O ganho com modulação somou R$ 97,2 milhões e, pela primeira vez, compensou integralmente os efeitos do curtailment. Empresa anunciou a aprovação da primeira fase da reorganização societária, que simplifica estrutura e otimiza a gestão do caixa e do endividamento.
A Auren Energia (B3: AURE3), terceira maior geradora do país e uma das líderes em comercialização do mercado brasileiro, apresenta seus resultados relativos ao primeiro trimestre de 2026. Em um período desafiador para o setor, a Auren continuou apresentando resultados robustos e que comprovam a solidez de seu modelo de negócios.
O grande destaque do trimestre foi o ganho com modulação, ou seja, o resultado capturado em função do perfil de produção do portfólio diversificado de ativos da Companhia. No trimestre, esse efeito foi potencializado pela diferença do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) que apresentou valores mais baixos nos horários do meio do dia e valores mais altos no final da tarde/início da noite. O ganho com modulação somou R$ 97,2 milhões, cinco vezes superior ao registrado no primeiro trimestre de 2025 (R$ 19,4 milhões). Trata-se de um resultado histórico, já que superou, pela primeira vez, o impacto financeiro dos cortes de geração (curtailment), que foram de R$ 86,2 milhões no trimestre.
—Os resultados do trimestre evidenciam os benefícios da diversificação e da qualidade do nosso portfólio, que nos permitiu capturar valor em um cenário de maior volatilidade e neutralizar integralmente, pela primeira vez, os efeitos do curtailment. Isso comprova nossa capacidade de navegar por um ambiente complexo e de transformar desafios em oportunidades, gerando valor sustentável no longo prazo —afirma Fabio Zanfelice, CEO da Auren Energia.
A Auren teve Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês)ajustado de R$ 925,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 23,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA foi impactado principalmente pelo resultado da comercializadora, pelo menor recurso eólico e solar e pela redução da geração das usinas hidrelétricas do Brasil.
Entre janeiro e março, os níveis de curtailment no Sistema Interligado Nacional (SIN) permaneceram em linha com o observado no mesmo período do ano passado, atingindo 14,9% na geração eólica e 16,2% na geração solar. A hidrologia ficou significativamente abaixo da média em janeiro, pressionando os preços de energia para cima, seguida de melhora gradual a partir de fevereiro, com recuperação dos reservatórios. O nível de armazenamento passou de 45% no início do período para 69% ao final do trimestre, 13 pontos percentuais acima da média histórica de dez anos.
A companhia também manteve a disciplina financeira. A dívida líquida diminuiu R$ 135,4 milhões no trimestre, enquanto a alavancagem subiu marginalmente para 5,2x dívida líquida/EBitda ajustado, devido à queda do EBITDA dos últimos 12 meses. A trajetória de desalavancagem segue em linha com o planejado, com estabilização em 2026 e queda mais acentuada a partir de 2027.
Na frente de crescimento, as obras do projeto Cajuína 3 avançaram para 68% de execução física, conforme o cronograma e o orçamento previstos inicialmente. Localizado no Rio Grande do Norte, o parque eólico terá 112 MW de potência, com 19 aerogeradores. O início do comissionamento está previsto ainda para o primeiro semestre de 2026, com entrada em operação comercial total estimada para dezembro.
Outro avanço foi na agenda de eficiência e simplificação societária. Em abril de 2026, foi aprovada a Fase 1, com a incorporação da Auren Participações pela Auren Operações.—“A reorganização societária é um passo relevante para simplificar nossa estrutura, aumentar a eficiência na gestão de caixa e endividamento e preparar a Companhia para um novo ciclo de crescimento. A partir de 2027, esperamos uma aceleração mais consistente do Ebitda e da geração de caixa, contribuindo para o avanço do processo de desalavancagem — afirma Mateus Ferreira, vice-presidente Financeiro e de Relação com Investidores da Auren Energia,