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24/04/2026

Resiliência da indústria do cimento sobre a volatilidade global do petróleo evidencia a força da transição energética

Com a instabilidade geopolítica impactando nos custos de produção, setor vê coprocessamento como estratégia para acelerar descarbonização.

O atual cenário geopolítico tem gerado instabilidade nos mercados globais de energia. O primeiro trimestre de 2026 fechou com alta de 1,8% e o mês de março registrou a maior comercialização da história da indústria (5,8 milhões de toneladas, alta de 9,1%). Entretanto, o otimismo é confrontado pelo atual cenário geopolítico: o conflito no Oriente Médio desestabilizou os mercados de energia, afetando diretamente as cotações de petróleo e gás natural.

Para a indústria nacional, o reflexo é imediato e severo. Cerca de 80% do coque de petróleo utilizado nos fornos é importado, e o insumo responde por quase um terço do custo de energia das fábricas. Somado a isso, a alta de 30% no preço do óleo diesel encarece o frete em um setor onde 90% do escoamento é rodoviário.

No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio traz volatilidade no curto prazo e amplia o ambiente de incerteza nos mercados globais, o que pode representar desafios futuros para setores intensivos em energia.

Contudo, em vez de o cenário ser observado apenas pelo viés da crise, este momento evidencia como a indústria cimenteira nacional vem construindo alternativas sólidas para mitigar esses impactos e manter sua competitividade. Nesse contexto, o coprocessamento ganha ainda mais relevância ao contribuir para a diversificação da matriz energética do setor, ampliando a previsibilidade no suprimento energético e promovendo simultaneamente a redução de emissões. No Brasil, essa tecnologia já alcança cerca de 30% de substituição térmica, tendo evitado a emissão de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de CO₂ no último ano.

O coprocessamento permite a substituição inteligente de combustíveis fósseis por materiais que, de outra forma, seriam um passivo ambiental e de saúde pública. Entre as principais alternativas adotadas pela indústria, destacam-se o uso de biomassa e a utilização do Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU). O compromisso do setor prevê investimentos de R$ 3,5 bilhões até 2030 para a adequação das fábricas e unidades de preparo, com o objetivo de processar anualmente cerca de 2,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos, o equivalente a trezentos mil caminhões de lixo que deixarão de ser descartados de maneira inadequada.

Para Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), o desempenho de 2026 dependerá da durabilidade dos reflexos externos e de aspectos internos, como a taxa de juros e o controle do frete. “A robusta diversificação da matriz energética, pilar central do Roadmap Net Zero 2050 do setor, se mostra como a melhor rota para reduzir a exposição à volatilidade do mercado internacional.” E completa: —Ao trocar o coque de petróleo por fontes limpas, o setor busca estabilidade financeira e a liderança em iniciativas para redução da pegada de carbono, na busca por uma indústria cada dia mais verde—disse.

ABCP — A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) foi fundada em 1936 com o objetivo de promover estudos sobre o cimento e suas aplicações. É uma entidade sem fins lucrativos, mantida voluntariamente pela indústria brasileira do cimento, que compõe seu quadro de associados. Reconhecida nacional e internacionalmente como centro de referência em tecnologia do cimento, a entidade tem usado sua expertise para o suporte a grandes obras da engenharia brasileira e para a transferência de tecnologia das mais diversas formas.