A Especialista em Câmbio e Crédito da be.smart, Jaqueline Neo, comentou sobre o crescimento do investimento em ativos internacionais por parte dos investidores brasileiros.
—O avanço dos investimentos de brasileiros no exterior em 2025 e 2026 reflete menos o nível do câmbio e mais uma mudança estrutural de comportamento. A diversificação internacional deixou de ser tática e passou a ser parte central da construção de portfólio.
Mesmo com juros elevados no Brasil, o investidor pessoa física passou a incorporar ativos globais como proteção permanente. O dólar deixou de ser apenas uma aposta e virou instrumento de gestão de risco.
O dado mais recente reforça que esse movimento não é linear, mas consistente. Em janeiro de 2026 houve queda relevante nas remessas, de cerca de 64% na comparação anual , o que indica sensibilidade ao câmbio no curto prazo. Ainda assim, a tendência de médio prazo permanece de expansão da alocação externa.
O ponto central é a sofisticação. Há migração clara para renda fixa internacional e produtos diversificados, reduzindo a dependência exclusiva do ciclo doméstico. Isso aproxima o investidor brasileiro do padrão global, onde a exposição internacional é regra, não exceção.
Ao mesmo tempo, o Brasil segue recebendo volume elevado de capital estrangeiro, com cerca de US$ 77 bilhões em investimento direto em 2025 . Esse fluxo duplo mostra que não há fuga de capital, mas redistribuição de risco.
O impacto macro merece atenção. A ampliação estrutural das saídas contribui para pressionar as contas externas no médio prazo, exigindo maior entrada de capital estrangeiro para compensação.
O movimento é claro. O investidor brasileiro não está mais restrito ao mercado local. Está, finalmente, operando como investidor global—conclui a especialista em Câmbio e Crédito da be.smart, Jaqueline Neo.