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25/03/2026

Selic 14,75%: Banco Central corta juros, mas guerra no Oriente Médio ameaça ritmo de queda, dizem economistas

—A Ata do Copom mostra que o Banco Central iniciou com cautela o processo de redução dos juros, ao cortar a Selic para 14,75% ao ano, deixando claro que os juros ainda permanecem elevados lembra Peterson Rizzo, gerente de R.I da Multiplike.

— A Ata do Copom mostra que o Banco Central iniciou com cautela o processo de redução dos juros, ao cortar a Selic para 14,75% ao ano, deixando claro que os juros ainda permanecem elevados. O Comitê reconhece que a economia dá sinais de desaceleração e que a inflação começou a perder força, mas destaca que as expectativas de inflação seguem acima da meta, o que exige cuidado adicional. O cenário internacional trouxe novos desafios, especialmente com os conflitos no Oriente Médio, que aumentam a instabilidade nos mercados, pressionam preços de commodities e afetam o comportamento do câmbio. No Brasil, a economia deve crescer de forma mais moderada em 2026, com mercado de trabalho ainda resistente e inflação avançando lentamente para níveis mais baixos. Diante desse quadro, o Banco Central indica que novas reduções dos juros dependerão da confirmação desse processo e da evolução do ambiente externo — pontua Peterson Rizzo, gerente de R.I da Multiplike.

— O que a ata mostra é um Banco Central que inicia o ajuste, mas preserva flexibilidade num ambiente global mais volátil. Quando há tensão no Oriente Médio, o impacto vai além do petróleo, ele influencia câmbio, percepção de risco e o custo do capital no mundo todo. Isso muda a forma como empresas e investidores tomam decisão. Para quem está construindo negócios, esse é um momento que valoriza eficiência, clareza estratégica e capacidade de execução. O capital continua disponível, mas mais orientado a empresas que conseguem transformar cenário complexo em crescimento consistente— avalia João Kepler, CEO da Equity Group.

— A leitura da ata é de um ciclo que começou com cautela e deve continuar sendo conduzido com base em dados. A incerteza externa, especialmente com a escalada no Oriente Médio, reforça a necessidade de rigor na análise de risco. No mercado de FIDCs, isso não reduz o interesse, pelo contrário, aumenta a busca por estruturas bem montadas, com governança e previsibilidade. Em momentos assim, o investidor tende a priorizar qualidade de crédito e consistência de performance, o que fortalece operações mais estruturadas — sustenta Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

— O Banco Central deu um passo importante ao iniciar o corte de juros, mas deixou claro que o cenário exige prudência. O contexto global mais sensível, com impacto do Oriente Médio sobre energia e inflação, faz com que o ciclo seja mais gradual. Para o investidor, isso reforça a importância de estratégia e previsibilidade. Ativos que geram renda recorrente e permitem organização patrimonial continuam ganhando espaço, porque ajudam a atravessar períodos de maior volatilidade com mais estabilidade e visão de longo prazo ressalta Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

— A ata reforça que o início do ciclo não significa um ambiente de juros baixos no curto prazo, mas sim um processo de ajuste controlado. A instabilidade externa eleva a complexidade da precificação de risco, especialmente com impactos indiretos via commodities e câmbio. Nesse contexto, o crédito estruturado ganha protagonismo, porque permite modelar operações com mais precisão e alinhar risco e retorno de forma eficiente. O mercado segue ativo, mas cada vez mais técnico e orientado por qualidade — garante Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

— O início do ciclo de corte da Selic, mesmo em um ritmo mais cauteloso, combinado com um cenário global mais sensível, reposiciona a dinâmica do venture capital de forma mais estratégica. A redução gradual do custo de capital tende a melhorar a atratividade de ativos de crescimento ao longo do tempo, enquanto a volatilidade externa reforça a importância de alocações mais bem fundamentadas. Para o venture capital, isso representa um ambiente de maior qualidade na seleção, com capital sendo direcionado para startups com modelos consistentes, capacidade de execução e potencial claro de escala. Ao mesmo tempo, esse contexto favorece uma reprecificação mais saudável dos ativos e cria oportunidades relevantes para fundos que conseguem identificar empresas preparadas para capturar valor em ciclos mais exigentes, fortalecendo o ecossistema como um todo — prevê Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest.

— A ata do Copom deixa claro que o corte que levou a Selic a 14,75% ao ano foi o início de um ciclo que tende a ser conduzido com “serenidade” e dependência de dados, porque a inflação ainda exige cautela e o ritmo das próximas decisões vai depender de maior confiança na convergência para a meta. O pano de fundo externo piorou: a escalada do conflito no Oriente Médio elevou o prêmio de risco, pressionou o petróleo e reacendeu preocupações com inflação e frete, o que aumenta a volatilidade do câmbio e da curva longa e pode reduzir o espaço para cortes mais rápidos adiante. O Brasil entra nesse momento com atividade moderando e crédito ainda caro, e o recado para o mercado é simples, o ciclo de queda está aberto, mas o choque de energia e a incerteza global podem fazer o Banco Central avançar com mais cautela para evitar que expectativas voltem a desancorar — alerta André Matos, CEO da MA7 Negócios.

— A ata é um exemplo claro de como o mercado financeiro exige leitura integrada de fatores macroeconômicos e geopolíticos. O corte de juros aconteceu, mas a ausência de guidance mostra que o cenário segue em construção. Quando o Oriente Médio impacta inflação e expectativas, isso se traduz em decisões mais complexas dentro de bancos, assets e mesas de investimento. Esse tipo de ambiente reforça a importância de formação prática, com profissionais preparados para interpretar cenário e agir com rapidez — adianta Fabio Louzada, CEO da B7 Business School.

— O início do ciclo de cortes sinaliza uma transição relevante no custo do capital, mas o ambiente externo mantém o nível de exigência elevado. A volatilidade global, impulsionada pelo Oriente Médio, reforça a necessidade de estruturas de crédito mais robustas e eficientes. Nesse cenário, o crédito estruturado se consolida como uma alternativa estratégica, conectando investidores a oportunidades na economia real com governança e controle de risco mais refinados — revela Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue.

— A ata do Copom reforça um ponto central para o mercado: o início do corte da Selic não elimina o nível elevado de juros, nem reduz a sensibilidade dos ativos ao cenário externo. A escalada no Oriente Médio tem impacto direto sobre commodities, especialmente o petróleo, o que pressiona expectativas de inflação e aumenta a volatilidade na curva de juros. Isso se reflete imediatamente na renda variável, com maior dispersão entre setores. Empresas ligadas a commodities tendem a capturar parte desse movimento, enquanto setores mais dependentes de crédito e consumo seguem mais sensíveis ao custo financeiro. Ao mesmo tempo, o Ibovespa passa a reagir de forma mais técnica, equilibrando o alívio doméstico com o risco global. Nesse ambiente, valuation, geração de caixa e capacidade de repasse de preços voltam a ser determinantes para a performance dos ativos — supõe Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

— A ata do Copom coloca o investidor em um cenário de transição, em que o início do corte de juros convive com incertezas globais relevantes, especialmente com o impacto do Oriente Médio sobre energia e inflação. Nesse contexto, os ETFs ganham ainda mais protagonismo, porque permitem acessar diferentes classes de ativos, geografias e setores com eficiência e liquidez. Em um ambiente mais volátil, a capacidade de ajustar a exposição de forma rápida e diversificada se torna uma vantagem estratégica. Os ETFs oferecem exatamente essa flexibilidade, permitindo ao investidor recalibrar portfólio conforme o cenário evolui, sem abrir mão de disciplina e visão de longo prazo — calcula Fábio Murad, Economista e CEO da Super-ETF Educação.