Crescimento de 6% ante o ano anterior. Em março somou 264,1 mil unidades, crescimento de 27,6% em relação a fevereiro e 35,6% em relação a março de 2025. Emplacamento de caminhões cresce 31,9% no mês, impulsionado pelo Move Brasil, enquanto produção avança 35,6% e atinge maior nível desde 2019.
O Brasil registrou a venda de 100 mil veículos eletrificados no primeiro trimestre de 2026, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em coletiva de imprensa no dia 08 de abril (quarta-feira). No mesmo período do ano anterior foram comercializados 54 mil veículos desse tipo. Os dados abrangem as vendas entre janeiro e 06 de abril.
Vendas em março — Março foi o melhor mês de emplacamentos desde 2013, com 269,4 mil unidades vendidas, um crescimento de 45% em relação a fevereiro e aumento anual de 37,5%. No trimestre, as vendas somaram 625,1 mil unidades, alta de 13,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A produção nacional alcançou 264,1 mil unidades em março, o melhor resultado mensal desde outubro de 2019, indicando um crescimento de 27,6% em relação a fevereiro e 35,6% em relação a março de 2025. No primeiro trimestre, a fabricação foi de 634,7 mil veículos, crescimento de 6% em relação ao ano anterior.
O mês também trouxe um alívio para o segmento de caminhões, após vários meses de retração. Foram 8,8 mil unidades emplacadas, 31,9% a mais que em fevereiro. No acumulado do trimestre ainda há uma queda de 21,1%, mas esse degrau vem diminuindo a cada mês desde o lançamento do programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos na troca por caminhões mais antigos.
—Além de promover a renovação da frota, o Move Brasil ainda se refletirá em muitos emplacamentos nas próximas semanas, pois há um intervalo entre a compra e o registro do veícul—explicou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.
Os automóveis inscritos no programa Carros Sustentável, todos de entrada na gama de cada marca, têm alta de vendas acumulada de 30% desde julho do ano passado. Outro ponto de destaque são os registros de veículos eletrificados, que chegaram perto de 100 mil unidades ao final de março, quase o dobro em relação ao primeiro trimestre do ano passado, com participação relevante de 40,3% desses modelos produzidos no Brasil.
Completando as boas notícias de março, as exportações atingiram 40,4 mil unidades, após um primeiro bimestre aquém das expectativas. O crescimento sobre fevereiro foi de 21,1% e de 1,1% sobre o mesmo mês de 2025. Isso amenizou a queda em relação ao primeiro trimestre do ano passado, que agora é de 18,5%, mas sinaliza uma possível recuperação dos volumes embarcados, em especial com a retomada do importante mercado colombiano.

— Apesar dos números positivos em março, é cedoafirmar uma tendência para o ano todo. O presidente da Anfavea, Igor Calvet lembrou que a taxa de juros Selic caiu recentemente para 14,75% ao ano, e que fatores externos como a guerra no Irã causam oscilações no preço do petróleo e do dólar, demandando cautela no setor.
— Essa marca de 100 mil veículos eletrificados confirmam a consolidação no mercado brasileiro de maneira crescente, com uma média mensal de alta de 15% nos últimos meses— ressaltou o presidente.
Ele lembra que 42% dos veículos eletrificados vendidos no período foram produzidos no Brasil, ao passo que em 2025 esse percentual foi de 23%.
— O interesse chinês também está presente em outros setores econômicos sem restrições, mas enfatizou a importância de que a presença chinesa não ocorra apenas na comercialização, defendendo a fabricação local dos veículos— frisa o executivo.
O presidente da Anfavea disse que as montadoras estabelecidas há muito tempo possuem uma cadeia produtiva robusta, com profundo conhecimento do mercado nacional e das preferências dos consumidores.
— Empresas que chegam ao país com modelos elétricos estão avaliando esse novo mercado, o que levará a uma acomodação natural— afirmou Calvet,
A China superou a Argentina como maior exportadora de veículos para o Brasil, posição que o país vizinho detinha até início de 2025.
— A Anfavea não diferencia a origem do investimento, destacando que muitas montadoras possuem capital estrangeiro, e mencionou que a isenção do imposto para kits CKD e SKD de veículos eletrificados cessou em 31 de janeiro, e a expectativa é de que o benefício não seja retomado. A chinesa BYD usa esse modelo em sua fábrica em Camaçari, Bahia.
Segundo ele, a indústria automotiva brasileira emprega 1,3 milhão de pessoas e representa 20% do Produto Interno Bruto Industrial do setor. É um modelo de produção que evoluiu com processos completos, incluindo pintura, soldagem e desenvolvimento local, que não pode ser alterado rapidamente. A discussão é sobre qual modelo produtivo o país deseja ter, se importação simples ou produção completa.
A Anfavea está colaborando com o governo para estudar a competitividade da indústria nacional em relação a outros mercados. Recentemente, o presidente global da Stellantis, Antonio Filosa, sugeriu a criação de um mecanismo para equalizar a competitividade entre as fabricantes nacionais e as chinesas, destacando a importância de medidas regulatórias similares às adotadas por Estados Unidos e Europa para proteger o ecossistema produtivo brasileiro.
— Hoje temos discussões sobre o Custo Brasil e o conteúdo local, e a Anfavea tem papel importante, embora não seja a única representante do setor. A entidade também está focada em questões tributárias, especialmente com a expectativa da reforma em 2027 e a aplicação do imposto seletivo sobre veículos leves— continua.
O imposto seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, tem caráter regulatório para desincentivar o consumo de produtos nocivos à saúde e ambiente, incluindo veículos poluentes. Ainda há incertezas no setor sobre os critérios de aplicação desse tributo.