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17/06/2026

O que há de diferente nesse anúncio de possível acordo entre EUA e Irã?

A economista chefe do escritório da InvestSmart XP, Mônica Araújo, comentou sobre as novas negociações entre EUA e Irã. A executiva analisa os impactos das movimentações sobre o preço do petróleo, curvas de juros, índices de renda varíavel e commodities.

—Os mercados hoje reagem positivamente a mais uma tentativa de avanço nas negociações de ampliação do cessar-fogo entre EUA e Irã. Em vários outros momentos dos últimos 100 dias tivemos notícias de avanço nessa negociação em que o presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizava que o acordo estava próximo, mas, na sequência, nada acontecia e a frustração se refletia na volta da animosidade entre as partes, inclusive com ações militares. Nessas idas e vindas a única certeza que se mantém é de que a negociação se concretiza como muito difícil e que a mudança no patamar de preço do petróleo já se reflete nos índices de inflação.

Nesse final de semana o presidente Trump anunciou, novamente, que as partes chegaram num acordo provisório, o que desta vez também foi confirmado pelo país que está intermediando o acordo, o Paquistão, e também autoridades do Irã. Os detalhes desse acordo ainda não foram oficialmente divulgados, mas a previsão é de que seja assinado na próxima sexta-feira, dia 19/06/2026. Lembrando que o acordo prevê um novo processo de negociação que abarcará temas mais polêmicos, como o tratamento de urânio enriquecido pelo Irã. Ou seja, ainda não é um acordo de paz em definitivo.

A reabertura segura do estreito de Ormuz com o fim do bloqueio duplo é aguardada por todo o globo, mas os que dependem diretamente da volta da navegação na região, como armadores e seguradoras, ainda aguardam detalhes do acordo para entender as garantias e retomar aos poucos o volume de trânsito dos navios na região. A partir dessas garantias será possível avaliar em quanto tempo o fluxo de petróleo, gás natural, fertilizantes entre outras mercadorias voltarão a fluir na sua capacidade máxima e por quanto tempo.

Apesar de concordar que dessa vez há uma comunicação mais uniforme das partes envolvidas, ainda temos um ambiente frágil, com protagonistas com objetivos diferentes e ainda um acordo em definitivo que pode não resultar em pontos comuns. Os mercados comemoram o avanço do acordo, em especial os mercados de risco, com queda nas curvas de juros, alta nos índices de renda variável e nas commodities metálicas e leve depreciação do dólar. Porém a cautela na retomada da movimentação real do estreito de Ormuz deve continuar limitando o otimismo e não podemos esquecer que esta semana temos vários BC´s se reunindo. Destaque para a reunião do FED e do Bacem, cuja expectativa é de manutenção da taxa de juros de referência nos EUA e queda de 0,25% na Selic, mas com um tom bem duro sobre o cenário que se vê sobre a inflação ao longo de 2026 — conclui a análise Mônica Araújo, economista chefe da InvestSmart XP.