Modelo educacional irá valorizar cultura local, inovação e tecnologia.
O Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) inaugura, no dia 27 de março (sexta-feira), o IEMA Pleno Quilombola de Alcântara, instalado na comunidade quilombola de Oitiua, na zona rural do município de Alcântara (MA).
A unidade representa um marco na expansão da educação profissional no estado e amplia o acesso ao ensino técnico para jovens de uma região que reúne mais de uma centena de comunidades quilombolas.
A iniciativa marca a implantação da primeira escola pública de ensino médio técnico em tempo integral em território quilombola no Maranhão, ampliando oportunidades educacionais e profissionais para estudantes da região, processo para implantação iniciado em 2024.
O IEMA é atualmente a principal política pública de educação profissional e tecnológica do Governo do Maranhão. O modelo educacional da instituição oferece ensino médio integrado à formação técnica em tempo integral, combinando formação escolar tradicional com cursos profissionalizantes, atividades de pesquisa, inovação e desenvolvimento científico.
— Além da formação técnica, os estudantes participam de projetos voltados à ciência, tecnologia, robótica educacional, olimpíadas científicas e intercâmbios internacionais —explica Cricielle Muniz, diretora-geral do IEMA.
Atualmente, o instituto conta com 58 unidades implantadas em 44 municípios maranhenses, consolidando-se como uma das principais políticas públicas voltadas à formação da juventude no estado.
Nos últimos anos, a rede também ganhou destaque nacional pela participação de estudantes em competições científicas e projetos de inovação tecnológica.
Para Cricielle Muniz, a chegada da instituição a uma comunidade quilombola representa um avanço importante na democratização do acesso à educação pública de qualidade.

—A chegada do IEMA a uma comunidade quilombola é um momento histórico para o Maranhão. Estamos levando educação pública de qualidade, ciência, tecnologia e oportunidades para jovens que, muitas vezes, tiveram o acesso a essas possibilidades negado ao longo da história— afirma a diretora-geral.
Formada em Direito, Cricielle iniciou sua trajetória no movimento estudantil ainda na juventude e construiu sua carreira na gestão de políticas públicas voltadas à juventude, desenvolvimento social e articulação institucional.
Nascida e criada na periferia de São Luís, ela se tornou a primeira mulher negra a dirigir o IEMA, posição a partir da qual tem conduzido a expansão da rede de educação profissional no estado.
À frente do instituto, sua gestão tem priorizado a ampliação do acesso à educação técnica, a interiorização das unidades e a criação de oportunidades educacionais para jovens de diferentes regiões do Maranhão.
IEMA Quilombola de Alcântara — Segundo Cricielle Muniz, o IEMA Pleno Quilombola de Alcântara, instalado na comunidade de Oitiua, representa um passo importante na expansão da educação profissional no estado e amplia o acesso ao ensino técnico para jovens de uma região que reúne mais de 100 comunidades quilombolas.
A nova escola inicia suas atividades com 80 estudantes, distribuídos em duas turmas de cursos técnicos integrados ao ensino médio, e serão ofertados os cursos de: Técnico em Agroecologia; Técnico em Informática para Internet.
—A escolha das formações foi definida a partir de audiência pública e diálogo com a comunidade local, buscando alinhar a formação técnica às necessidades e aos potenciais econômicos do território— explica a diretora-geral.
A proposta pedagógica da unidade também considera o contexto cultural da região, valorizando saberes tradicionais, práticas ligadas ao território e à agricultura sustentável, ao mesmo tempo em que introduz os estudantes ao universo da ciência, tecnologia e inovação.
A escola conta com salas de aula; laboratórios científicos e tecnológicos; biblioteca; auditório; quadra poliesportiva; refeitório; espaços pedagógicos voltados à pesquisa e a projetos culturais.
Cultura e identidade na inauguração — A programação de inauguração também deve destacar manifestações culturais tradicionais da região, valorizando expressões ligadas à história e à identidade das comunidades quilombolas maranhenses.
Entre as apresentações culturais previstas estão: Caixeiras do Divino; Tambor de Crioula e, Capoeira.