Projeto Portinari leva exposição sobre afro-brasilidade ao Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), no Rio de Janeiro. e promove arte como instrumento de ressocialização. Mostra “Portinari e a AfroBrasilidade” reunirá 22 obras do artista e contará com ações educativas envolvendo adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.
O Projeto Portinari realizará, de 06 a 17 de julho, a exposição “Portinari e a Afrobrasilidade” no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), no Rio de Janeiro. A iniciativa reforça o compromisso da instituição com a democratização do acesso à cultura e utiliza a arte como ferramenta de educação, reflexão e transformação social.
Composta por 22 obras que abordam o tema da afrobrasilidade, a mostra pretende levar aos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, seus familiares, servidores do degase e ao público em geral uma reflexão sobre identidade, pertencimento, diversidade e direitos humanos. A expectativa é impactar mais de 200 pessoas.
Ao colocar a afrobrasilidade no centro do debate socioeducativo, a exposição busca estimular o reconhecimento da dignidade, da história e do protagonismo da população negra na formação da sociedade brasileira. A trajetória de Candido Portinari, artista que dedicou grande parte de sua produção à representação das camadas populares e das desigualdades sociais do país, será apresentada como um convite à observação crítica da realidade e ao autoconhecimento.
Mais do que uma experiência estética, a iniciativa propõe que a arte seja compreendida como um direito fundamental e um instrumento capaz de ampliar perspectivas de vida. Nesse contexto, a cultura assume papel essencial nos processos de ressocialização, oferecendo aos jovens novas possibilidades para ressignificar suas trajetórias.
A programação contará ainda com atividades educativas desenvolvidas em parceria com a equipe pedagógica do DEGASE. Um dos diferenciais do projeto será a formação de monitores da própria exposição, função que será exercida por adolescentes em cumprimento de medidas de semiliberdade, ao lado de arte-educadores e bibliotecários da instituição. A proposta fortalece o protagonismo dos participantes e amplia o alcance das ações de mediação cultural.
—Levar a obra de Portinari ao Degase é, acima de tudo, um exercício de democratização da arte e da cidadania. Ao dialogar com esses jovens sobre a nossa identidade e o protagonismo negro na trajetória de meu pai, não estamos apenas apresentando quadros, mas sim abrindo janelas para que eles reconheçam a si mesmos, suas histórias e suas potências. A arte tem essa capacidade transformadora de humanizar e inspirar; espero que esta exposição seja um espaço de reflexão, acolhimento e esperança para cada um desses estudantes— afirma João Candido Portinari, diretor-geral do Projeto Portinari e único filho do pintor.