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25/04/2026

Navio Fragata Tamandaré F200 é oficialmente incorporada à frota da Marinha do Brasil

A F200 é a primeira de quatro fragatas da classe Tamandaré a ser incorporada à frota da Marinha do Brasil. Um Memorando de Entendimento (MoU) assinado após a cerimônia de incorporação do navio à Esquadra brasileira, prevê a expansão para oito embarcações em cooperação com a Alemanha.

A Marinha do Brasil incorporou o novo navio de guerra, a Fragata Tamandaré (F200), no dia 24 de abril (sexta-feira), em cerimônia realizada na Base Naval do Rio de Janeiro, na Ilha de Mocanguê Grande, localizada no interior da Baía de Guanabara em Niterói (RJ). O F200 foi lançado ao mar em 2024, e passou por testes durante 2025. Com projeto alemão e tencologia brasileira, o navio é a primeira de quatro fragatas da classe Tamandaré (500 toneladas) que serão entregues pelo TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), são elas: “Jerônimo de Albuquerque” (F201), “Cunha Moreira” (F202) e “Mariz e Barros” (F203). A F201 iniciará a etapa de testes de mar no segundo semestre de 2026; já a F202 está na fase de conclusão da montagem do casco e a cerimônia de Lançamento ao Mar está prevista para junho deste ano. A F203 começou a ser construída em janeiro de 2026 e o batimento de quilha da embarcação será feito ainda este ano.  Com o início da construção da Fragata “Mariz e Barros”, a TKMS Estaleiro Brasil Sul atinge o auge da produção do PFCT. As quatro primeiras embarcações do programa passam a ser construídas simultaneamente em território brasileiro, com alto índice de conteúdo local. A iniciativa contribui para consolidar a expertise nacional em tecnologia de defesa naval e abre caminho para entregas escalonadas até 2029.

Para a cerimônia de incorporação, a Tamandaré F200 percorreu 765 quilômetros até a capital fluminense, desde a saída de Itajaí, e a chegada ao Rio de Janeiro no dia 16 de abril (quinta-feira).

A cerimônia na Base Naval do Rio de Janeiro contou com a presença do comando da Marinha, representantes do Governo Federal, representação consultar da Alemanha no Brasil e diretores da empresa alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) e das brasileiras Embraer Defesa & Segurança e Atech (Grupo Embraer), sob a gestão da sob gestão da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron).

O comandante da Marinha do Brasil, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, ressaltou os benefícios diretos que o Programa traz ao País.

— O Brasil possui uma vasta área marítima sob jurisdição do estado. E é absolutamente imprescindível que se tenha capacidade de monitoramento, né e de proteção dos recursos que essa área abriga. São recursos voltados pra energia, alimento, minerais, terras raras. E e não podemos entender que isso não é objeto de cobiça de terceiros, além de ser central para o desenvolvimento externo — disse o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Olsen.

— Para além do incremento de meios navais, o programa propicia avanços e benefícios tangíveis ao povo brasileiro. A construção impulsiona um número significativo de empregos diretos e indiretos, mobiliza ampla cadeia produtiva e promove capacitação de empresas brasileiras em tecnologias sensíveis e de alta complexidade — continuou.

Ao destacar a transferência de conhecimento envolvida, o almirante enfatizou que a iniciativa contribui para a consolidação de uma base industrial de defesa robusta, imprescindível para a autonomia e o progresso do País.

— Efetivamente incorporar o maior conteúdo nacional. Nós iniciamos a primeira fragata com 32% de conteúdo nacional, as demais já atingem quase 50% de conteúdo nacional. A ideia é que a gente assegure na discussão para os contratos das próximas quatro fragatas um conteúdo nacional que chegue a 60, 65%, privilegiando a base industrial de defesa e, como eu disse, preservando empregos, dignidade e renda — complementou o comandante.

Para o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante de esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, este momento representa um salto qualitativo para a Esquadra, na medida em que amplia capacidades operacionais, inclusive aquelas desenvolvidas no Brasil, como o míssil antinavio Mansup e o Sistema de Guerra Eletrônica Defensor. Ele acrescentou, ainda, que o navio é resultado de um esforço que extrapola o âmbito militar.

— Cada etapa de sua construção incorporou um aprendizado institucional que permanece no País, fortalecendo as capacidades nacionais. No mar, um navio não se define apenas por seu porte ou por seus sistemas, define-se pela harmonia entre projeto, tripulação e missão, inspirando a confiança de quem o conduz e o respeito de quem o observa. A bordo estará presente o Estado brasileiro, com uma tripulação que representa nossos valores, disciplina e capacidade de dissuasão, juntamente com uma notável disposição para cooperar— concluiu o chefe.

O vice-presidente de Operações da Embraer Defesa e Segurança, Walter Pinto Júnior, destacou a relevância do programa para o avanço tecnológico e industrial do País.

— A Fragata Tamandaré é a prova concreta de que o Brasil domina tecnologias complexas e é capaz de integrar sistemas de alto nível com padrão internacional. Mais do que isso, demonstra que somos capazes de transformar conhecimento em capacidade operacional real. Este programa já deixa um legado relevante, o fortalecimento da base industrial de defesa, o desenvolvimento de competências críticas e a integração com parceiros globais.

Outro momento de destaque foi a investidura do capitão de fragata Gustavo Cabral Thomé no cargo de comandante do navio. Após assumir o comando, foi içada, no mastro principal, a flâmula de comando, símbolo da autoridade do oficial a bordo.

O comandante expressou o orgulho de comandar o primeiro navio da Classe: —O orgulho é imenso, ser comandante de uma tripulação muito competente, muito dedicada, com homens esforçados no seu dia a dia de trabalho. Agora é entregar para a Marinha o que é esperado—

— Existe uma tripulação enxuta do navio justamente por causa desses equipamentos de alta tecnologia, então diversos sistemas são operados de forma remota o que possibilita termos a tripulação, diria que pela metade hoje das fragatas que compõem a força — ressaltou o comandante da Fragata Tamanadaré, capitão de fragata Gustavo Tomé.

A Fragata Tamandaré está preparada para guerra antiaérea, antissubmarino e de superfície — A Tamandaré F200 está preparada para conduzir missões de guerra antiaérea, antissubmarino e de superfície de forma simultânea. Com capacidade de 3.500 toneladas, 107,2 metros de comprimento e 16 metros de boca (largura), o navio tem velocidade máxima é de 25 nós (cerca de 47 quilômetros), com alcance de 5.500 milhas náuticas. Velocidade máxima de 25 nós (aproximadamente 47 quilômetros por hora, autonomia de 5.500 milhas náuticas, e um tripulação de 154 militares.

Conta ainda com hangar e convoo para operar um helicóptero de porte médio, ampliando significativamente o raio de vigilância e ataque da força naval brasileira.

A fragata possui sistemas de alta tecnologia de ponta, tais como: Sistema de combate integrado, que centraliza informações e decisões; Radar de vigilância aérea e de superfície, capaz de detectar alvos a longas distâncias; Sensores de guerra eletrônica, que monitoram sinais e emissões no ambiente; Sonar de casco, para identificação de ameaças submarinas; Sistemas eletro-ópticos e infravermelhos; Características stealth, que reduzem a detecção por radares.

O sistema de gerenciamento de combate utiliza algoritmos para identificar e classificar ameaças e indicar a melhor resposta em tempo real.

Sonar de casco, além de sistemas eletro-ópticos e infravermelhos; Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS): desenvolvido em parceria entre a brasileira Atech e a alemã Atlas Elektronik GmbH, processa dados de sensores e armamentos, utilizando algoritmos avançados para identificar, classificar ameaças e sugerir a melhor resposta tática, apoiando o processo decisório a bordo; Elementos “Stealth” que reduzem a assinatura radar (capacidade, dentre outras coisas, de detecção do navio), aumentando a eficácia em missões táticas; Radar de busca volumétrica, capaz de detectar embarcações, aeronaves e drones a longas distâncias; Sistemas de guerra eletrônica, que monitoram emissões eletromagnéticas e contribuem para a detecção de ameaças.

A Fragata Tamandaré F200 foi projetada para atuar simultaneamente em diferentes cenários de combate, com mísseis antinavio, para ataques contra embarcações; Mísseis antiaéreos de lançamento vertical, para defesa contra aeronaves; Torpedos, voltados ao combate submarino; Canhão de 76 mm de tiro rápido alta cadência e precisão; Metralhadoras 12,7 mm e, Sistemas de autoproteção antimíssil.

A embarcação dispõe, ainda, de um canhão de 30 mm para defesa de ponto, duas metralhadoras 12,7 mm e um sistema de despistamento destinado à autoproteção contra mísseis. Desde janeiro de 2024, os 154 militares que compõem a tripulação da “Tamandaré” participaram de cursos técnicos e operacionais voltados aos sistemas e equipamentos do navio.

MoU — Um Memorando de Entendimento (MoU) em cooperação com a Alemanha foi assinado no final da cerimônia de incorporação do navio à Esquadra brasileira, cuja intenção prevê a expansão para mais outras quatro fragatas, totalizando oito unidades da classe Tamandaré produzidas no país para modernização da esquadra. | Com infomações da Agª MB. | Vídeo da cerimônia: https://shre.ink/7E8Y