Jaqueline Neo, especialista em Câmbio e Crédito da be.smart comenta movimentação do mercado de câmbio. Analisa os impactos das negociações entre EUA e Irã, o preço do petróleo, a acomodação do dólar e seus impactos para o investidor.
—O mercado de câmbio está monitorando dois fatores principais. O primeiro é o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, que reduziu o prêmio de risco geopolítico global. Com a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz e uma possível normalização das exportações de petróleo iraniano, os preços do petróleo vêm recuando, o que ajuda a aliviar pressões inflacionárias no cenário internacional.
Do ponto de vista macroeconômico, petróleo mais barato tende a melhorar a percepção de risco dos investidores, favorecendo ativos de países emergentes, inclusive o real. Isso acontece porque reduz o receio de uma nova onda inflacionária global e pode diminuir a necessidade de manutenção de juros elevados por mais tempo nas economias desenvolvidas.
Para o dólar, o efeito imediato é de acomodação. O mercado interpreta o acordo como um fator positivo para o apetite ao risco, o que normalmente reduz a busca por ativos considerados porto seguro, como a moeda americana. Porém, ainda existe cautela porque o acordo é preliminar e várias etapas precisam ser implementadas antes de gerar efeitos econômicos permanentes.
Na prática, o investidor acompanha se essa redução das tensões geopolíticas será suficiente para manter o petróleo em níveis mais baixos e melhorar o fluxo para mercados emergentes. Se isso se confirmar, o real pode continuar encontrando suporte. Mas a trajetória do dólar seguirá dependente também dos dados de inflação e juros nos Estados Unidos, que continuam sendo o principal vetor para o câmbio global— conclui a análise Jaqueline Neo, especialista em Câmbio e Crédito da be.smart.