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09/07/2026

Custo da cesta aumenta em 17 capitais no mês de junho, apontam Dieese e Conab

Em junho de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 8.110,92 ou cinco vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621,00.

Em junho, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 17 capitais brasileiras e diminuiu em outras dez, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entre maio e junho de 2026, os aumentos mais importantes ocorreram em Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%).

São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 965,47), seguida por Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 630,40), São Luís (R$ 654,73), Maceió (R$ 671,41) e Natal (R$ 686,07).

Na comparação dos valores da cesta em 12 meses, ou seja, entre junho de 2025 e junho de 2026, houve aumento em 26 capitais. As altas mais expressivas foram registradas em Cuiabá (14,71%), Aracaju (13,12%) e Belo Horizonte (12,52%). Em São Luís, a cesta ficou praticamente estável (-0,09%).

Nos primeiros seis meses de 2026, todas as cidades registraram alta nos preços da cesta básica, com taxas que oscilaram entre 4,02%, em São Luís, e 21,48%, em Fortaleza. Com base na cesta mais cara, que, em junho, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário.

Salário mínimo de R$ 8.110,92 para família de quatro pessoas — Em junho de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 8.110,92 ou cinco vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621,00. Em maio, o valor necessário era de R$ 7.999,44 e correspondeu a 4,93 vezes o piso nacional. Em junho de 2025, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.416,07 ou 4,89 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.

Rio de Janeiro — Em junho de 2026, o preço da cesta básica do Rio de Janeiro apresentou alta de 0,71% em relação a maio e ficou em R$ 920,94. Em 12 meses, o valor acumulou elevação de 9,21%. Em 2026, registra alta de 16,27%.

Entre maio e junho de 2026, nove dos 13 produtos que compõem a cesta básica tiveram aumento nos preços médios: farinha de trigo (5,13%), tomate (4,60%), feijão preto (3,78%), manteiga (1,57%), arroz agulhinha (1,28%), carne bovina de primeira (1,06%), pão francês (0,67%), banana (0,37%) e leite integral (0,27%). Os outros quatro alimentos apresentaram queda de preço: açúcar refinado (-7,16%), batata (-5,07%), café em pó (-4,78%) e óleo de soja (-1,05%).

No acumulado dos últimos 12 meses, foram registradas elevações em oito dos 13 produtos: batata (54,67%), tomate (25,50%), carne bovina de primeira (13,12%), pão francês (7,42%), feijão preto (7,30%), banana (4,93%), leite integral (0,82%) e óleo de soja (0,13%). Apresentaram diminuição de preços: café em pó (-23,82%), açúcar refinado (-22,10%), arroz agulhinha (-10,97%), manteiga (-5,24%) e farinha de trigo (-4,09%).

No acumulado do ano, ou seja, entre dezembro de 2025 e junho de 2026, oito produtos registraram alta: tomate (137,66%), batata (92,82%), feijão preto (22,01%), leite integral (13,00%), carne bovina de primeira (11,79%), pão francês (5,58%), manteiga (1,68%) e arroz agulhinha (1,10%). O preço da farinha de trigo manteve-se estável. Os seguintes itens registraram queda de preço: açúcar refinado (-16,74%), café em pó (- 16,12%), banana (-12,50%) e óleo de soja (-11,07%).

Em junho de 2026, o trabalhador do Rio de Janeiro remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 124 horas e 59 minutos para adquirir a cesta básica. Em maio de 2026, o tempo de trabalho necessário havia sido de 124 horas e 07 minutos. Em junho de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518,00, o tempo de trabalho necessário foi de 122 horas e 13 minutos.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o mesmo trabalhador precisou comprometer, em junho de 2026, 61,42% da renda para adquirir a cesta. Em maio de 2026, esse percentual correspondeu a 60,99% da renda líquida e, em junho de 2025, a 60,06%.