forma uniforme entre as categorias e variou conforme o calendário da competição, a participação da Seleção Brasileira, as promoções e o orçamento das famílias —afirma Milan.

Na composição da Cesta Copa 2026, os maiores pesos vieram de cortes bovinos (17,2%), cervejas (13,1%), cortes de frango (11,4%), embutidos de carne (10,9%) e refrigerantes (10,3%).

Juntas, essas cinco categorias responderam por mais de 60% da cesta analisada no período. Também tiveram participação relevante chocolates (8,0%) e salgadinhos para aperitivo (7,1%), reforçando o papel dos itens de conveniência e de consumo associado aos momentos de encontro em casa.

Na comparação com a Copa anterior, houve mudança na hierarquia das categorias de maior contribuição. Em 2022, os destaques foram salgadinhos, cerveja e carnes in natura. Em 2026, a carne in natura passou a aparecer como principal destaque, seguida por cerveja, refrigerante, chocolate e salgadinhos.

Esse movimento indica que o consumo de ocasião não ficou restrito a bebidas e petiscos. Também envolveu itens ligados ao preparo de refeições e aos encontros nos lares.

Recursos reforçam renda no fechamento do semestre — O orçamento das famílias contou, no fechamento do semestre, com a circulação de recursos relevantes. Entre maio e junho, a Receita Federal pagou cerca de R$ 32 bilhões nos dois primeiros lotes de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física 2026. Também permaneceram em circulação os recursos da antecipação do 13º salário de aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios do INSS, estimados em R$ 78,2 bilhões, destinados a cerca de 35,2 milhões de beneficiários entre abril e junho.

Em junho, programas de transferência de renda e liberações previstas no calendário também contribuíram para manter renda disponível. O Bolsa Família transferiu R$ 13,1 bilhões para 19 milhões de beneficiários; o quinto lote do PIS/Pasep movimentou cerca de R$ 5,5 bilhões; e houve ainda a liberação de R$ 2,6 bilhões para o pagamento de atrasados do INSS.

Ao longo de 2026, outro fator de sustentação da renda é o reajuste de 5,4% no piso salarial dos professores da educação básica pública, em vigor desde janeiro, cujo impacto estimado na economia é de R$ 6,4 bilhões.

Cesta Abrasmercado fecha o semestre em alta acumulada de 6,52%: — Principais pressões concentraram-se entre março e maio, com altas mensais próximas de 2,1%.

O Abrasmercado — indicador que acompanha a variação de preços da cesta de 35 produtos de largo consumo — encerrou o primeiro semestre com alta acumulada de 6,52%. A maior parte desse avanço concentrou-se entre março e maio, período em que o indicador registrou três elevações consecutivas: 2,20% em março, 1,98% em abril e 2,16% em maio.

Em junho, a cesta apresentou leve retração de 0,28%, interrompendo a sequência de altas. Com o resultado, o valor médio passou de R$ 854,91 para R$ 852,54.

Entre os produtos básicos, as principais pressões acumuladas no primeiro semestre concentraram-se no feijão (+52,82%) e no leite longa vida (+22,09%). Em sentido oposto, apresentaram retração o café torrado e moído (-11,49%), o açúcar refinado (-10,78%), o óleo de soja (-9,24%), a farinha de trigo (-4,78%), a massa sêmola de espaguete (-0,65%) e o arroz (-0,52%).

No grupo das proteínas, as maiores altas acumuladas foram registradas nas carnes bovinas — traseiro (+8,28%) e dianteiro (+6,99%) — e nos ovos (+6,43%). Em contrapartida, o pernil (-5,65%) e o frango congelado (-1,65%) encerraram o semestre em queda.

Entre os vegetais frescos, as maiores elevações acumuladas ocorreram no tomate (+82,41%), na batata (+82,12%) e na cebola (+53,33%).

Nos itens de higiene pessoal, todas as categorias registraram alta no semestre, com destaque para xampu (+5,08%), papel higiênico (+4,59%), creme dental (+4,40%) e sabonete (+3,78%).

Na limpeza doméstica, houve elevação no desinfetante (+4,17%), na água sanitária (+4,00%) e no detergente líquido para louças (+2,09%). O sabão em pó, por sua vez, acumulou retração de 1,06% no período.

Análise regional — No acumulado do primeiro semestre, todas as regiões registraram alta no valor médio da cesta AbrasMercado. O Nordeste liderou a variação, com avanço de 8,06% e preço médio de R$ 773,03 em junho. Apesar da maior alta acumulada, a região apresentou a cesta de menor valor médio do país.

Na sequência aparecem o Norte, com alta de 7,81% e valor médio de R$ 941,00, o maior entre as macrorregiões; o Sul, com avanço de 6,76% e cesta de R$ 928,72; o Centro-Oeste, com elevação de 6,31% e valor médio de R$ 801,23; e o Sudeste, que acumulou alta de 6,05%, encerrando o semestre com a cesta em R$ 870,48.

Cesta de 12 produtos básicos acumula alta de 4,99% no semestre — No recorte da cesta de 12 produtos básicos, o preço médio nacional acumulou alta de 4,99% no primeiro semestre, passando de R$ 340,39 em dezembro de 2025 para R$ 357,39 em junho de 2026. Na passagem de maio para junho, a variação foi de 0,08%, com o valor médio praticamente estável em relação aos R$ 357,10 registrados no mês anterior.

Assim como na cesta ampliada, a principal pressão veio do feijão (+52,82%), seguido do leite longa vida (+22,09%). Também registraram alta a carne bovina — corte do dianteiro (+6,99%), a margarina cremosa (+5,02%), o queijo muçarela (+3,01%) e a farinha de mandioca (+1,85%).

Em sentido oposto, registraram retração o café torrado e moído (-11,49%), o açúcar refinado (-10,78%), o óleo de soja (-9,24%), a farinha de trigo (-4,78%), a massa sêmola de espaguete (-0,65%) e o arroz (-0,52%).

Análise regional da cesta de 12 produtos — No acumulado do primeiro semestre, todas as regiões registraram alta no preço médio da cesta de 12 produtos básicos. O Norte apresentou a maior variação, com avanço de 8,19%, passando para R$ 449,20 em junho. A região também permaneceu com o maior valor médio da cesta entre as macrorregiões.

Na sequência, o Nordeste acumulou alta de 5,97%, com preço médio de R$ 317,01, mantendo a cesta de menor custo do país. No Sul, o avanço foi de 5,66%, elevando o preço médio para R$ 379,86. O Centro-Oeste registrou alta de 4,76%, com a cesta passando para R$ 349,99.

A menor variação acumulada ocorreu no Sudeste, onde o valor médio da cesta avançou 4,16%, com preço médio de R$ 370,19.

Capitais e regiões metropolitanas — Entre as capitais e regiões metropolitanas, os menores valores médios da cesta de 12 produtos permaneceram concentrados no Nordeste. Em junho, Fortaleza registrou R$ 312,62, São Luís ficou em R$ 316,24, Salvador em R$ 316,66, Aracaju em R$ 317,62 e Recife em R$ 321,88.

No Centro-Oeste, os preços permaneceram em faixa intermediária, com Brasília (R$ 348,62), Goiânia (R$ 350,01) e Campo Grande (R$ 351,35).

No Sudeste, a cesta apresentou valores superiores aos observados no Nordeste e no Centro-Oeste, com Rio de Janeiro (R$ 367,80), Belo Horizonte (R$ 369,11), Grande Vitória (R$ 369,64) e São Paulo (R$ 374,21).

No Sul, Curitiba registrou R$ 377,93 e Porto Alegre R$ 381,79, mantendo a região entre os maiores valores médios do país.

O Norte concentrou os valores mais elevados da cesta, com Belém em R$ 446,18 e Rio Branco em R$ 452,22.