Gestora, eleita a melhor do ano pela Uqbar cresce 33%. A Ouro preto Investimentos projeta crescer 30% em FIDCs em 2026, impulsionada pela migração para o mercado de crédito privado.
A combinação de juros elevados e maior seletividade dos bancos na concessão de crédito tem alterado a dinâmica de financiamento no país. Nesse cenário, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) voltam a ganhar espaço, impulsionados pela demanda por alternativas ligadas à economia real. O segmento já supera R$ 800 bilhões em patrimônio e cresce em ritmo mais acelerado que a média da indústria de fundos, refletindo a migração gradual de operações para fora do sistema bancário. Esse movimento tem levado empresas a buscar estruturas mais flexíveis para financiar capital de giro e antecipar recebíveis. Na prática, a originação de crédito passa a ser compartilhada com o mercado de capitais, em um processo de descentralização que vem se intensificando nos últimos anos. Eleita melhor Gestora do Ano pela Uqbar Top 10, a Ouro Preto Investimentos prepara uma nova rodada de captação entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão nos próximos 4 meses, distribuída entre operações multicedente, consignado privado, cadeias produtivas e precatórios.
A gestora administra cerca de R$ 15,5 bilhões em ativos, dos quais mais de R$ 10 bilhões estão alocados em FIDCs. Em 2025, registrou crescimento de 33% no patrimônio líquido e projeta expansão superior a 30% no segmento em 2026. O avanço ocorre em um ambiente em que instituições financeiras tradicionais reduzem exposição a operações mais complexas, abrindo espaço para estruturas de crédito privado mais segmentadas. Esse deslocamento amplia o volume de ativos disponíveis e eleva o nível de exigência na análise das carteiras. —Os FIDCs acompanham o ciclo econômico do país. Mesmo em períodos de maior incerteza, o impacto tende a ser mais limitado do que em ativos tradicionais—.
O que —vemos hoje é uma mudança estrutural na forma como o crédito é distribuído —afirma Leandro Turaça, sócio-gestor da Ouro Preto Investimentos. —A desbancarização não implica redução na oferta de crédito, mas sim uma reconfiguração dos canais de distribuição. —O crédito permanece ativo, porém passa a ser estruturado de forma mais direta entre empresas e investidores, com maior eficiência, transparência e previsibilidade —afirma Turaça.
Dados recentes mostram que o mercado de capitais já vem ampliando sua participação na originação de crédito, ainda que o sistema bancário ainda concentre cerca de 76% das operações no país. Hoje, instrumentos fora dos bancos, como FIDCs, debêntures, CRIs e CRAs, já respondem por aproximadamente 24% do crédito total, em um movimento que vem ganhando tração nos últimos anos. A tendência é de avanço gradual dessa participação, impulsionada por tecnologia, mudanças regulatórias e pela maior sofisticação dos investidores, com projeções de que esse percentual continue crescendo ao longo da próxima década. | www.ouropretoinvestimentos.com.br