A Amcham Brasil destacou no dia 07 de abril (terça-feira), durante o Encontro Empresarial BR-US — 4ª edição, que a relação entre Brasil e Estados Unidos vive um momento de transição, com melhora nas condições de acesso ao mercado americano, mas ainda cercada por incertezas regulatórias e comerciais. A entidade divulgou pesquisa inédita sobre o tema.
Na abertura do encontro, realizado na sede da entidade em São Paulo, o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirmou que cerca de 45% das exportações brasileiras já entram nos Estados Unidos sem sobretaxas, o equivalente a aproximadamente US$ 14 bilhões em produtos, entre alimentos, insumos e componentes industriais.
Segundo ele, o avanço ocorre após a decisão recente da Suprema Corte americana e a reaproximação entre os governos dos dois países, que contribuíram para melhorar as condições de acesso a mercado. —Estamos diante de um cenário mais favorável — mas ainda em transição e sujeito a mudanças —afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham.
Incerteza ainda predomina entre empresas — Apesar da melhora, dados de pesquisa inédita da Amcham com cerca de 90 empresas exportadoras — brasileiras e americanas — mostram que o ambiente ainda é de cautela: 86% apontam preocupação com novos aumentos tarifários; 76% citam incerteza regulatória e comercial; 46% destacam os riscos associados à investigação da Seção 301.
Além disso, cerca de 40% das empresas avaliam que ainda é cedo para medir os efeitos das mudanças recentes, enquanto aproximadamente um terço já indica intenção de ampliar exportações para os Estados Unidos.
Comércio bilateral supera US$ 100 bilhões — Abrão Neto reforçou o peso econômico da relação entre os dois países, destacando que o fluxo de comércio bilateral de bens e serviços já supera US$ 100 bilhões por ano, sustentado majoritariamente pelo setor privado. —São as empresas que dão concretude a uma parceria que produz benefícios reais para as duas economias— disse.
Impactos das sobretaxas e reaproximação — O presidente da Amcham também relembrou que, em 2025, as sobretaxas chegaram a atingir quase 80% das exportações brasileiras, especialmente produtos industriais, afetando a competitividade das empresas brasileiras no mercado americano.
A partir de setembro do ano passado, no entanto, houve uma inflexão no cenário, com a retomada do diálogo político e avanços graduais nas condições comerciais.
Diálogo como prioridade — De acordo com a pesquisa da Amcham, mais de 90% das empresas defendem o diálogo entre os governos como principal caminho para avançar na relação bilateral. Abrão destacou que ainda há temas relevantes dos dois lados, incluindo: Interesse brasileiro em evitar novas tarifas e preservar acesso ao mercado americano; Demandas americanas por redução de barreiras não tarifárias, além de avanços em propriedade intelectual e economia digital.
Agenda de propostas para 2026 — A Amcham também antecipou que apresentará aos candidatos à Presidência da República uma agenda estruturada em três frentes: Desafios estruturais do país, como equilíbrio fiscal, segurança pública e educação; Políticas para melhoria do ambiente de negócios e competitividade; Fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
No campo bilateral, a entidade defende uma agenda baseada na expansão do comércio e dos investimentos, redução de barreiras e aprofundamento da cooperação em áreas como minerais críticos, tecnologia, infraestrutura digital e agricultura.
— Há espaço para construir convergências por meio de negociações e avançar em uma agenda pragmática e orientada a resultados— afirmou Abrão Neto.
O Encontro Empresarial BR-US — 4ª edição reúne autoridades e lideranças empresariais para discutir os próximos passos da agenda econômica entre os dois países.