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24/04/2026

58% dos consumidores não controlam gastos com cartão de crédito, aponta CNDL/SPC Brasil

30% admitem já ter sido negativados por falta de pagamento da fatura do cartão de crédito. 8278% não sabem a taxa de juros mensal cobrada se optarem pelo rotativo.

No momento em que o país enfrenta recordes de inadimplência, uma nova pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, revela que a raiz do problema pode estar na falta de planejamento: 58% dos internautas usuários de cartão de crédito não fazem qualquer controle ativo de seus gastos.

Em vez de anotações tradicionais, esse grupo confia predominantemente na tecnologia: 28% limitam-se a consultar o aplicativo do banco com frequência e 14% esperam a fatura fechar para conhecer o montante devido. Entre os que ainda mantêm o hábito do controle (42%), o uso do caderno (18%) e de planilhas (14%) são os métodos preferidos, com maior adesão entre o público feminino.

A pesquisa mostra ainda que o mercado brasileiro consolidou a preferência pelas instituições digitais. Atualmente, 65% dos cartões são emitidos por bancos 100% digitais, superando os bancos tradicionais (60%). Os principais motivos apontados pelos consumidores são: a facilidade Digital, já que 44% buscam resolver tudo via internet sem burocracia do atendimento presencial. Seguido pela rapidez destacado por 36% que valorizam a agilidade na aprovação do crédito, e a economia, onde 33% migraram para fugir de taxas e anuidades.

Além disso, o consumidor adotou a estratégia de possuir múltiplos cartões. Cerca de 79% possuem ao menos um cartão, com uma média de duas unidades por pessoa. Os motivos para essa diversificação incluem a busca por isenção de anuidade (36%) e o aumento do limite global de crédito (34%).

— O atual cenário de inadimplência no Brasil reflete uma perigosa desconexão entre a facilidade de acesso ao crédito e a capacidade de planejamento do consumidor. O cartão de crédito tem sido utilizado sob uma lógica perigosa, onde a agilidade dos bancos modernos atrai o público, mas a ausência de um monitoramento ativo transforma essa conveniência em uma armadilha financeira. Quando a maioria dos usuários abre mão de ferramentas de controle e ignora o custo real dos juros, o crédito deixa de ser um aliado do consumo para se tornar um fator de desequilíbrio financeiro progressivo— alerta o presidente da CNDL, José César da Costa.

30% dos consumidores já foram negativados nos últimos 12 meses devido ao cartão — Apesar de 56% dos entrevistados afirmarem quitar o valor integral da fatura mensalmente, os dados de inadimplência mostram sinais de degradação. Para os 15% que estão com contas em atraso, a situação piorou em relação ao ano passado, com a média subindo para 2,2 faturas pendentes.

O estudo destaca ainda que 30% dos consumidores já foram negativados (ficaram com o “nome sujo”) nos últimos 12 meses da realização da pesquisa devido ao cartão, além disso, 23% tiveram o cartão bloqueado por falta de pagamento no mesmo período. Outro dado preocupante aponta que 78% desconhecem a taxa de juros cobrada no rotativo, o que potencializa o risco de endividamento. Ainda assim, 26% já recorreram ao pagamento mínimo da fatura, mas não o fazem há pelo menos 12 meses, enquanto 11% pagam o mínimo quando necessário.

O surgimento de um forte concorrente: o PIX Parcelado — A pesquisa revela que 61% utilizaram o cartão todos os meses. O benefício central do cartão para os entrevistados continua sendo a capacidade de parcelar compras (53%). De fato, a impossibilidade de parcelar seria o principal motivo para 43% dos usuários abandonarem o plástico.

No entanto, o estudo aponta o surgimento de um forte concorrente: o PIX Parcelado. Cerca de 22% dos consumidores afirmam que abandonariam o cartão de crédito se essa nova modalidade oferecesse custos mais baixos.

—Sem uma mudança na cultura de monitoramento dos gastos, o uso do cartão de crédito para cobrir a falta de recursos imediatos continuará empurrando as famílias para o ciclo do ‘nome sujo’. Esse descontrole é rápido: assim que o orçamento aperta, o consumidor recorre ao parcelamento e ao uso de múltiplos cartões como uma solução imediata, mas acaba caindo em um ciclo de atrasos e rotativos do qual é cada vez mais difícil sair —destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Metodologia —Público-alvo: Internautas das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas (excluindo analfabetos).

Método de coleta: Pesquisa realizada via web e pós-ponderada por sexo, idade, renda e escolaridade.

Tamanho amostral: 600 casos e pós ponderada considerando as capitais do país e perfil. Margem de erro no geral de 4,0 p.p. para um intervalo de confiança a 95%. Coleta de 02 a 09 de janeiro de 2026.

CNDL — Criada em 1960, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) é formada por Federações de Câmaras de Dirigentes Lojistas nos estados (FCDLs), Câmaras de Dirigentes Lojistas nos municípios (CDLs), SPC Brasil e CDL Jovem, entidades que, em conjunto, compõem o Sistema CNDL. É a principal rede representativa do varejo no país e tem como missão a defesa e o fortalecimento da livre iniciativa. Atua institucionalmente em nome de mais de 500 mil empresas, que juntas representam 9% do PIB brasileiro e 17% do PIB do setor, geram sete milhões de empregos e movimentam R$ 600 bilhões por ano.

SPC Brasil — Há mais de 60 anos no mercado, o SPC Brasil é um dos mais tradicionais bureaux de crédito da América Latina, com uma robusta base de dados com informações de crédito de pessoas físicas e jurídicas. É a plataforma de inovação do Sistema CNDL para apoiar empresas em conhecimento e inteligência para crédito, identidade digital e soluções de negócios. Possui 232 milhões de CPFs no seu banco de dados, 57 milhões de CNPJs cadastrados e 120 milhões de consultas por mês. Oferece serviços que geram benefícios compartilhados para sociedade, ao auxiliar na tomada de decisão e fomentar o acesso ao crédito. É também referência em pesquisas, análises e indicadores que mapeiam o comportamento do mercado, de consumidores e empresários brasileiros, contribuindo para o desenvolvimento da economia do país.